quarta-feira, setembro 20, 2017

Urnas eletrônicas: falhas, vulnerabilidades e fraudes do mesário





por Felipe Payão(*).



O professor Diego Aranha é uma das poucas pessoas independentes, sem relação com o governo, que conseguiram colocar as mãos nas urnas eletrônicas, realizar alguns testes de invasão e buscar vulnerabilidades. Aranha palestrou no evento Mind the Sec, em São Paulo, na quarta-feira passada (13), e o TecMundo conversou com ele por alguns minutos sobre a segurança das urnas eletrônicas no Brasil.

Professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Aranha coordenou em 2012 a primeira equipe de investigadores independentes capaz de detectar e explorar vulnerabilidades no software da urna eletrônica em testes controlados organizados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em 2016, foi convidado para realizar novos testes, mas se negou — os motivos você descobre na entrevista. Agora, em 2017, Aranha colocará novamente as mãos nas urnas, e você saberá o resultado dos testes em novembro aqui no TecMundo.

No Mind the Sec, o papo que o professor levou foi outro, abordando temas como criptografia e segurança computacional. Segundo o próprio evento, a "palestra tratou da evolução das técnicas criptográficas e outras tecnologias de preservação da privacidade sob um ponto de vista histórico, até o desenvolvimento da chamada criptografia fim-a-fim implementada em aplicativos modernos para troca de mensagens". Mais sobre isso, você encontrará no canal oficial do Mind the Sec no YouTube.

Agora, você vai acompanhar a conversa que tivemos com Diego Aranha especificamente sobre as urnas eletrônicas. Acompanhe:

TecMundo: Qual foi o seu envolvimento nos testes das urnas eletrônicas?

Diego Aranha: Eu participei como coordenador da equipe vencedora dos testes do TSE na edição de 2012. Em 2016, atuei apenas como observador externo dos testes; isso porque naquele ano o TSE introduziu um Termo de Confidencialidade que me recusei a assinar. Basicamente, o termo determinava que tudo que aconteceria nos testes por lá teria que ficar (sem divulgação). Havia conflito com as informações obtidas em 2012, que deixaram a situação confusa. E também tem o problema natural que eu sou um funcionário público, que deve prestar contas à sociedade. Meu salário não é pago para que eu guarde segredos do TSE. Muito pelo contrário, é para observar o que está funcionando bem e funcionando mal e relatar para a sociedade qual é a minha interpretação. Então, em 2016 eu só fui observador, fiz parte da comissão de avaliação que tentou garantir que os testes fossem minimamente razoáveis. Agora, em 2017, eu vou participar de novo com um grupo de investigadores.

TecMundo: E desta vez não será confidencial?

Aranha: O Termo de Confidencialidade foi alterado, após muita pressão. Agora, você pode relatar publicamente sobre o que foi observado, como vulnerabilidades e afins, desde que o Tribunal Superior Eleitoral seja comunicado antes. Entendi ser razoável. Ainda existem restrições de escopo, sistemas que investigadores não podem olhar, como a identificação biométrica — que não está disponível para teste apesar de estar em produção.

TecMundo: E quem desenvolve é o próprio pessoal do TSE...

Diego Aranha: Sim, o software hoje é majoritariamente desenvolvido por equipe do TSE. Anteriormente, já foi inteiramente terceirizado, mas hoje é responsabilidade do TSE, que conta com uma equipe própria para desenvolver o sistema e mantê-lo ao longo do tempo.

Diego Aranha: Sim, foi um absurdo. Foi quando o ministro Toffoli foi presidente do TSE (ministro Dias Toffoli, 2014/2016), e o PSDB perdeu as eleições gerais e pediu auditoria. Boa parte da imprensa, na época, encarou como um terceiro turno — o que eu acho uma estupidez. Qualquer sistema, de qualquer ordem, deve ser passível de auditoria, e é totalmente legítimo solicitá-la. O problema é que as pessoas olham mais o aspecto político do que o aspecto técnico. A auditoria precisa ser livre para qualquer partido que seja.

Então, montaram uma equipe para realizar a auditoria — eu fui convidado, mas decidi não participar porque os meus esforços são completamente apartidários, não represento e não me envolvo com partido algum — e contactaram duas pessoas para fazer parte dessa equipe: o Alex Halderman (professor na Universidade de Michigan), que já peregrinou o mundo violando segurança de equipamentos de votação — chegou quase a ser deportado da Índia —, e o Rubira por ser absolutamente competente.

O Rubira trabalha na Intel, fora do Brasil, e tem muita experiência em segurança de software, segurança de aplicações, enfim. O TSE negou a participação dos dois com o argumento de que como um é cidadão estrangeiro e o outro vive em cidade fora do Brasil, isso viola a soberania nacional. Supondo que, sei lá, a Intel tivesse interesse em roubar tecnologia das urnas eletrônicas, como se fossem tão avançadas a ponto da Intel considerar isso estratégico. Resultado, um cidadão brasileiro com domicílio fiscal no país foi impedido de participar com esse argumento.

TecMundo: Voltando um pouco para 2012, quando você de fato colocou a mão no sistema. Quais vulnerabilidades mais graves foram encontradas?



Diego Aranha: Acho que a mais grave observada foi a que nos deu a vitória. Observação: em 2012, os testes eram uma competição entre times também, o que era ineficiente, e até sugerimos que mudasse. Após reunir muita gente dedicada a tornar o sistema mais seguro, não faz muito sentido competir entre si. Voltando: o que exploramos no ambiente de teste foi uma vulnerabilidade no sigilo do voto. Conseguimos, após realizar uma eleição simulada, recuperar os votos em ordem, baseado apenas em informação pública. A hora de emissão da zerésima era a informação que a gente precisava para descobrir como votou o primeiro eleitor, o segundo eleitor, o terceiro eleitor e assim por diante. Sem, no entanto, saber quem eram o primeiro, o segundo e o terceiro eleitores — apesar dessa informação ser fácil de conseguir com a ajuda de um mesário malicioso.


Também descobrimos que a urna armazena o horário de votação de cada um desses eleitores. Então, por exemplo, se você quisesse descobrir o voto de um ministro do Supremo Tribunal Federal, você precisaria do horário de emissão da zerésima da seção eleitoral dele (que é informação pública), de um arquivo que se chama Registro Digital do Voto (que coloca os votos embaralhados e também é informação pública para os partidos) e do horário que ele votou, para descobrir o lugar dele na fila. Recuperando então os votos em ordem, você sabe qual é o voto do ministro. 

Observamos que não havia qualquer obstáculo técnico para, por exemplo, descobrir o voto do presidente do TSE nas eleições de 2010. Obviamente, não fizemos isso porque é antidemocrático e contra a lei, mas as condições técnicas estavam todas lá. 

Também descobrimos que os mecanismos que protegem o software contra manipulação sofriam de falhas de projeto fundamentais. Todas as urnas compartilham o mesmo segredo para proteger o software de votação e isso está diretamente inserido no código-fonte do equipamento. Então, tem ao menos 500 mil cópias dessa informação às claras em cartões de memória, não dá nem para chamar isso de segredo. Mas não tivemos tempo de realizar um ataque em tempo real sobre essa vulnerabilidade, nos deram apenas três dias. Dois dias ficamos realizando ataques no sigilo do voto e o terceiro para montar o relatório e negociar com o TSE o que entraria no relatório. Então, tiveram vulnerabilidades que descobrimos, não atacamos ou exploramos, mas documentamos.


TecMundo: E depois de tudo isso as urnas passaram por alguma atualização?


Diego Aranha: Sim, o software mudou. Fisicamente é praticamente a mesma urna, mas algumas coisas mudaram. Em 2012, havia dois modelos principais: um que não tinha um módulo de segurança em hardware e outro que tinha esse módulo, mas não era usado para tarefas importantes. Esse módulo gera números aleatórios, exatamente para realizar esse embaralhamento de maneira segura; e também há um espaço para armazenar chaves para encriptar a mídia de maneira segura, mas não era usado assim... com o aparente argumento de que "se nem todas as urnas têm, nenhuma pode usar", o que não faz qualquer sentido em termos de segurança.


Desde então, a fração das urnas com esse módulo em hardware com certeza aumentou. As urnas antigas vão saindo de operação e as novas já têm esse recurso. É claro que, entendo e acredito, que o TSE integrou alguns desses mecanismos, que já estavam lá e já haviam sido comprados, nas versões mais novas do software. Eu não tenho evidências disso, mas seria algo natural — foi até o que recomendamos no relatório. Todos esses equipamentos são custeados por impostos, é o mínimo que podem fazer.


TecMundo: Os hackers estão cada vez mais jovens e o hacker brasileiro tem um certo costume de invadir sites por diversão, mesmo que falte um conhecimento técnico alto como atacante. Chegando para as urnas, é fácil se tornar um atacante desse sistema em específico? 


Diego Aranha: O que observamos é o seguinte: os mecanismos de segurança que estavam no sistema não ofereciam custo proibitivo para algum atacante minimamente sofisticado. Um atacante de eleições é um atacante muito bem equipado, politicamente e financeiramente, tanto que possuem milhões para comprar votos.


Evidentemente eu também não sei se os atacantes de eleições brasileiras, como os políticos da velha guarda, possuem interesse real em fraudes tecnológicas. Eles têm vencido eleições do jeito antigo desde que o Brasil é Brasil. Não temos como especular. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que não deveríamos estar nessa posição, até porque do ponto de vista custo-benefício, é um ponto tentador de ataque. Se você compromete alguém, por exemplo, que esteja dentro do TSE para escrever software que vai roubar votos para alguém, isso tem (em tese) custo muito mais barato do que comprar 100 mil votos em uma cidade. É um ponto tentador de ataque, que concentra risco. Eu não sei se os partidos e os políticos já perceberam ou se preocupam com isso, até porque eles encontram outras formas de ganhar eleições. Mas o que é evidente é o seguinte: infelizmente, temos uma comunidade muito profícua em produção de software malicioso e fraude financeira. As condições técnicas, caso sejam transportadas para as eleições, estão lá — ou estavam lá em 2012.


TecMundo: Ocorrem outros tipos de fraude?


Diego Aranha: Nós temos outros tipos de fraude menos tecnológicas nas eleições brasileiras, mas se fala pouco a respeito. A fraude do mesário, em que ele vota no lugar de pessoas que não foram votar. Então, quando a pessoa justifica a falta, percebe-se posteriormente que já votaram no lugar dela. Esse tipo de coisa acontece. Isso porque os mesários também concentram risco nas eleições, eles têm acesso privilegiado ao equipamento.


TecMundo: Mas como isso acontece, especificamente?


Diego Aranha: O mesário opera o equipamento e um eleitor que justificou o voto, por estar em outra cidade, observa posteriormente que o voto foi computado para o título de eleitor dele. O Tribunal Superior Eleitoral fez um cruzamento recentemente e acharam um volume, se não me engano, de dezenas de milhares de votos justificados, mas que receberam votos, que foram contabilizados. O TSE se manifestou de maneira inconclusiva, como se fosse uma questão dúbia. É evidente que foi uma fraude de mesários votando por pessoas que não foram votar.


Então, temos fraude eleitoral no Brasil. Temos compra de votos, temos fraude de mesário, temos modalidades menos tecnológicas de fraude eleitoral que ainda não são devidamente discutidas. Há uma preocupação excessiva com a urna, até porque o equipamento representa maior risco, mas existe fraude eleitoral no Brasil.


E quando a gente fala de dezenas de milhares de votos, estamos falando de algo decisivo em eleições de menor porte. Basta olhar para as recentes e diferentes eleições, como os resultados estão cada vez mais divididos e ao mesmo tempo apertados, como a eleição presidencial passada. Isso pode interferir nos resultados de uma eleição.


TecMundo: Fraudes menores passam despercebidas, certo? E com as eleições cada vez mais apertadas, isso pode fazer uma grande diferença...


Diego Aranha: As pessoas quando pensam em fraude, pensam em um cenário fictício e espetaculoso para uma fraude eleitoral. Mas, na verdade não é isso, às vezes são 500 votos que separam o primeiro do segundo turno. Aí tem um escândalo de corrupção prestes a estourar que vai fazer o candidato perder a eleição no segundo turno. Se ele consegue resolver ainda no primeiro, a vantagem é enorme. Então, sim, pode ser uma fração bem pequena de votos que decide os resultados.


Você apontou muito bem: a eleição presidencial passada e as nossas eleições daqui para frente serão muito polarizadas. A sociedade está se polarizando cada vez mais e fica cada vez mais complicado resolver disputas em resultados eleitorais, por isso transparência é tão importante.


As nossas eleições sempre vão ser muito disputadas. Se não tivermos um sistema minimamente auditável e transparente, isso só dificulta e atrapalha as coisas.


TecMundo: E o que poderia ser feito para aumentar a segurança das urnas e também tornar o processo eleitoral transparente?


Diego Aranha: No Brasil, utilizamos um sistema de votação com registro puramente eletrônico dos votos. Uma consequência direta desse fato é que tanto o sigilo do voto quanto a compatibilidade entre os resultados da eleição e a intenção do eleitorado dependem diretamente da qualidade do software de votação e de sua resistência contra manipulação por agentes internos e externos. Dessa forma, o aprimoramento do sistema passa não apenas pelo incremento de segurança do software de votação e de seus processos de auditoria, mas também da implantação de mecanismos que permitam ao eleitor verificar se o sistema registra sua intenção corretamente. Isso deve acontecer a partir de 2018, quando o TSE começará a implantar o voto impresso em 6% das urnas eletrônicos. É importante acompanhar esse processo para ver qual será o impacto no sistema. 

Também descobrimos que os mecanismos que protegem o software contra manipulação sofriam de falhas de projeto fundamentais. Todas as urnas compartilham o mesmo segredo para proteger o software de votação e isso está diretamente inserido no código-fonte do equipamento. Então, tem ao menos 500 mil cópias dessa informação às claras em cartões de memória, não dá nem para chamar isso de segredo. Mas não tivemos tempo de realizar um ataque em tempo real sobre essa vulnerabilidade, nos deram apenas três dias. Dois dias ficamos realizando ataques no sigilo do voto e o terceiro para montar o relatório e negociar com o TSE o que entraria no relatório. Então, tiveram vulnerabilidades que descobrimos, não atacamos ou exploramos, mas documentamos. 


TecMundo: E depois de tudo isso as urnas passaram por alguma atualização? 


Diego Aranha: Sim, o software mudou. Fisicamente é praticamente a mesma urna, mas algumas coisas mudaram. Em 2012, havia dois modelos principais: um que não tinha um módulo de segurança em hardware e outro que tinha esse módulo, mas não era usado para tarefas importantes. Esse módulo gera números aleatórios, exatamente para realizar esse embaralhamento de maneira segura; e também há um espaço para armazenar chaves para encriptar a mídia de maneira segura, mas não era usado assim... com o aparente argumento de que "se nem todas as urnas têm, nenhuma pode usar", o que não faz qualquer sentido em termos de segurança. 

Desde então, a fração das urnas com esse módulo em hardware com certeza aumentou. As urnas antigas vão saindo de operação e as novas já têm esse recurso. É claro que, entendo e acredito, que o TSE integrou alguns desses mecanismos, que já estavam lá e já haviam sido comprados, nas versões mais novas do software. Eu não tenho evidências disso, mas seria algo natural — foi até o que recomendamos no relatório. Todos esses equipamentos são custeados por impostos, é o mínimo que podem fazer. 


TecMundo: Os hackers estão cada vez mais jovens e o hacker brasileiro tem um certo costume de invadir sites por diversão, mesmo que falte um conhecimento técnico alto como atacante. Chegando para as urnas, é fácil se tornar um atacante desse sistema em específico? 


Diego Aranha: O que observamos é o seguinte: os mecanismos de segurança que estavam no sistema não ofereciam custo proibitivo para algum atacante minimamente sofisticado. Um atacante de eleições é um atacante muito bem equipado, politicamente e financeiramente, tanto que possuem milhões para comprar votos. 


Evidentemente eu também não sei se os atacantes de eleições brasileiras, como os políticos da velha guarda, possuem interesse real em fraudes tecnológicas. Eles têm vencido eleições do jeito antigo desde que o Brasil é Brasil. Não temos como especular. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que não deveríamos estar nessa posição, até porque do ponto de vista custo-benefício, é um ponto tentador de ataque. Se você compromete alguém, por exemplo, que esteja dentro do TSE para escrever software que vai roubar votos para alguém, isso tem (em tese) custo muito mais barato do que comprar 100 mil votos em uma cidade. É um ponto tentador de ataque, que concentra risco. Eu não sei se os partidos e os políticos já perceberam ou se preocupam com isso, até porque eles encontram outras formas de ganhar eleições. Mas o que é evidente é o seguinte: infelizmente, temos uma comunidade muito profícua em produção de software malicioso e fraude financeira. As condições técnicas, caso sejam transportadas para as eleições, estão lá — ou estavam lá em 2012. 

TecMundo: Ocorrem outros tipos de fraude? 

Diego Aranha: Nós temos outros tipos de fraude menos tecnológicas nas eleições brasileiras, mas se fala pouco a respeito. A fraude do mesário, em que ele vota no lugar de pessoas que não foram votar. Então, quando a pessoa justifica a falta, percebe-se posteriormente que já votaram no lugar dela. Esse tipo de coisa acontece. Isso porque os mesários também concentram risco nas eleições, eles têm acesso privilegiado ao equipamento. 

TecMundo: Mas como isso acontece, especificamente? 

Diego Aranha: O mesário opera o equipamento e um eleitor que justificou o voto, por estar em outra cidade, observa posteriormente que o voto foi computado para o título de eleitor dele. O Tribunal Superior Eleitoral fez um cruzamento recentemente e acharam um volume, se não me engano, de dezenas de milhares de votos justificados, mas que receberam votos, que foram contabilizados. O TSE se manifestou de maneira inconclusiva, como se fosse uma questão dúbia. É evidente que foi uma fraude de mesários votando por pessoas que não foram votar. 

Então, temos fraude eleitoral no Brasil. Temos compra de votos, temos fraude de mesário, temos modalidades menos tecnológicas de fraude eleitoral que ainda não são devidamente discutidas. Há uma preocupação excessiva com a urna, até porque o equipamento representa maior risco, mas existe fraude eleitoral no Brasil. 

E quando a gente fala de dezenas de milhares de votos, estamos falando de algo decisivo em eleições de menor porte. Basta olhar para as recentes e diferentes eleições, como os resultados estão cada vez mais divididos e ao mesmo tempo apertados, como a eleição presidencial passada. Isso pode interferir nos resultados de uma eleição. 

TecMundo: Fraudes menores passam despercebidas, certo? E com as eleições cada vez mais apertadas, isso pode fazer uma grande diferença... 

Diego Aranha: As pessoas quando pensam em fraude, pensam em um cenário fictício e espetaculoso para uma fraude eleitoral. Mas, na verdade não é isso, às vezes são 500 votos que separam o primeiro do segundo turno. Aí tem um escândalo de corrupção prestes a estourar que vai fazer o candidato perder a eleição no segundo turno. Se ele consegue resolver ainda no primeiro, a vantagem é enorme. Então, sim, pode ser uma fração bem pequena de votos que decide os resultados. 

Você apontou muito bem: a eleição presidencial passada e as nossas eleições daqui para frente serão muito polarizadas. A sociedade está se polarizando cada vez mais e fica cada vez mais complicado resolver disputas em resultados eleitorais, por isso transparência é tão importante. 

As nossas eleições sempre vão ser muito disputadas. Se não tivermos um sistema minimamente auditável e transparente, isso só dificulta e atrapalha as coisas. 

TecMundo: E o que poderia ser feito para aumentar a segurança das urnas e também tornar o processo eleitoral transparente? 


Diego Aranha: No Brasil, utilizamos um sistema de votação com registro puramente eletrônico dos votos. Uma consequência direta desse fato é que tanto o sigilo do voto quanto a compatibilidade entre os resultados da eleição e a intenção do eleitorado dependem diretamente da qualidade do software de votação e de sua resistência contra manipulação por agentes internos e externos. Dessa forma, o aprimoramento do sistema passa não apenas pelo incremento de segurança do software de votação e de seus processos de auditoria, mas também da implantação de mecanismos que permitam ao eleitor verificar se o sistema registra sua intenção corretamente. Isso deve acontecer a partir de 2018, quando o TSE começará a implantar o voto impresso em 6% das urnas eletrônicos. É importante acompanhar esse processo para ver qual será o impacto no sistema.





(*) Felipe Payão @felipepayaoCybercrime reporter. Repórter em @Tec_Mundo

Fonte: TecMundo


Veja também: 

terça-feira, setembro 19, 2017

Imigração ilegal cai 99% na Hungria com construção de muro.



por Natan Falbo.




A Hungria reduziu a imigração clandestina em mais de 99%, depois de lançar uma série de poderosas cercas de fronteira em resposta à crise dos migrantes europeus, o que favorece ideia da construção de um muro nos EUA como prometido por Trump.

Para selar a fronteira da Hungria com a Sérvia – que também é uma fronteira externa de acesso a União Européia – o primeiro-ministro Viktor Orbán, o assessor de segurança, György Bakondi, anunciaram que as cercas foram responsáveis pela queda da imigração ilegal de 391 mil em 2015, para 18.236 em 2016 e para apenas 1.184 em 2017.

“O sistema de barreiras é a chave para o sucesso da segurança nas fronteiras, sem ele, seria impossível conter a chegada em massa de imigrantes”, explicou o chefe de segurança.

A Hungria teve que responder rapidamente ao fluxo imigratório que explodiu na Europa depois que a Alemanha de Angela Merkel anunciou que não haveria “limites” sobre o número de requerentes de asilo, que seu próprio país aceitaria, por isso as fronteiras da Hungria são defendidas por cercas gêmeas salpicadas de torres de vigia e patrulhadas por milhares de guardas de fronteira recém-recrutados, em vez de um muro de concreto – o que teria levado mais tempo para construir.

Os húngaros introduziram essas zonas depois de descobrirem que muitos dos terroristas de Paris 2015 passaram por seu território – uma posição radical em comparação a outros Estados membros da UE, que aceitam massivamente os imigrantes, com consequências às vezes mortíferas, em obediência a Lei da UE.

“Existe uma pressão de migração contínua em nossas fronteiras”, insistiu o Dr. Zoltán Kovács, o Secretário de Estado de Diplomacia Pública e Relações.

“As medidas introduzidas no interesse de proteger a fronteira continuam a ser necessárias; É graças a isso que o número de migrantes que entram ilegalmente na Hungria caiu drasticamente”.

Contra o Globalismo

No entanto, como tem sido reforçada de forma constante, a migração ilegal diminuiu para um gotejamento – desencadeando a ira de ativistas das fronteiras abertas como o bilionário George Soros e funcionários globalistas da União Européia e das Nações Unidas.

Por exemplo, o chefe da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, visitou a fronteira e reclamou:

“Quando eu estava de pé na cerca da fronteira hoje, senti que todo o sistema foi projetado para manter as pessoas, muitas das quais estão fugindo da guerra e da perseguição, fora do país”.

Em resposta o assessor de segurança, György Bakondi disse “As pessoas que atacam nossa cerca estão assumindo uma posição a favor de permitir que um grande número de pessoas entre no país sem qualquer tipo de controle”.

Polônia e Hungria mantêm-se firmes contra a nova Lei de imigração da UE. Ambos recusaram-se em aceitar suas “cotas” imigratórias.




Fonte:conservadorismodobrasil.com.br



Ultraconservadores do mundo, uni-vos!







por Ana Paula Henkel(*).



Acabo de descobrir pela imprensa que sou ultraconservadora. Extrema-direita conservadora fundamentalista com visões radicais contra minorias e direitos conquistados com muita luta contra o patriarcado. Meu crime: questionar a exibição de imagens pornográficas para crianças. Minha culpa, minha máxima culpa.

Quem é você, sua jogadora de vôlei, para dar palpite sobre arte? Bola fora! Gente ultraconservadora como você deve ser apedrejada na rua em nome da tolerância! Ultraconservador nem gente é. Um outro mundo, sem esse pessoal preconceituoso, é possível. Depois do apedrejamento, é só abraçar uma árvore e seguir espalhando o amor.

Entendo os companheiros engajados e lacradores da imprensa e do ativismo bem patrocinado, especialmente quando o assunto envolve bancos tão generosos ao investir em, digamos, arte. Sim, já entendi que arte é o que disserem que é arte, mesmo que, aos meus olhos ultraconservadores, reacionários e caretas, pareça apenas pornografia barata.


Li por aí que há gays indignados com a associação tácita feita pelos defensores do banco, remunerados ou não, entre homossexualismo e a polêmica sobre as imagens explícitas mostradas numa exposição direcionada para crianças. Seriam homossexuais ultraconservadores e homofóbicos? Gay que não pensa como autorizado pela cartilha progressista é muita autonomia e liberdade, onde vamos parar?

Os especialistas consultados nas reportagens dizem que liberal é aquele que libera geral e pronto. É proibido proibir e infância é uma mera construção social, é você quem decide qual é a sua idade. A ideologia de data de nascimento chegou para ficar e precisamos lutar contra o preconceito. Se uma criança de quatro anos se identifica como um adulto de trinta e quiser ver pornografia, quem é você, seu ultraconservador, para se meter?

Em tempos de pós-verdade, os torquemadas das redações julgaram, num rito sumário e sem direito de defesa, que retrógrados medievais como eu não precisam ter liberdade de expressão e nem podem participar do debate público. A mesma liberdade que defendem para a exposição negam a mim, mas quem disse que direitos iguais incluem ultraconservadores?

Fomos chamados de censores quando apoiamos um boicote. Fomos criticados por sermos contra nudez nas artes quando combatíamos a exibição de conteúdo impróprio sem classificação indicativa. Vale tudo pelo lacre e os fatos não podem atrapalhar a narrativa.

Como sou um caso perdido, talvez minha saída seja fundar um movimento ultraconservador e assumir meu lado de defensora das trevas de vez. Meu radicalismo de direita deve ser influência da Califórnia, onde moro há alguns anos, um enclave de fundamentalistas religiosos que queimam hereges nas ruas. Neste domingo, quando os californianos ultraconservadores do Red Hot Chili Peppers tocarem no Rock in Rio, lembrem de mim e rezem pela minha alma.

Jacobinos, pioneiros na defesa da tolerância, diziam que o homem só seria livre quando o último rei fosse enforcado com as tripas do último padre. Cabeças rolaram, outros jacobinos vieram, mas os ultraconservadores extremistas e radicais continuam por aí dizendo que crianças não devem, sob qualquer pretexto, serem expostas a imagens de sexo explícito. Novas guilhotinas já foram encomendadas.

O assassinato de reputações continua, assim como a motivação dos ultraconservadores de impedir o futuro progressista em que as crianças saiam das garras dos pais e possam ser educadas pelo Estado sem interferência da família. O socialismo agora começa com a socialização dos nossos filhos.

O pacote progressista inclui a renúncia fiscal para que curadores, sem trocadilhos por favor, decidam a idade com que seus filhos devam ser iniciados nestas, digamos, artes. E se você reclamar, já sabe: ultraconservador!






(*)https://twitter.com/AnaPaulaVolei - @AnaPaulaVolei
Brazilian pro-volleyball player, 4 @Olympics,Olympic Medalist, 2 Time World Champion.Architect-to-be @UCLA.Conservative, sports fanatic. Apaixonada pelo Brasil.


Fonte: Blogs Estadão (politica.estadao.com.br)

segunda-feira, setembro 18, 2017

Até onde a imprensa vai para atacar um desafeto como Bolsonaro?








por Lucas Berlanza (*).




Por esses dias, tivemos acesso a um artigo publicado no The New York Timescom o título The End of the Left and the Right as We Knew Them. A tese principal do autor, o jornalista e acadêmico “liberal” (da esquerda americana) Thomas Edsall, é de que as divisões políticas tradicionais seriam insuficientes para dar conta do quadro contemporâneo, em que as principais divisões se centrariam, grosso modo, em uma espécie de nacionalismo de modos tradicionais, nalguns países majoritariamente rural, presa de um populismo avesso ao cosmopolitismo; e uma esquerda “bem-formada, educada, instruída e prafrentex”, aberta a abraçar todo tipo de causa nomeadamente progressista.

A despeito de todos os preconceitos (no sentido mais negativo do termo), da ausência mal-intencionada de nuances e do proporcional excesso de simplificações, o texto de Edsall sugere um ponto digno de reflexão: o descolamento de uma certa elite intelectual (e mesmo econômica) dos sentimentos e referenciais simbólicos, culturais e políticos da população em geral, algo que assumiu contornos de ampla alienação. Tal descolamento levou ao horror e à surpresa, por exemplo, diante da eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos – mas não sem antes um dos principais canais de veiculação das agendas dessa “elite”, a grande imprensa, disseminar uma série de “notícias” de toda sorte distorcendo, exagerando ou por vezes até inventando afirmações falsas sobre o presidente.

O mal das fake News não se limita aos Estados Unidos. Pense-se o que se queira a respeito de lideranças como Trump, a imprensa pode ser tão ou mais perigosa quanto um político à testa do Estado a partir do momento em que consideramos sua prerrogativa forjar historietas para difamar seus desafetos. Antes que certas imaginações afetadas pelas mesmas sensibilidades idiossincráticas alastradas em meio a essa “elite intelectual-econômica” nos acusem de estímulo à censura, como a histeria as tem levado a fazer em relação a certos episódios, estamos apenas apontando um fato preocupante. Considerando que para muitos, embora felizmente cada vez menos numerosos, a grande imprensa ainda detém o poder de estabelecer a verdade, e mesmo nós, pessoalmente, na pressa, já incorremos em nossos enganos graças a ela, é uma realidade gravíssima para a qual devemos estar atentos, também em nosso país.

Jair Bolsonaro, cotado para concorrer à presidência da República, esteve em Minas Gerais, onde, falando ao público, enfatizou suas conhecidas bandeiras, como o combate ao desarmamento, a “exploração das nossas riquezas” e o enfrentamento das hipocrisias dos militantes de entidades que se dizem defensoras dos “direitos humanos”. A imprensa repercutiu a sua presença por lá, mas da pior maneira possível: distorcendo e descontextualizando o que disse. Como infelizmente temos que ser muito pedagógicos e redundantes nos dias que correm, insistimos: fosse Bolsonaro, Caiado, Doria ou até mesmo o Lula o personagem envolvido, por menos apreciado ou respeitável aos nossos olhos, precisamos reagir ao embuste. Neste caso, os canais e páginas liberais e conservadores, dentro de suas possibilidades, têm o dever de retificar o que é espalhado por essas redações onde escasseia o caráter, se quiserem dar testemunho de seus valores.

O Globo, o Yahoo, o Hoje em Dia, o Estado de Minas e, obviamente, o Brasil 247, para ficar nos exemplos que encontramos até o momento, reproduziram como notícia uma declaração de Bolsonaro dando conta de que ele prometeu aos mineiros a patética e surreal medida de criar uma abertura do estado para o mar. “Vamos explorar nossas riquezas, quem sabe até abrindo uma saída pro mar para Minas Gerais. Nós vamos satisfazer o desejo do mar de ganhar Minas, podem ter certeza disso”, teria dito o parlamentar.

Realmente, Jair Bolsonaro disse essas palavras. Porém, como poderá constatar quem assistir ao vídeo (logo abaixo), aguardou as gargalhadas para complementar “brincadeiras à parte”. Ninguém que assista a esse registro dos fatos poderá testemunhar que Bolsonaro falava sério, a não ser que: 

1) tenha seríssimas deficiências cognitivas e desconheça o conceito de “piada”; ou 
2) seja desonesto.





Nota do Blogando Francamente:
Marco Antonio Villa, o professor, comentarista da Jovem Pan (junto com Joseval Peixoto) tomaram a "fake news" da saída para o mar como verdadeira, sem evidentemente terem visto o vídeo, baseando-se em noticia do Globo ou agindo de má fé.


É estarrecedor que tantos jornalistas, de veículos diferentes, tenham compartilhado uma interpretação tão primariamente equivocada; o automatismo na pretensão de ridicularizar uma figura indesejável se sobrepôs, sem a menor ética, à preocupação com averiguar os acontecimentos – ou, no caso de quem esteve efetivamente no local e veiculou a informação, ficou claro que temos muitos repórteres enquadrados nos dois problemas acima mencionados, no mínimo danosos ao ofício.

Apesar da persistência nas mentiras por parte da imprensa ser uma seríssima constatação, na experiência americana, isso acabou fortalecendo o seu alvo. Essa consequência provou que os “toscos e caipiras” aos quais sub-repticiamente se refere a análise de Edsall estão, em significativa parcela, cansados dessa fina elegância revestindo as mentiras mais sórdidas. Edsall encerrou seu artigo como que dizendo que a esquerda precisa aprender a falar um tanto mais a esse “povão” para voltar a ganhar espaço – ou seja, basicamente lhe deu um conselho. Achamos que seria decente acrescentar que essa “esquerda iluminada” nas redações de jornal deveria simplesmente parar de mentir, principalmente porque, hoje em dia, não é mais tão difícil apanhá-la em suas travessuras.


(*)Lucas Berlanza - Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Berlanza é carioca, editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.

Fonte: institutoliberal.org.br

domingo, setembro 17, 2017

Projeto da ONU promove feminização de homens no Brasil






por Natal Falbo.



O projeto Homens Tambem Cuidam promovido pela ONU através do Fundo de População das Nações Unidas em parceria com o Instituto Papai tem como intuito a reeducação de meninos.


Segundo a postagem da própria UNFPA Brasil em postagem no Facebook “O processo de educação dos meninos com reações de agressividade, sob o argumento de que “isso é para ele aprender a ser homem” pode promover estilos de vida violentos e autodestrutivos.“



O material em forma de livreto é de fato um propulsor da engenharia social globalista, na página 5, consta ” […] enquanto os homens seriam os guardiões da honra e da ordem no lar. Isso mudou! Hoje, a família é considerada um grupo de pessoas unidas por laços de afeto e de cuidado mútuo.“

O primeiro elemento a ser desconstruído é a figura masculina do guardião da honra e da ordem do lar. O segundo é a instituição familiar que passa a ser considerada como um grupo, ou seja, um aglomerado de pessoas.
Em seguida é exposto uma argumentação básica para conduzir o leitor a uma reflexão sobre a reedução masculina.



Note o grifo das setas em vermelho na imagem, “Homem e mulher NÃO são sexos opostos“, “As mulheres são educadas para cuidar mais dos outros e menos de si“, “É preciso rever a educação e socialização dos meninos“. Estes três pontos chaves mesclam-se com os demais, apresentados logo a baixo.

O importante a ser ressaltado é que todo processo de engenharia social procura mesclar conceitos desconstrucionistas a outros. Por exemplo, temos três conceitos reais como “Cuidar também faz bem à saúde”, “Gravidez é assunto de homem também”, “Pai não é visita”. Desta forma o mediador tem maior facilidade para remodelar o pensamento de quem é alvo do experimento. Um conceito novo sempre será apresentado junto a um elemento antropológico. O intuito é promover uma mudança silenciosa, porem permanente.

O descontrutivismo é aplicado assimetricamente dentro de cada quadrante. Observe a problematização no “Cuidar também faz bem à saúde de quem cuida”, “[…] a exigência da cultura machista se processa em duas direções: exige-se da mulher um ótimo desempenho no plano afetivo – “amor de mãe” ou “instinto maternal” – e, do homem, cobra-se principalmente a responsabilidade financeira – “não deve deixar faltar nada em casa”. Aos homens não cabe apenas a garantia de sustento da família. Homens também cuidam!”.


1º aspecto é massificar a ideia de que o homem é machista.

2º aspecto é dualizar a visão do homem machista: a mulher é a cuidadora e o homem é o provedor.


Essas preposições são usadas para que o leitor tenha experiência de que o sentido natural da feminilidade maternal é fruto do machismo enquanto o próprio homem torna-se uma vítima. condenado a ser o provedor.

Todo o material foi produzido para quebrar laços antropológicos e instaurar uma nova cadeia de valores.

No fim é apresentado uma síntese de tudo, na cartilha, apontado como “Outros pontos de vista sobre o cuidar”.
O Instituto Papai - É uma instituição mantida com apoio de ONGs globalistas, tais quais:
  • OAK Foundation 
  • Fundação Bernard Van Leer 
  • Fundação Ford 
  • MenEngage Alliance
Além de órgãos oficiais:
  • Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministerio da Saúde/ Governo Federal 
  • FACEPE – Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia de Pernambuco 
  • Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA – ONU) 
  • OPAS – Organização Panamericana da Saúde 
  • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 
  • Conselho Regional de Psicologia (CRP 02) 
  • Conselho Federal de Psicologia (CFP)
O instituto de cunho político, feminista, LGBT e educacional têm como missão a reeducação masculina. Uma educação feminista para homens.


Em outro projeto chamado ‘HOMENS, SAÚDE E VIOLÊNCIA DE GÊNERO‘ (2013) identifica o homem como parte de um modelo machista e patriarcal que mantém a desigualdade entre homens e mulheres, por conseguinte, o homem é o protagonista mor da violência contra a mulher e com saúde debilitada.
“O modelo cultural machista e patriarcal tem levado à manutenção da desigualdade de poder na relação entre homens e outros homens e entre homens e mulheres. Esse modelo se reflete nos dados estatísticos de violência, em especial a violência dos homens contra as mulheres, sobretudo no Brasil, leva-os a viverem menos que as mulheres, fazendo-os adoecerem ou morrerem, especialmente por “causas externas” (que incluem a violência, acidentes de trânsito, entre outros) e não apenas por câncer de próstata ou de pênis.” (Instituto Papai – Homens, Saúde e Violência de Gênero, 2013).


O Instituto também mantém as parcerias:
  • Gema/UFPE: Núcleo de Pesquisas em Gênero e Masculinidades tem por objetivo desenvolver ensino, pesquisa e extensão universitária, a partir do enfoque feminista de gênero. 
  • ABONG: A Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais. 
  • Fórum de Mulheres de Pernambuco: Articulação de extrema esquerda feminista de âmbito estadual. 
  • Fórum LGBT-PE: Fundado em Recife em abril de 2004, é uma articulação política dos movimentos sociais. 
  • Articulação Aids de Pernambuco: primeiro fórum de articulação política do movimento de luta contra a AIDS no Brasil. 
  • Rede Nacional Primeira Infância: articulação nacional de organizações da sociedade civil, pela promoção e garantia dos direitos da Primeira Infância. 
  • Men Engage: Aliança global formada por redes e instituições de diferentes países nas cinco regiões do mundo que trabalham coletivamente para o avanço da justiça de gênero. 
  • RHEGA: Rede que congrega um conjunto de organizações da sociedade civil que atuam na promoção dos direitos humanos, com vistas a uma sociedade mais justa com equidade de direitos entre homens e mulheres.
Fonte: Conservadorismodobrasil.com.br

                 
                 A Meninização e Feminilização do Homem Cristão

sexta-feira, setembro 15, 2017

Nos cinemas: as impactantes conclusões da pesquisa de Lee Strobel sobre a vida de Jesus Cristo



por Rodney Eloy(*).




Para salvar seu casamento, um ateu tenta provar se Cristo realmente era o filho de Deus na adaptação cinematográfica do bestseller “Em Defesa de Cristo” (1998). O drama cristão está enviando ondas de choque religiosas em toda parte. Mas qual é a verdadeira história por trás do filme “Em Defesa de Cristo”que estreia hoje, 14 de setembro, no Brasil? Vamos investigar.

Vale citar o parecer do Arcebispo de Washington, Donald William Wuerl: “Em Defesa de Cristo nos convida e nos envolve através de uma experiência intelectual e uma jornada de fé. Começa com a esperança de refutar a história de Jesus, a Cruz e a Ressurreição, e termina apenas por encontrar o poder redentor do amor de Deus”.

Lee Patrick Strobel, formado em jornalismo pela Universidade de Missouri e mestre em Direito pela Universidade de Yale, foi jornalista investigativo premiado e editor do Chicago Tribune. Ateu militante, Strobel aplica suas habilidades jornalísticas e jurídicas para tentar refutar a nova fé cristã de sua esposa, Leslie, causa de problemas em seu casamento, à medida que Leslie se move cada vez mais para uma vida cristã. O relacionamento dos dois, outrora forte, enfrenta grandes obstáculos devido ao ressentimento de Lee diante da fé de Leslie. Ele passa a ver Jesus Cristo como “o outro homem” da relação, e com isso descreve o momento tumultuado que enfrenta. No entanto, perseguindo a maior história da sua carreira, ele se defronta com resultados inesperados que podem mudar o que ele acreditava ser a verdade. E a jornada investigativa de Strobel termina por alterar os rumos da sua vida. Depois de completar uma pesquisa minuciosa após quase dois anos, ele encontra as evidências históricas de Jesus, e então encontra a fé em Cristo.

“Passei toda a minha carreira como jornalista, descobrindo a verdade, até o dia em que minha esposa me apresentou a maior história da minha vida”, explicou Strobel, que também é o produtor do filme.

“Em Defesa de Cristo” (The Case for Christ, 2017), é dirigido por Jon Gunn. Mike Vogel (“Under the Dome”) interpreta Strobel e Erika Christensen (“Parenthood”) como Leslie. Faye Dunaway, vencedora do Oscar, interpreta uma psicóloga que Strobel visita durante sua investigação.



Conhecendo um pouco da obra que deu origem ao filme
“Lee Strobel faz perguntas que um cético ferrenho faria e oferece respostas convincentes a todas elas. Todo pesquisador deve ter e estudar este livro.” Phillip E. Johnson (Escritor e Professor de Direito da Universidade da Califórnia)

O autor rejeita respostas forjadas ou simplistas e apresenta apresenta o testemunho de dezenas de especialistas dentre os mais conceituados do mundo, onde analisa as seguintes evidências:

– Históricas: Temos documentos confiáveis sobre a vida, os ensinos e a ressurreição de Cristo?

– Científicas: Existe fundamentação arqueológica para os relatos sobre Cristo? Ele operou milagres?

– Psiquiátricas: Cristo realmente afirmou ser Deus? Qual a prova de que ele se enquadra no perfil de Deus?

– Digitais: O que a profecia bíblica tem a dizer a respeito de Cristo?

– E outras: A morte de Cristo, o corpo não encontrado, os relatos de testemunhas oculares sobre encontros com ele.

Sumário:

Introdução: Reabrindo a investigação de toda uma vida

Parte 1: Analisando os dados

1 – As provas das testemunhas oculares. Pode-se confiar nas biografias de Jesus? com o Dr. Craig Blomberg

2 – Avaliando o testemunho ocular: As biografias de Jesus resistem à investigação minuciosa? com o Dr. Craig Blomberg

3 – A prova documental: as biografias de Jesus foram preservadas de modo confiável? com o Dr. Bruce Metzger

4 – A prova corroborativa: Existem evidências confiáveis a favor de Jesus além de suas biografias? com o Dr. Edwin Yamauchi

5 – A prova científica: a arqueologia confirma ou contradiz as biografias de Jesus? com o Dr. John McRay

6 – A prova da contestação: O Jesus da História é o mesmo Jesus da fé? com o Dr. Gregory Boyd

Parte 2: Analisando Jesus

7 – A prova de Identidade: Jesus estava realmente convicto de que era o Filho de Deus? com o Dr. Ben Witherington

8 – A prova psicológica: Jesus estava louco quando afirmou ser o Filho de Deus? com o Dr. Gary Collins

9 – A prova do perfil: Jesus apresentou os atributos de Deus? com o Dr. D. A. Carson

10 – Prova das impressões digitais: Jesus – e só ele – enquadra-se no perfil de Messias? com Louis Lapides, Th.M.

Parte 3: Pesquisando a ressurreição

11- A prova Médica: A morte de Jesus foi uma fraude e sua ressurreição, um logro? com o Dr. Alexander Metherell

12 – A prova do corpo desaparecido: o corpo de Jesus realmente desapareceu do túmulo? com o Dr. William Lane Craig

13 – A prova das aparições: Jesus foi visto vivo depois de sua morte na cruz? com o Dr. Gary Habermas

14 – A prova circunstancial: existem fatos secundários que apontam para a ressurreição? com o Dr. J. P. Moreland

Conclusão: O veredicto da História : O que as provas indicam – e o que elas significam hoje?

Referência:
Strobel, Lee. Em Defesa de Cristo: um jornalista ex-ateu investiga as provas da existência de Cristo. São Paulo: Vida, 2017.

Fonte: Midiasemmascara.org(*)Rodney Eloy, bibliotecário, é colaborador do Mídia sem Máscara


quinta-feira, setembro 14, 2017

Boas notícias, meu povo feio: agora somos todos pós-bonitos






por Ricardo Bordin(*).





Eleger determinados extratos sociais supostamente desfavorecidos, sob um ponto de vista qualquer; apontar certos grupos de indivíduos como detentores de privilégios e responsáveis pelo sofrimento dos primeiros; gerar, desta forma, conflito e instabilidade no seio da sociedade; oferecer-se como mediador e defensor dos fracos e oprimidos; alegar que necessita, para realizar tão nobre missão igualitarista, concentrar muito poder e recursos financeiros extraídos do setor produtivo em suas mãos; usar tais prerrogativas para criar regramentos esquizofrênicos e implantar tributações que tornam o ambiente de negócios extramente viciado – no sentido de favorecer empresários com “boas relações” e impossibilitar que a concorrência lhes ameace.

Esta tática de Divide et Impera, isto é, Dividir e Conquistar, é tão antiga quanto o império romano, mas nunca sai de moda. Há sempre o embate da vez fomentado por aqueles que veem nas massas de manobra – aquelas pessoas que se deixam levar por uma onda filosófica qualquer sem se dar ao trabalho de investigar suas origens, agindo por impulso revolucionário e alienando sua própria consciência – os instrumentos necessários à legitimação de suas odiosas pretensões disfarçadas de “progressismo”.

Nesta esteira, nos acostumamos a ver operários sendo atiçados contra patrões, negros contra brancos, esposas contra maridos, homossexuais contra heterossexuais, dentre tantas outras dicotomias artificialmente criadas entre povo e contra-povo, como bem definiu Gloria Álvarez em sua obra sobre o populismo bolivariano.

Mas tudo tem limite: opor pessoas feias e bonitas já é apelar demais – para não dizer que é hilário, com todo respeito aos “prejudicados no quesito face”, como dizia um amigo. Bem-vindos todos a era da pós-beleza, tema deste “trabalho” de publicidade produzido por um blog do UOL:



Este freak show exibido pelo UOL nada mais é do que outro desdobramento da deturpação de valores característica desta geração de seres humanos mimados pelo conforto advindo do capitalismo.
No mesmo blog, aliás, é possível deparar-se até mesmo com vitimização de pedófilos.

Observem a que ponto chega o relativismo de concepções, o desprezo pela realidade material: não há mais certo ou errado, melhor ou pior, e nem mesmo bonito ou feio – a menos que a ordem para enxergar beleza em alguma coisa tenha partido de pessoas “preocupadas com a diversidade”, claro: daí pode ser o cão chupando manga que vira lindo de morrer do dia para a noite.

Os entrevistados deixam clara sua preocupação em serem “diferentes”, ou então “meio errados”, como afirma um deles. Quase todos (com exceção da linda moça “reaça”) demonstram orgulho de dizer que “não estão nem aí para os outros”, mas gastam horas e horas na frente do espelho para, justamente, deixar o seu visual o mais estranho possível. Eis aí a demonstração prática da ideia de Supervalorização da Racionalidade nas Escolhas formulada por Theodore Dalrymple:

Não causa surpresa, pois, que as pessoas concluam que um costume qualquer não deveria ser ridicularizado ou descartado em razão de sua conteúdo particular, mas simplesmente por ser um costume e, portanto, deletério – ex officio, por assim dizer. Essa conclusão seria em muito fortalecida pelo elogio contemporâneo à originalidade, ou seja, aos esforços de uma pessoa meramente para se fazer diferente – não para ser melhor em algo, mas apenas para ser diferente. Aqui, de forma muito clara, temos um preconceito contra o preconceito.

Vale dizer: o conceito de clássico resta totalmente invertido, na medida em que deixa de ser aquilo que sobreviveu ao teste do tempo e foi aprovado e transmitido adiante por muitas gerações como algo a princípio bom, para passar a ser algo que merece ser desmoralizado pelo simples fato de ter sido herdado de nossos ancestrais – ainda que tal tradição se mostre benéfica. A verdade, neste contexto, passa a ser também apenas uma questão de ponto de vista – ótimo para defensores de ideologias que não deram certo uma única mísera vez na história.

Roger Scruton, em sua obra Por que a Beleza Importa, argumenta que a beleza não é apenas uma questão de gosto puramente subjetivo, mas algo que dá sentido à vida, que nos conduz momentaneamente a planos morais e espirituais superiores:

“Em qualquer época entre 1750 e 1930, se você pedisse às pessoas cultas para descrever o objetivo da poesia, da arte ou da música, elas teriam respondido: a Beleza. E se você perguntasse pela razão disso, você aprenderia que a Beleza é um valor, tão importante quanto a Verdade e o Bem. Depois, no século XX, a beleza deixou de ser importante. A arte, cada vez mais, concentrou-se em perturbar e em quebrar tabus morais. Não era a beleza, mas a originalidade, conseguida por qualquer meio e a qualquer custo moral, que ganhava os prêmios.

Não apenas a arte fez um culto à feiura; a arquitetura também se tornou desalmada e estéril. E não foi somente o nosso ambiente físico que se tornou feio. Nossa linguagem, nossa música e nossas maneiras estão cada vez mais rudes, egoístas e ofensivas; como se a beleza e o bom gosto não tivessem nenhum lugar real em nossas vidas. […] Eu acho que nós estamos perdendo a beleza e há um risco de que, com isso, nós percamos o sentido da vida.”

Edmund Burke, em Uma Investigação Sobre a Origem de Nossas Ideias do Sublime e do Belo, assim definiu a beleza:

Chamo a beleza de uma qualidade social, porque toda vez que a contemplação das mulheres e dos homens, e não somente deles, quando a visão de outros animais nos proporciona uma sensação de alegria e de prazer (e há muitos que causam este efeito), somos tomados de sentimentos de ternura e de afeição por suas pessoas, gostamos de tê-las ao nosso lado e iniciamos de bom grado uma espécie de intimidade com elas, a menos que tenhamos fortes motivos para o contrário.

Mas tudo isso, aparentemente, virou démodé. O lance agora é chocar, é surpreender, é aplicar um susto – e olha que neste comercial do UOL eu levei alguns, viu? No episódio recente da exposição profana, pedófila, zoófila e de péssimo gosto organizada pelo Santander e bancada com dinheiro do pagador de impostos ( cuja resolução se deu sem demandar interferência estatal ou envolver episódios de violência, ensinando aos “antifascistas” como resolver as coisas feito adulto), alguns pândegos alegaram que “a arte sempre foi ofensiva”, como se artistas tivessem salvo conduto para incorrer em crimes em sua sanha de subverter a expectativa do interlocutor.


Sou bem mais a arte da minha sogra: ela não quer chocar os clientes que compram seus quadros, mas tão somente agradar suas vistas, provocar sentimentos positivos e acalmar-lhes a alma. E o resultado é de tirar o fôlego:










Este freak show exibido pelo UOL nada mais é do que outro desdobramento da deturpação de valores característica desta geração de seres humanos mimados pelo conforto advindo do capitalismo: o que representa a insignificante realidade diante da premente necessidade de ter os desejos atendidos? Se você nasceu ou é feio, portanto, basta exigir que lhe reconheçam como pós-bonito, e pronto – mesmo vivendo em uma época na qual tratamentos estéticos e de condicionamento físico são acessíveis a todos como nunca foram.

No mesmo blog, aliás, é possível deparar-se até mesmo com vitimização de pedófilos. Uma rápida pesquisa deixa claro o porquê desta orientação revolucionária ser tão presente no referido espaço virtual: o Universo Online faz parte do Grupo Folha, dono do jornal de mesmo nome que adora retratar policiais como bandidos, dentre outras presepadas típicas da esquerda pós-revolução cultural de 1968.

E agora? Vamos mandar queimar todas as cópias do best seller A Vida Sexual da Mulher Feia? Vamos retirar vídeos do cantor Falcão do Youtube? Que o façam, mas deixem pelo menos este aqui, como lembrança de uma época em que era sinal de bem-aventurança saber rir de si próprio:




quarta-feira, setembro 13, 2017

Atacar o luxo é atacar o futuro padrão de vida dos mais pobres




por Ludwig von Mises(*).



Loja Louis Vuitton Las Vegas


Sob o capitalismo, o luxo de hoje é a necessidade de amanhã.

Um dos efeitos benéficos da desigualdade da riqueza existente em nossa ordem social é que ela estimula vários indivíduos a produzirem ao máximo que consigam para tentar ascender ao padrão de vida dos mais ricos. Essa foi uma das principais forças-motrizes que fez com que a humanidade enriquecesse.

O nosso nível atual de riqueza não é um fenômeno natural ou tecnológico, independente de todas as condições sociais; é, em sua totalidade, o resultado de nossas instituições sociais. Pelo fato de a desigualdade da riqueza ser permitida em nossa ordem social, pelo fato de ela estimular a que todos produzam o máximo, é que a humanidade hoje conta com toda a riqueza anual de que dispõe para consumo. 

Fosse tal incentivo destruído, fosse a desigualdade de renda abolida, a produtividade seria de tal forma reduzida, que a fatia de riqueza média recebida por cada indivíduo seria bem menor do que aquilo que hoje recebe mesmo o mais pobre. 

A desigualdade da distribuição da renda, contudo, tem ainda uma segunda função tão importante quanto: torna possível o luxo dos ricos. 

Muitas bobagens têm sido ditas e escritas sobre o luxo. Contra o consumo dos bens de luxo tem sido posta a objeção de que é injusto que alguns gozem da enorme abundância, enquanto outros estão na penúria. Este argumento parece ter algum mérito. Mas apenas aparenta tê-lo. Pois, se demonstrarmos que o consumo de bens de luxo executa uma função útil no sistema de cooperação social, este argumento será, então, invalidado. É isto, portanto, o que procuraremos demonstrar. 

Em primeiro lugar, a defesa do consumo de luxo não deve ser feita com o argumento de que esse tipo de consumo distribui dinheiro entre as pessoas. Segundo esse argumento, se os ricos não se permitissem usufruir do luxo, o pobre não teria renda. Isto é uma bobagem, pois se não houvesse o consumo de bens de luxo, o capital e o trabalho neles empregados seriam aplicados à produção de outros bens: artigos de consumo de massa, artigos necessários, e não "supérfluos". 

Portanto, para formar um conceito correto do significado social do consumo de luxo é necessário, acima de tudo, compreender que o conceito de luxo é inteiramente relativo. 

Luxo consiste em um modo de vida de alguém que se coloca em total contraste com o da grande massa de seus contemporâneos. O conceito de luxo é, por conseguinte, essencialmente histórico. 

Muitas das coisas que nos parecem constituir necessidades hoje em dia foram, em algum momento do passado, consideradas coisas de luxo. Quando, na Idade Média, uma senhora da aristocracia bizantina, casada com um doge veneziano, em vez de utilizar seus próprios dedos para se alimentar, fazia uso de um objeto de ouro que poderia ser considerado um precursor do garfo, os venezianos o considerariam um luxo ímpio, e considerariam muito justo se essa senhora fosse acometida de uma terrível doença. Isto seria, assim supunham, uma punição bem merecida, vinda de Deus, por esta extravagância antinatural. 

Em meados do século XIX, considerava-se um luxo ter um banheiro dentro de casa, mesmo na Inglaterra. Hoje, a casa de todo trabalhador inglês, do melhor tipo, contém um. Ao final do século XIX, não havia automóveis; no início do século XX, a posse de um desses veículos era sinal de um modo de vida particularmente luxuoso. Hoje, até um operário possui o seu. Este é o curso da história econômica. 

O luxo de hoje é a necessidade de amanhã. Cada avanço, primeiro, surge como um luxo de poucos ricos, para, daí a pouco, tornar-se uma necessidade por todos julgada indispensável. O consumo de luxo dá à indústria o estímulo para descobrir e introduzir novas coisas. É um dos fatores dinâmicos da nossa economia. A ele devemos as progressivas inovações, por meio das quais o padrão de vida de todos os estratos da população se tem elevado gradativamente. 

Ainda no final do século XIX, Jean-Gabriel de Tarde (1843-1904), o grande sociólogo francês, abordou o problema da popularização dos itens de luxo. Uma inovação industrial, disse ele, adentra o mercado para atender exclusivamente às extravagâncias de uma pequena elite; porém, com tempo, passo a passo, tal produto finalmente vai se tornando uma necessidade até que, no final, se torna um item massificado e indispensável para todos. Aquilo que antes era apenas um bem supérfluo de luxo passa a ser, com o tempo, uma necessidade.

A história da tecnologia e do comércio fornece inúmeros exemplos que confirmam a tese de Tarde. No passado, havia um considerável intervalo de tempo entre o surgimento de algo até então completamente desconhecido e sua popularização no uso cotidiano. Algumas vezes, passavam-se vários séculos até que uma inovação se tornasse amplamente aceita por todos — ao menos dentro da órbita da civilização ocidental. Pense na lenta popularização do uso de garfos, sabonetes, lenços, papeis higiênicos e inúmeras outras variedades de coisas.

Desde seus primórdios, o capitalismo demonstrou uma tendência de ir encurtando esse intervalo de tempo, até ele finalmente ser eliminado quase que por completo. Tal fenômeno não é uma característica meramente acidental da produção capitalista; trata-se de algo inerente à sua própria natureza. A essência do capitalismo é a produção em larga escala para a satisfação dos desejos das massas. Sua característica distintiva é a produção em massa feita pelas grandes empresas. 

Para o grande capital, não há a opção de produzir apenas quantias limitadas de bens que irão satisfazer apenas a uma pequena elite. Quanto maior uma empresa se torna, mais rapidamente e de maneira mais massificada ela possibilita às pessoas o acesso aos novos êxitos da tecnologia.

Séculos se passaram até que o garfo deixasse de ser um utensílio utilizado apenas por homens efeminados e se transformasse em um instrumento de uso universal. Antes visto meramente como um brinquedo de ricos ociosos, o automóvel levou mais de 20 anos para se tornar um meio de transporte utilizado universalmente. Já as meias de nylon, ao menos nos EUA, se transformaram em artigo de uso diário de todas as mulheres em pouco mais de dois ou três anos após sua invenção. 

E praticamente não houve nenhum período de tempo em que o usufruto de inovações como a televisão ou produtos da indústria de comida congelada fosse restrito a uma pequena minoria.

Os discípulos de Marx sempre se mostraram muito ávidos para descrever em seus livros os "inenarráveis horrores do capitalismo", os quais, como seu mestre havia prognosticado, resultam "de maneira tão inexorável como uma lei da natureza" no progressivo empobrecimento das "massas". O preconceito anticapitalista deles impedia que percebessem o fato de que o capitalismo tende, com o auxílio da produção em larga escala, a eliminar o notável contraste que há entre o modo de vida de uma elite afortunada e o modo de vida de todo o resto da população de um país.

A maioria de nós não tem qualquer simpatia pelo rico ocioso, que passa sua vida gozando os prazeres, sem ter trabalho algum. Mas até mesmo este cumpre uma função na vida do organismo social: dá um exemplo de luxo que faz despertar, na multidão, a consciência de novas necessidades, e dá à indústria um incentivo para satisfazê-las. 

Havia um tempo em que somente os ricos podiam se dar ao luxo de visitar países estrangeiros. O poeta Friedrich Schiller nunca viu as montanhas suíças que tornou célebres em sua peça William Tell, embora fizessem fronteira com sua terra natal, situada na Suábia. Goethe não conheceu Paris, nem Viena, nem Londres. 

Hoje, milhares de pessoas viajam por toda parte e, em breve, milhões farão o mesmo. 

O abismo que separava o homem que podia viajar de carruagem e o homem que ficava em casa porque não tinha o dinheiro para a passagem foi reduzido à diferença entre viajar de avião e viajar de ônibus.




Originalmente escrito no início da década de 1950.




(*)Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico. Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política. Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico. Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".


Fonte: mises.org