quinta-feira, agosto 17, 2017

Mutilação genital feminina e a loucura suicida do multiculturalismo






por Khadija Khan (*).




Os advogados de defesa de dois médicos de Michigan, naturais da Índia e uma de suas esposas, que foram indiciados pelo júri em 22 de abril e acusados de mutilar os órgãos genitais de duas meninas de sete anos, pretendem apresentar o argumento de liberdade religiosa na representação de seus clientes muçulmanos.

Os réus são membros da Dawoodi Bohra, uma seita islâmica de sua terra natal. Na esfera federal, sendo este o primeiro caso desde que a mutilação genital feminina (FGM em inglês) foi proibida em 1996, a defesa afirma que a prática é um ritual religioso e, portanto, deve ser protegido pela lei dos Estados Unidos.

A petição revela involuntariamente as falsas alegações feitas por proeminentes muçulmanos – como o estudioso/apresentador de TV iraniano/americano Reza Aslan e a ativista palestina/americana Linda Sarsour, que insistem que a FGM não é “uma prática islâmica”.

A mutilação genital feminina, também conhecida como circuncisão feminina, é o corte ou a remoção do clitóris e/ou da lábia, como forma de eliminar o desejo e o prazer sexual de uma menina, garantir que ela seja virgem até o casamento e permanecer fiel ao seu marido. De acordo com a Organização Mundial da Saúde:

A FGM não traz benefícios à saúde, além de causar danos às meninas e mulheres de diversas maneiras. A prática significa remover e lesar o saudável e normal tecido genital feminino, interferindo com as funções naturais dos corpos das meninas e das mulheres. De modo geral os riscos aumentam quanto maior for a severidade do procedimento.

Os procedimentos são realizados, na maioria das vezes, em meninas que estão entre a infância e a adolescência, ocasionalmente em mulheres adultas. Estima-se que haja mais de 3 milhões de meninas em risco de sofrerem a FGM por ano.

Mais de 200 milhões de meninas e mulheres vivas hoje foram mutiladas em 30 países da África, Oriente Médio e Ásia, onde se concentra a FGM.

O influxo de imigrantes e refugiados dessas regiões do planeta para países ocidentais teve como consequência um aumento dramático e perigoso da FGM na Europa, Grã-Bretanha e Estados Unidos. De acordo com as estatísticas do Serviço Nacional de Saúde, pelo menos uma menina a cada hora está sujeita a este procedimento agonizante somente no Reino Unido – e já faz quase 30 anos que a prática lá é ilegal.




Concomitantemente, um Relatório da Comissão Europeia revelou que cerca de 500 mil mulheres na Europa foram submetidas à FGM, muitas outras correm o risco de serem forçadas a se submeterem a ela. Na Alemanha, por exemplo, foi inaugurada uma clínica em 2013 para fornecer tratamento físico e psicológico às vítimas do procedimento, cerca de 50 mil mulheres passaram pelo procedimento, sendo cerca de 20 mil em Berlim. Chamado de Desert Flower Center, o empreendimento foi encabeçado e financiado pela supermodelo/atriz natural da Somália Waris Dirie, proeminente ativista anti-FGM.


Em 15 de maio, na esteira do caso dos médicos da FGM em Michigan, a Câmara dos Deputados de Minnesota e o Senado de Michigan aprovaram uma legislação que estenderá aos estados as leis federais anti-FGM existentes aos pais de meninas que foram sujeitas ao ritual. Afinal de contas, são as mães e os pais que forçam as filhas a se submeterem ao ritual – como no caso da autora somali, Ayaan Hirsi Ali, foi a sua avó.

Em uma entrevista concedida ao Evening Standard, do Reino Unido em 2013, Hirsi Ali – ex-muçulmana que renegou sua fé e se tornou uma crítica que não faz rodeios quando se trata do Islã e da Lei Islâmica (Sharia), principalmente quando afeta as mulheres – explicou porque tem sido tão difícil processar membros da família envolvidos na FGM:

“Passei por isso aos cinco anos de idade e 10 anos mais tarde, mesmo 20 anos mais tarde, eu não teria testemunhado contra meus pais”, ressaltou ela. “É uma questão psicológica. As pessoas que estão fazendo isso são pais, mães, avós, tias. Nenhuma menininha vai mandá-los para a prisão. Como viver com uma culpa dessas?”

O problema maior, no entanto – que deve ser abordado juntamente com a legislação – abrange o multiculturalismo ocidental que enlouqueceu. Tomemos por exemplo a decisão por parte da editora da coluna Ciência e Saúde, Celia Dugger do New York Times, em abril, de parar de usar o termo “mutilação genital feminina”, alegando que ele está “culturalmente carregado”.

“Há um abismo entre os defensores ocidentais (e alguns africanos) que fazem campanha contra a prática e as pessoas que seguem o rito, eu senti que o linguajar utilizado ampliou ainda mais esse abismo”, salientou ela.

A FGM não é um crime menos estarrecedor do que o estupro ou a escravidão, no entanto as autoproclamadas feministas no Ocidente – incluindo muçulmanas como Linda Sarsour e ativistas não muçulmanas se engajam em uma cruzada contra a “islamofobia” – silenciam quando se trata de práticas bárbaras ou negam sua conexão com o Islã. Será que elas também apoiam a escravidão, outra prática respaldada pelo Islã, ainda praticada hoje na Arábia Saudita, Líbia, Mauritânia e Sudão, bem como pelo Estado Islâmico e pelo Boko Haram?

É por isso que a legislação anti-FGM, por mais crucial que seja, é insuficiente. Chegou a hora de estar vigilante não só contra praticantes e pais, mas também para expor e desacreditar qualquer um que tente proteger essa brutalidade.



(*)Khadija Khan é jornalista e comentarista paquistanesa, atualmente radicada na Alemanha.

Publicado no site do Gatestone Institute – https://pt.gatestoneinstitute.org

Tradução: Joseph Skilnik

Fonte Midiasemmáscara.org

quarta-feira, agosto 16, 2017

O Direito e a mentalidade anticapitalista




por Laircia Vieira Lemos (*).






Ao ouvir interessantes observações feitas por Luiz Felipe Pondé, algumas me levaram a reflexão. Eu já havia observado parte delas. Como o fato de que os recentes movimentos liberais têm aberto portas àqueles acadêmicos com visões pró mercado.

Isso porque nunca, desde os tempos de ensino médio, que já sofre pesada influência do pensamento de esquerda, me identifiquei com a mentalidade anticapitalista. Logo, fui uma das pessoas diretamente afetadas pela falta de conhecimento com viés liberal em instituições de ensino. Isso porque não se podia mencionar determinadas ideias ou sequer desenvolvê-las se contrariasse essa mentalidade tão difundida. Razão pela qual me mantive como mera espectadora na escola e em boa parte da graduação.

O que me chamou atenção nas observações de Pondé foi a colocação sobre a influência da mentalidade estatista nos profissionais do Direito, sendo eu mesma uma. Ao escolher Direito, em meus ingênuos dezesseis anos, imaginei que iria estudar para entender como funciona a sociedade e qual a influência das leis e a necessidade delas sobre as pessoas. Apesar de ter um pai advogado e já saber que o curso não se tratava de apenas devorar e decorar legislações, não imaginei que fosse reduzido a perpetuação da mentalidade estatistas através da chamada Justiça Social.

Isso porque, ao longo dos semestres, cansei de ler autores em livros renomados e artigos acadêmicos que repetiam as mesmas ideias, sem inovações. A razão disso me incomodar é que eu já entendia que a função de um escritor seria a extensão do conhecimento. Ora, é normal que, ao ler um mesmo texto, parte dele chame mais a minha atenção e outra chame mais a atenção de outrem. O que vai levar cada um às próprias reflexões individuais sobre determinado ponto do texto.

Se eu ou a outra pessoa decidir escrever sobre tais reflexões próprias, estaríamos difundindo conhecimento na medida em que mostramos ao mundo uma visão distinta ou mesmo uma observação que ninguém antes havia notado. Assim, ao ver os mesmos dizeres com palavras distintas, me decepcionei com o curso. Não com o Direito em si. Porque em meu íntimo sabia que o Direito não se reduzia àquilo.

O fato é que, apesar de eu ter certa aversão à elitização da área jurídica, o pensamento de certos profissionais acarreta em efeitos duradouros na sociedade. Eis a importância da área. Esse é o caso, ao meu entender, da magistratura. Nobre e difícil profissão, que hoje é negligenciada por muitos que a exercem. Decisões pouco ou mal fundamentadas literalmente me embrulham o estômago. Isso porque se vê que não há paixão no seu exercício, mas sim interesse em seus rendimentos provenientes do Estado.

Todavia, igualmente horrendo são as fundamentações sem lógica em nome da aclamada Justiça Social. O que muito se vê na prática forense. O advogado sofre no seu dia-a-dia profissional em virtude dessa mentalidade. Sofre a burocracia, sofre o mal atendimento de servidores frustrados, ressalvadas exceções, sofre a lerdeza do Judiciário e, por fim, sofre as ideias estatais quando, finalmente, o juiz profere a sentença. Eu sinto isso, vejo meu pai sentir isso em nosso exercício profissional.

O pior de tudo é que é um sofrimento silencioso. Nós seguimos enfrentando a burocracia para alcançar o direito de clientes firmes, por não termos outra opção, seguimos ainda assim. Alguns se aproveitam da mentalidade no próprio exercício da advocacia ao defender direitos que resultam dessas ideias. É o caso de advogados de sindicatos. O que resulta bons rendimentos, por sinal.

Não os julgo. Em um país assim, qualquer um cansaria de nadar contra a maré, correndo risco alto de se afogar no percurso. Por enquanto, sigo nadando mesmo, provavelmente em virtude da paixão por minhas ideias liberais e por acreditar na verdadeira justiça. Essa é a razão pela qual não defenderei leis injustas apenas por ser a lei um dos meus importantes instrumentos de trabalho. Mas confesso, que ao ver o Judiciário vomitar decisões injustas em prol da mentalidade anticapitalista, muitas vezes com um fundo de verdadeira justiça, me sinto impotente. Só me resta balançar a cabeça e seguir na luta.

(*)Laírcia Vieira Lemos é advogada, pós-graduanda em Direito Processual Civil pela Universidade de Fortaleza, Coordenadora do grupo de estudos Clube Atlas.
Fonte - Institutoliberal.org.br

terça-feira, agosto 15, 2017

O Genocida e o Cruzado



por Roberto Lacerda (*), 




O maior herói da esquerda é um genocida, racista e estuprador, mas surge entre os Conservadores um Novo Cruzado, disposto a dar até a última gota de sangue para salvar o Brasil da onda comunista e islâmica.


Ernesto Guevara Lynch, vulgo Che Guevara, foi um revolucionário comunista argentino e esteve entre os dois responsáveis pela guerrilha que levou Cuba à ditadura comunista, que ainda perdura. Como métodos de conquista, manutenção e exercício do poder político em Cuba, Che Guevara, ou “O Porco”; como fora apelidado por passar semanas sem tomar banho e ainda sentir orgulho disso, recorreu a fuzilamentos em série, estupros, perseguição a gays e censura. O grande herói comunista, mas que não passa de um genocida.

A melhor foto de Guevara

Qualquer um que discordasse do regime era preso, torturado e/ou fuzilado. Os artistas foram proibidos de produzir quaisquer obras que não estivessem alinhadas ou não enaltecessem a revolução. Junto a Fidel Castro, perseguiu, prendeu e torturou o poeta cubano Reinaldo Arenas, autor de “Antes que anoiteça”. Tais experiências levaram Arenas ao suicídio.

Ao ser perguntado sobre o que faria pelos negros cubanos, em uma Rádio de Havana, após a Revolução Comunista em Cuba, respondeu: “O mesmo que fizeram pela revolução: nada”.

É a história de um estrangeiro que chega a um pais querendo molda-lo ao seu gosto, ao invés de respeitar as leis e cultura locais, ou retirar-se para outro que esteja dentro do que procura (como a China ou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a época).

Iskandar Elias Riachi (foto à direita), presidente da Liga Cristã Mundial, é um cristão libanês, que lutou ao lado de 50 homens contra as forças terroristas islâmicas no Líbano, para defender os cristãos da perseguição racista-islâmica, do extermínio pelos Jihadistas e seu próprio país das garra da Nova Ordem Mundial e da pseudo-religião de Maomé (Mohammad).

Veio ao Brasil com a família em 1990, aonde fez sua vida financeira e prosseguiu na familiar e religiosa. Constituiu a Liga Cristã Mundial em 2002, uma Associação Civil que vida defender o Brasil da ameaça da Islamizacão e combater as ideologias que apoiam esse projeto (Comunismo, Socialismo Globalismo, Fascismo, Nazismo etc) dentro e fora da Igreja.

Iskandar respeita os costumes e tradições do Brasil, reconhecendo que está é uma pátria batizada, cujo nome original é Terra de Santa Cruz. Segundo o mesmo, está ele disposto a “derramar até a ultima gota de sangue para defender este país”.

Enquanto, de um lado, o grande ídolo comunista/socialista não passou de um estuprador, genocida, racista e perseguidor de gays e desafetos, que sai de seu país para ajudar Fidel a implantar um dos regimes mais tirânicos da história em Cuba; do outro lado há Iskandar Elias Riachi, apelidado “o Último Cruzado” pelos próprios inimigos, um libanês, cristão, que está disposto a dar a própria vida em defesa da pátria que acolheu a ele e sua família.

Portanto, está na hora de jogarmos no lixo os falsos ídolos e seguirmos a liderança, o exemplo, e apoiar o trabalho daqueles que vieram para fazer o bem e lutar pelo que é certo.

Ao invés de amar a tiranicidas, como Che Guevara, “O Porco”, amemos aos melhores, olhemos para o alto e nos pautemos pelos bons exemplos, como de Iskandar Riachi, o Último Cruzado, ou estaremos sob constante ameaça de fazer do Brasil uma nova Cuba, porém muito mais cruel e sanguinária.

Fonte - Conservadorismodobrasil.com.br

segunda-feira, agosto 14, 2017

O Livro Negro da Esquerda Americana






por Everthon Garcia (*).

Capitão Fantástico’ é fábula familiar sobre a esquerda americana



Este artigo foi publicado no dia 13 de janeiro no WND. O autor, o general Ion Mihai Pacepa é o oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético. Seu novo livro, Disinformation, escrito em coautoria com o professor Ronald Rychlak, foi lançado em junho pelo WND Books.

O livro “The Black Book of the American Left: Collected Conservative Writings of David Horowitz” deve ser lido por todo cidadão americano que ama este país. A obra é um chacoalhão de alerta: os Estados Unidos estão sendo infectados pela peste bubônica do marxismo, que, no passado, contaminou o próprio autor do livro.

Na década de 1970, David Horowitz atingiu os mais altos cargos dos movimentos de esquerda americanos. Depois, acabou entendendo que o marxismo é uma mentira – o primeiro passo na direção do roubo e do assassinato – e desde então tem dedicado a vida para avisar que o marxismo está colocando em risco a liberdade e a democracia americanas. Uma pesquisa de opinião pública da Rasmussen Reports mostra que, realmente, hoje apenas 53% dos americanos preferem o capitalismo ao socialismo.

Um dos mais populares night clubs de Nova York é o KGB Bar, com temática soviética. O local, enfeitado com a bandeira soviética e com uma fotografia do “Camarada Lênin”, fica lotado por uma nova geração de escritores marxistas que leem os seus trabalhos. Poucas semanas atrás, esta enorme cidade elegeu, por maioria esmagadora (73% dos votos), um prefeito abertamente marxista, e o conselho de Seattle tem um novo membro que disse, com orgulho, ter usado “o emblema socialista com honra”. O Pravda, jornal pós-soviético da Rússia, que sabia que o socialismo era apenas uma máscara sorridente do marxismo, irritou-se: “Deve ficar claro que, como o rompimento de um grande dique, a enxurrada americana na direção do marxismo está ocorrendo com uma velocidade de tirar o fôlego, contra um pano de fundo de uma manada passiva e infeliz, desculpe, prezado leitor, quero dizer, o povo.”


Imagens do KGB bar


Os Estados Unidos ainda não perceberam realmente que o marxismo está infectando o país porque a grande mídia tem feito o possível para esconder esse truísmo e porque nem o Partido Republicano nem o Tea Party chamaram a atenção para os perigos do marxismo. A nossa mídia também está escondendo o fato de que a única coisa que o marxismo deixou atrás de si foi sempre países parecendo acampamentos de trailer devastados por furacões, e líderes marxistas ardendo no inferno de Dante – todos, sem exceção, de Trotsky a Stalin, de Khrushchev a Brezhnev, de Tito a Enver Hoxha, juntamente com Mátyás Rákosi, Sékou Touré, Julius Nyerere, Nicolae Ceausescu e Hugo Chávez.

David Horowitz nasceu numa família de marxistas confessos, tinha o marxismo no sangue e teve uma carreira de sucesso como ativista, escritor e jornalista marxista. Em 1974, alguns de seus camaradas marxistas – líderes dos Panteras Negras – assassinaram um guarda-livros recrutado por David para fazer a contabilidade de uma escola dos Panteras Negras a qual ajudara a fundar. Aquele crime horrível chocou David e o convenceu a abandonar a carreira de esquerdista de sucesso e passar para o outro lado da barricada política americana.

O David Horowitz Freedom Center e a FrontPage Magazine, criada por David em 1988, marcou o início da sua cruzada antimarxista, que jamais parou. O livro “The Professors: The 101 Most Dangerous Academics in America” (2006) e a Academic Bill of Rights (ABOR) foram outros marcos em sua vida: o início da sua ainda hoje vigorosa campanha contra a doutrinação marxista nas universidades americanas. (A bem da verdade: apesar de nunca ter encontrado pessoalmente com David, eu colaboro com a FrontPage Magazine e tenho repetidamente expressado minha admiração por seu rompimento com o marxismo. David também elogiou publicamente o meu rompimento com o comunismo.)

No prefácio de “The Black Book of the American Left”, o primeiro dos nove volumes de suas memórias, David Horowitz escreveu “para o bem ou para o mal, fui condenado a passar o resto dos meus dias” combatendo o marxismo “com o qual eu rompi por iniciativa própria”. Em maio de 1989, ele e outros dois proeminentes ex-marxistas, Ronald Radosh e Peter Collier, foram à Polônia participar de uma conferência sobre o fim do comunismo. Lá, David disse aos dissidentes poloneses: “Para mim, a tradição de minha família a respeito dos sonhos socialistas acabou. O socialismo não é mais um sonho de um futuro revolucionário. É apenas um pesadelo do passado. Mas, para vocês, o pesadelo não é um sonho. É uma realidade ainda em andamento. O meu sonho para o povo da Polônia socialista é que um dia vocês acordem do pesadelo e sejam livres.” Poucos meses depois, os diálogos entre o governo polonês e os líderes do Solidariedade levaram às primeiras eleições semi-livres do bloco soviético.

No dia 9 de novembro de 1989, quando vi pela televisão o Muro de Berlim sendo derrubado, os meus olhos lacrimejaram. Eu estava muito orgulhoso de ser cidadão americano. O mundo inteiro estava expressando a sua gratidão aos Estados Unidos por sua luta de 45 anos de Guerra Fria contra o mal soviético. “O comunismo morreu!”, ouvi as pessoas gritando. Realmente, o comunismo morreu como forma de governo. Mas logo ficou provado que o marxismo, cujo 141° aniversário acabara de ser celebrado, havia sobrevivido.

O filósofo francês Jacques Derrida, que disse ter rompido com o marxismo, mas que confessou que ainda é paralisado pela emoção ao ouvir a Internacional, nos lembra que o primeiro substantivo do Manifesto Comunista de Marx é espectro: “Um espectro ronda a Europa, o espectro do comunismo.” De acordo com Derrida, Marx começou o “Manifesto Comunista” com a palavra espectro porque um espectro nunca morre. David Horowitz concordou. “Após a morte de Stalin”, David escreve em suas memórias, os meus pais – cujas vidas foram dedicadas ao marxismo – compreenderam ter “servido a uma quadrilha de déspotas cínicos responsáveis por matar mais camponeses, causar mais fome e miséria humana, e assassinar mais esquerdistas como eles do que os governos capitalistas desde o início dos tempos… Eu tinha 17 anos na época, e no funeral da Velha Esquerda eu jurei a mim mesmo não repetir a sina dos meus pais… Mas a minha juventude me impediu de ver o que aquela catástrofe havia revelado. Continuei com a minha fantasia de um futuro socialista. Quando a Nova Esquerda começou a emergir poucos anos depois, eu estava pronto para acreditar num novo início e estava ávido por assistir ao seu nascimento.”

David Horowitz agora documenta que uma nova geração de americanos, aos quais não está mais sendo ensinada a história e que conhecem pouco ou nada da longa luta do nosso país contra o marxismo, está dando a esta heresia – responsável pelo assassinato de mais de 90 milhões de pessoas – outra vida nova. Em 2008, o Partido Democrata retratou os Estados Unidos como um “império capitalista decadente e racista”, incapaz de prover a assistência médica para os pobres, de reconstruir as suas “escolas em frangalhos”, ou de substituir as “fábricas fechadas que no passado proporcionaram uma vida decente para homens e mulheres de todas as raças” e garantiram que mudariam isso drasticamente por meio do aumento de impostos sobre os americanos ricos e sobre as empresas americanas e seus proprietários, para financiar programas para os pobres. Isso é marxismo em estado puro. No “Manifesto Comunista”, Marx pintou o capitalismo como “um império decadente e racista” e garantiu erradicá-lo defendendo 10 “transgressões dos direitos de propriedade” os quais vieram a ser conhecidos como os “Dez Pontos do Manifesto Comunista”. Dentre eles: pesado imposto de renda com aumento progressivo e gradual, abolição dos direitos de herança, abolição da propriedade.

Se você conhece o “Manifesto”, como David conhece, vai pensar que Marx em pessoa escreveu o programa econômico do Partido Democrata, o qual contém todos os dez pontos acima citados. Se você não conhece o “Manifesto”, dê uma olhada no “The Black Book of the American Left”. Os jovens de hoje, cuja idade é igual à que David tinha quando ignorou os inauditos crimes de Stalin, acreditam em jantar grátis. Não é de admirar que, na corrida eleitoral de 2008, o Partido Democrata lotou estádios com jovens exigindo a redistribuição da riqueza dos Estados Unidos. Algumas daquelas assembleias eleitorais pareceram, para mim, uma repetição das aglomerações do ditador romeno Ceausescu – mais de 80 mil jovens reunidos em frente do agora famoso templo grego imitando a Casa Branca erguido em Denver, para exigir a redistribuição da riqueza americana. O Partido Democrata conquistou a Casa Branca e as duas câmaras do Congresso.

As pessoas se acostumaram a olhar com complacência a “redistribuição de riqueza”, mas David Horowitz demonstra, de maneira convincente, que isso é a quintessência do marxismo, e que o marxismo sempre termina em colapso econômico. Eu concordo. “Roubar os capitalistas é moral, camaradas”, eu ouvi Khrushchev dizer durante suas “férias de seis dias” de 1959 na Romênia. “Não se espantem, camaradas. Usei intencionalmente o verbo roubar. Roubar os nossos inimigos é moral, camaradas.” “Roubar os capitalistas é um dever dos marxistas”, pontificava o presidente da Romênia, Nicolae Ceausescu, durante os anos em que fui o seu conselheiro de segurança nacional. “Os capitalistas são inimigos mortais do marxismo”, ouvi Fidel Castro discursar em 1972 quando passei férias em Cuba como convidado do seu irmão Raul. “Matá-los é moral, camaradas!”

Na minha outra vida cheguei ao topo da entidade marxista – o Império Soviético – criado por meio da redistribuição da riqueza do seu povo, e para escapar da sua tirania eu fui obrigado a recomeçar a minha vida do zero, como David. Redistribuição de riqueza é roubo disfarçado – um passo antes do homicídio – e o roubo e o homicídio se tornaram políticas públicas no dia do nascimento do marxismo soviético. Imediatamente após a revolução de novembro de 1917, os marxistas soviéticos confiscaram a riqueza da família imperial, apoderaram-se das terras dos russos ricos, nacionalizaram a indústria e o sistema bancário e mataram a maior parte dos donos de terras. Em 1929, confinando os camponeses em fazendas coletivas, os marxistas soviéticos roubaram as suas propriedades juntamente com os animais e ferramentas. Em poucos anos, virtualmente toda a economia soviética estava funcionando a base de propriedades roubadas. Quando o povo começou a protestar contra o roubo, os marxistas transformaram o Império Soviético num Estado policial tirânico. Mais de 20 milhões de pessoas foram mortas para manter aquele império gulag sob controle. Em longo prazo, entretanto, roubo e crime não compensam, mesmo quando cometidos por uma superpotência. O colapso da União Soviética em 1991 é a maior prova disso.

No dia 7 de fevereiro de 2009 a capa da Newsweek estampou: “Somos todos socialistas agora.” Isso também foi dito pelo jornal Scînteia de Ceausescu quando ele transformou a Romênia num monumento ao marxismo. Dois anos após tomar o poder, o marxista Partido Democrata americano produziu os mesmos resultados do marxismo de Ceausescu – em escala americana. Mais de 14 milhões de americanos perderam o emprego, e quase 42 milhões de pessoas recorreram a programas de alimentação do governo. O crescimento do PIB caiu de 3-4% para 1,6%. A dívida nacional cresceu para o valor sem precedentes de US$17 trilhões, e o valor projetado para 2019 é de US$18 trilhões. O Scînteia foi à falência. A Newsweek foi vendida por um dólar.

Capa da Newsweek em 2009


Vamos dar nome aos bois: estamos falando de marxismo. Marxismo nos Estados Unidos!

O livro “The Black Book of the American Left” não podia ter surgido em momento mais oportuno. Os Estados Unidos precisam entender imediatamente que o marxismo é uma mentira, e que essa mentira é o primeiro passo na direção do roubo e do assassinato.


Fonte – Epoch Times

Conservadorismodobrasil.com.br

domingo, agosto 13, 2017

Você era o Tonto que não sabia que a Venezuela é uma ditadura?



por Flávio Morgenstern(*).




Ensine seus amigos que a história se repete primeiro como tragédia, depois como farsa e depois como meme: socialismo é, foi e será ditadura.

Até a Folha, que só serve de mau exemplo (seja à direita, à esquerda, aos isentos ou de cima pra baixo), resolveu admitir que a Venezuela é uma ditadura. Já o caudilho Nicolás Maduro, curiosamente, costuma ser chamado de presidente, e praticamente nunca é tratado pelo título de honra de ditador. A culpa do fenômeno, entretanto, é uma única, e não parece estar no horizonte de eventos da Folha admiti-lo: chama-se socialismo.

É muito fácil abstrair fenômenos políticos de suas causas factuais e se focar em uma de várias formas de se descrever um país. No caso da Venezuela, fala-se de “ditadura” como se, não mais do que de repente, por razões e vontades particulares de Nicolás Maduro, o sistema político do país tivesse se fechado e, ao invés de vontades privadas, tudo se concentrasse nas mãos do ditador, que apenas por mera coincidência planificou a economia.

É como se fosse uma das eternas ditaduras do Oriente, ou como se o regime, após uma “crise econômica”, tivesse simplesmente “endurecido”. Não por qualquer ideário que tenha sido aplicado, com continuidade, por Hugo Chávez e Nicolás Maduro – hoje tratados como se não tivessem nada a ver um com o outro. E o bolivarianismo, que até rebatizou o país, também chamado “socialismo do século XXI”? Nenhuma menção. Parece que é mero detalhe no genocídio ocorrendo em nosso vizinho. Quem sabe até mesmo um detalhe amenizador.

Trata-se da eterna reprise da espiral descendente do “pensamento” de adolescentes que se encantam com o socialismo, a eterna sociedade dos sonhos de quem ainda pensa em vocabulário de professor de História da 8.ª série (desigualdade! direitos dos trabalhadores! os estadunidenses imperialistas!) e não na vida real de quem carca o couro para produzir riqueza e tem como inimigos a burocracia, os impostos e os nóias querendo enriquecer arrancando seu trabalho de você, que são justamente protegidos por professores de História.

Jovens são, por natureza, completamente idiotas, e nesta fase impera a vontade de trocar a autoridade familiar por qualquer autoridade externa – aliada aos delírios típicos da puberdade, como acreditar que o mundo está muito errado porque ainda não temos nossa mansão e nosso helicóptero particular, então precisamos redesenhar toda a sociedade, ou melhor, todo o cosmo para que tenhamos dinheiro sem precisar nem fazer um estágio chato no McDonald’s antes, e onde seremos considerados geniais sem insuportáveis aulas de estatística e todos nos amarão e nos desejarão sexualmente mesmo que ao invés de puxar ferro e abdicar de prazeres da carne passemos das 15h da tarde até às 3h da manhã nos empaturrando de Cheetos e moscando enterrados no sofá.

A espiral do trauma com a transformação da Venezuela em ditadura socialista atravessa os cinco estágios do Modelo de Sofrimento de Kübler-Ross, a saber: a negação, a raiva, a negociação, a depressão e, finalmente, a aceitação. O paciente passa necessariamente pelos três primeiros estágios, correndo sério risco de chafurdar no quarto. A ciência busca acelerar o processo para que o luto seja superado e se atinja finalmente o quinto patamar.

No caso do socialismo venezuelano, a esquerda passou mais de uma década firme e resoluta na fase da negação: “Imagine, a Venezuela não é uma ditadura, é uma democracia plena, quem a critica são os estadunidenses que querem uma desculpa para invadi-la e tomar o seu petróleo!”, como se a América precisasse ter invadido e tomado para si algum mercado de petróleo no planeta para conseguir o produto (alguns crêem até que a guerra no Afeganistão, país montanhoso cuja principal economia é a agricultura de subsistência, foi por causa de… petróleo).





Na fase da negação, superada recentemente pela Folha de S. Paulo, tudo é lindo, tudo pode, tudo está bem melhor na Venezuela do que por estas bandas. Para o negacionista socialista, basta pensar por termos do professor de História da oitava série (aquele de papete e pochete): na Venezuela há mais “igualdade” (como se todos receberem R$ 100 por mês, ao invés de alguns terem R$ 20 mil e outros terem R$ 100 milhões, fosse uma vantagem), que há “direitos trabalhistas” (como o direito de um sindicato mandar na empresa onde você quer trabalhar, tornando aquela empresa tão atrativa quanto o emprego do professor de História), que há “reforma agrária” (ou seja, alimentos via racionamento, prateleiras vazias e uma cenoura custando o preço de uma pepita de ouro) e que tudo o que é descrito em termos abstratos funciona no bolivarianismo venezuelano.

Na fase de negação, não há nenhum problema na Venezuela, a não ser, é claro, essa maldita oposição e os imperialistas que têm horror a alguém enriquecendo (você não sabia que a CIA existe para sair matando gente que enriquece por aí no mundo?). O socialismo continua lindo, todas as liberdades são respeitadas, tudo é melhor na Venezuela, desde que você possa descrever usando palavras de militante político, ao invés de ir ver como um país transformado em favela tem menos desigualdade do que a Suíça.

Afinal, há tanta liberdade no socialismo-que-não-é-ditadura que, mesmo com o principal canal de TV sendo fechado à força pela tirania de Hugo Chávez, grita-se que “há liberdade de imprensa na Venezuela” (prova: eu estou gritando; e bem alto! mas no Brasil).

Ninguém nunca viu um único site venezuelano de dissidência, a possibilidade de um jornal do país bolivariano sobreviver criticando o regime no país de economia controlada – e prova maior não pode haver de que tudo na Venezuela é lindo e maravilhoso, já que ninguém reclama. Se o socialista na fase de negação enfiou a cabeça num buraco e não viu, é porque não existe.

Podemos chamar a fase de negação de fase “Sou do Levante, tô com Maduro”.




Após a negação, vem a raiva, estágio no qual vários dos mais conhecidos e aguerridos socialistas-que-não-ousam-dizer-que-são-socialistas se encontram no Brasil e no mundo. A raiva pós-tragédia não precisa ter um objeto específico: o paciente está com raiva da situação, culpando Deus, os astros, o destino (a única força cósmica do Universo com senso de humor), o imperialismo, o preço do petróleo, a oposição, o Temer, os hackers russos, a crise internacional e o trágico fato de dinheiro não nascer em árvore (nem mesmo num país flutuando sobre petróleo) para sua miserável situação.

O paciente, é claro, nunca culpa sua própria escolha panaca de acreditar em retórica comunista, ao invés de desconfiar de qualquer autoridade que prometa um mundo melhor bem longe da sua realidade e estudar coisas mais difíceis do que sociologia e teoria política (estudar a taxa de preferência temporalde outputs e inputs e o cálculo econômico sob o socialismo que mostram como socialismo, grande novidade, sempre causa miséria, por exemplo).

A raiva sem objeto pós-tragédia se dá quando o paciente sente a falta de um grande ente querido tomado de si. Não é possível alguém ter acreditado na “democracia” e no bom-mocismo de Chávez e Maduro sem ter sido um fanático desesperado pronto a matar e morrer e desculpar qualquer assassinato cometido por seus caudilhos preferidos (qualquer posição intermediária, colocada inclusive por esquerdistas notórios como Carlos Fuentes, era de repúdio absoluto por “este palhaço do Chávez” e o bolivarianismo). Como tratou Maduro e Chávez e o socialismo como sua razão de ser, descobrir que o socialismo, pela trilionésima vez na história, gerou miséria, totalitarismo, perseguição, genocídio, fome, doenças e morte (uma espécie de versão anfetaminada dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse) é o mesmo que perder os melhores amigos e a própria família. A raiva é geral.

O estágio da raiva é o momento em que o esquerdista passa a ignorar a miséria que o bolivarianismo que ele defende tanto causou, e apenas ataca a esmo qualquer um que se oponha ao seu ideário desfrangalhado.

É na raiva em que o paciente infectado com socialismo na adolescência, espécie de gonorréia do século XXI (inclusive se pega nos mesmos ambientes), ignora o que defende e apenas ataca qualquer um que aponte suas falhas, mesmo que não tenha nada a ver com nada. “Vá estudar História! São os estadunidenses que querem petróleo! A oposição venezuelana é golpista e não deixa Maduro governar! Maduro foi eleito! É o preço do petróleo! Ao menos o povo venezuelano é consultado! Você só lê sites de extrema-direita e precisa se informar melhor!” 

A etapa da raiva também é chamada, na ciência psiquiátrica, de Fase do Mimimi Histérico e Constantes Ataques de Pelanca. É a fase em que o paciente se torna mais pedante, chato, inconvivível e, via de regra, mais burro até mesmo do que na fase da negação.






Após a fase dos faniquitos afrescalhados, segue-se o estágio da negociação. Alguns esquerdistas chegaram a tal fase, como a Folha: trata-se de um toma-lá, dá-cá, modelo “ok, a Venezuela virou uma ditadura, mas não a chamaremos de socialista, nem diremos que bolivarianismo é sempre ditadura”, ou outros modelos que tentam sair por cima mesmo chafurdando em sangue de inocentes nas ruas. Afinal, o problema foi que Maduro acordou meio mal humorado, não que implantou o socialismo no país, que se tornou a segunda economia mais fechada do planeta.

A negociação aqui é integralmente amoral: a idéia é ainda mostrar que o socialismo bolivariano era sim uma opção válida, que não houve nada de errado em defendê-lo até o 161.º assassinado em protestos pacíficos (já 162 mortes é uma intolerância inefável), que ser de esquerda continua sendo melhor do que ser dessas pessoas que, veja você, defendem o ca-pi-ta-lis-mo tão descaradamente, e na Venezuela ao menos se tentou criar algo melhor do que este sistema horrendo da Suíça, da Austrália, do Canadá, da Áustria, da América e da Inglaterra, estes países tão miseráveis de onde todo mundo quer fugir em desespero, com as vestes do corpo e muita fome no estômago.

É também a fase de recaídas, em que, nas entrelinhas e muitas vezes descaradamente, o paciente com a doença venérea do socialismo mais quer voltar à fase anterior, sobretudo quando vê que sua argumentação encontrou algum brio público. E vale tudo, até ignorar as mortes – o socialismo abstrato, aquele da “igualdade” e do governo “dando” tudo, ainda ao menos era um norte moral melhor do que, digamos, cada um viver a sua vida, fazer trocas econômicas voluntárias e todo mundo voltar pra casa de BMW no fim do processo.






O risco recai na quarta fase: aqui o paciente com socialismo profundo pode cair na letargia catatônica da depressão. Não se trata necessariamente de estar em posição fetal chorando – posição na qual a maioria dos esquerdistas seria mais produtivo e inofensivo do que o é com as patas no chão – mas sim de um sentimento completo de desânimo ao lembrar do passado de defesa de ditaduras.

É quando o esquerdista começa a fazer textões, artigos, colóquios e até livros com temas como “A crise da esquerda e a busca de novos paradigmas anti-imperialistas” e outros nomes chiques para “Fizemos merda de novo, alguém nos interne porque PQP, viu”. É a fase em que é preciso mudar de assunto desesperadamente (já fizeram com Stalin e Mao, e isso já nas décadas de 70 e 80) para não admitir que anteontem estavam defendendo gente que faz Hitler parecer um principiante.

É quando o infectado, o socialista de butique, parte para a mais velha tática dos defensores de coisas que passam a pegar mal com a galera: trocar os termos. Maduro deturpou Marx, eu não sabia de nada, Maduro é na verdade de extrema-direita, ser de esquerda não tem nada a ver com isso, olha, por que falar da Venezuela com tanto país precisando da nossa ajuda, há muitos interesses por trás de tudo, mas e o Cunha etc. Já faz tempo que, dos defensores do socialismo, mal o PCdoB admite o termo, preferindo diluir em palavras que encantem melhor os trouxas (“direitos”, “igualdade”, “democracia”, “povo” e por aí vai).



Se o paciente do luto normal o faz por não agüentar mais a perda, o socialista o faz porque já não pega bem com a turminha bancar o revolucionário da patota. É tão somente uma questão de opinião pública, de galgar o estrelato no microcosmo, de defender com coragem inumana o que estava todo mundo defendendo até o vídeo viral de WhatsApp da semana passada. De repente, até discutir a série C do campeonato Amapaense ou algum filme B perdido da década de 50 com uma atuação ma-ra-vi-lho-sa vira um programação mais atraente do que falar do que você passou os últimos 15 anos defendendo e precisa da sua defesa mais do que nunca neste momento crucial.

Por fim, alguns raros sobreviventes conseguem se elevar ao último patamar da aceitação, quando o ex-pubertário socialista passa finalmente a aceitar a realidade, levanta a cabeça, arruma um emprego, descobre como a vida é mais complexa do que um discursinho de oitava série (como se você tivesse aprendido alguma coisa que presta na oitava série) e admite o que só adultos admitem: que passaram anos a fio falando bosta.

É a fase em que o esquerdista admite que, afinal, socialismo sempre seguiu o mesmo roteiro de Vale A Pena Ver De Novo, que esse papo de “imperialismo” e “estadunidenses” não consegue explicar por que caceta o embargo cubano seria o culpado pela miséria na ilha particular da família Castro (quer algo mais anti-imperialista no mundo?) e que, dãã, só é possível haver igualdade econômica com uma extrema desigualdade de poder político, como já o afirmara Joseph Sobran.

É o patamar libertador em que admitimos que aquele professor de História tinha como grande autoridade dizer que nossos pais eram caretas (eram mesmo, mas e ele, que usava papete e pochete?!), que acreditamos em tudo quanto é jornalista (até parece que lemos Marx) só porque era mais fácil do que ler um livro com conceitos difíceis como “derivativos” ou entender que a taxa de juros é a soma acumulada de todas as taxas de preferência temporal individuais acumuladas (sério, passamos décadas de vida criticando taxa de juros sem saber o que raios é isso) e outras barbeiragens.

Na verdade, tal patamar seria facílimo de ser alcançado, não fosse um único detalhe: nós perdemos amigos ao atingi-lo. Temos de nos livrar das amizades da escola, temos de virar a casaca contra aqueles que pareciam os mais descolados por serem os “preocupados com o social”. Eles são o único motivo para tanta gente continuar sendo de esquerda depois da adolescência – porque nada no mundo aponta a esquerda como mais certa em assunto nenhum. É a peer pressure política: estar acompanhado e errado, ou certo e sozinho?

A aceitação de que socialismo é totalitarismo é óbvia: não adianta pregar ditadura do proletariado e depois reclamar que o negócio virou ditadura. Era o que você pregava, tonto. Basta agora seguir o caminho de Eric Voegelin, Thomas Sowell, David Horowitz, Leszek Kołakowski, Edmund Wilson, Yuri Bezmenov, Peter Hitchens, Ion Mihai Pacepa, Irving Kristol, Whittaker Chambers e tantos outros: admitir que esteve enganado.

Não dói, bem ao contrário: é se livrar de dores quase sem custo. Se você conhece algum amigo ainda infectado pela variação adolescente do esquerdismo, o socialismo, convide-o a ler e estenda a mão para ele em direção à cura. O medo da falta de amigos é basicamente a única razão para ele ainda não ter atingido o estágio da aceitação da miséria socialista.


(*)Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record). No Twitter: @flaviomorgen

Fonte: sensoincomum.org






sábado, agosto 12, 2017

Distritão, Distrital Puro, Distrital misto, sistema brasileiro e voto em lista.









O que é o Voto Distrital Puro e porque ele é melhor que o Distritão

por Luiz Philippe de Orleans e Bragança.

Deficiente visual em local de votação



A comissão Especial da Reforma Política aprovou na noite de ontem um novo modelo para a eleição de deputados federais, o chamado “Distritão”. A aprovação vai totalmente na contramão dos interesses da população, que prega pela transparência no processo, pela redução nos custos de campanha, e também pela real representatividade do voto brasileiro. Esses anseios são atendidos pelo modelo Voto Distrital Puro, algo bem diferente do que foi aprovado pela comissão.

O que é o Distritão

Sistema utilizado no Afeganistão, Kuait, Emirados Árabes Unidos e Vanuatu, o Distritão é adotado somente em países sem tradição democrática. Bandeira do PMDB, o partido de sempre da política tradicional brasileira, o chamado Distritão foi defendido primeiro pelo ex-deputado Eduardo Cunha, e agora pelo presidente Michel Temer. Lembre-se disso.



No papel o distritão é simples. O eleitor vota no seu candidato de preferência como seu representante no estado e pronto. Em São Paulo temos 70 cadeiras para deputados federais, quando na verdade deveriam ser 120, mas isso é assunto para outra hora. Os candidatos com maior número de votos ocupam essas 70 cadeiras, preenchendo-as conforme a ordem de quem recebe mais votos. O distritão acaba com os problemas do coeficiente eleitoral e da coligação partidária, que permite a transferência votos de um candidato bem votado para os que não obtiveram votos suficientes, sendo ele do mesmo partido ou coligação. O distritão também simplifica ao determinar quem ganhou, pois não existe mais uma formula complexa para aferir quem recebeu os votos necessários. Por essas razões o distritão é melhor que o atual sistema proporcional, mas suas vantagens terminam por aí .

Na prática o modelo do distritão é péssimo, já que ele favorece apenas o parlamentar conhecido ou com acesso a fundo partidário. O poder legislativo é a porta de entrada para a classe média no sistema politico. Com o distritão cada deputado tem de fazer campanha como se fosse um candidato ao governo do estado, já que é preciso percorrer todo o estado por votos, e isso custa muito dinheiro. Se o candidato não tem dinheiro para gastar a sola do sapato, ele ou ela tem de ter verba para comprar exposição nas rádios e televisões locais, assim como para adquirir o apoio de prefeitos e vereadores. De forma objetiva, ele é um modelo que inviabiliza a entrada do povo na política.

Há também um agravante. Sim, fica pior. Com o distritão não poderemos implementar o mecanismo de revogação de mandato, conhecido como recall. Ele é essencial para a evolução de nosso sistema político, pois permite que o povo remova um candidato eleito caso perca a confiança nele. Funciona assim: faz-se um abaixo-assinado contra o mandato de um deputado e submete-se essa lista ao TSE. Se as assinaturas estiverem de acordo, o Tribunal Superior Eleitoral notifica o deputado que será realizada uma nova eleição para seu mandato, podendo o deputado optar por concorrer de novo ou renunciar ao cargo. Com o distritão o eleitorado de Campinas, por exemplo, não poderá remover um desses 70 deputados paulistas pois o deputado recebeu votos de todo o estado. Para que esse mecanismo possa funcionar é preciso o voto distrital puro. No final, o distritão acaba simplificando a fórmula do mais do mesmo que existe no Brasil, não havendo uma porta de entrada para novos candidatos ou de saída para os que mais desconfiamos.

O que é o Voto Distrital Puro?


O modelo que defendo para o Brasil, e que também é defendido pelo Movimento Liberal Acorda Brasil e diversos cientistas políticos do país, é o Voto Distrital Puro. Nesse sistema o Brasil é dividido em 513 distritos, sendo 70 deles no estado de São Paulo. O tamanho do distrito é determinado pelo número de eleitores ali registrados, com distritos abrangendo varias cidades e outros apenas alguns bairros. Tudo é proporcional ao número de eleitores. Este é o melhor sistema, pois é o único modelo que atende a três princípios essenciais ao mesmo tempo: 

1 - Transparência: é o modelo mais cristalino, pois é simples. É como se fosse uma eleição de governador, só que para um pequeno distrito. Quem atingir maioria simples ganha.

2 - Custo: como a maioria dos distritos será pequena, o custo de campanha despenca. Em alguns casos o candidato poderá percorrer seu distrito a pé, facilitando a propaganda face a face com o eleitor. Fundo Partidário para que? A campanha vencedora será a da melhor porta a porta. 

3 - Representatividade: como o distrito é pequeno e o deputado precisa morar ali, a proximidade entre eleitor e eleito é a maior possível. Melhor de tudo, com o voto distrital o recall de mandato se torna possível. Não existe modelo que proporcione mais representatividade. 

O sistema político brasileiro deve ser montado para privilegiar o Brasil e sua democracia, e não os políticos brasileiros. No voto distrital puro os partidos fazem uma prévia e determinam qual será seu candidato para cada distrito. O candidato escolhido é geralmente a liderança local. Isso acaba levando a militância de fato a se envolver na vida no distrito em busca da nomeação, o que oxigena nossa política e acaba com os candidatos que compram legenda. Neste modelo, o parlamentar eleito representa os interesses do distrito, fazendo com que o bairro inteiro saiba quem deve ser cobrado caso a região esteja abandonada ou precisando de algo. Acabam também os casos de políticos que se mudam para uma região onde é fácil ser eleito, e depois nunca mais voltam lá.



Há deficiências no modelo de voto distrital puro? Sim e não, pois algumas coisas dependem de outras variáveis como centralização de poder jurídico e de tributos. O funcionamento ideal do voto distrital puro requer a descentralização dessas duas coisas. Os deputados têm de ter mais responsabilidade jurídica e acesso a recursos locais, e o povo tem de ter mais poder para remoção caso eles não honrem essa responsabilidade. No sistema tributário e jurídico do Brasil de hoje as leis federais mandam em todo território, e os tributos arrecadados nos distritos estão todos nas mãos do presidente. É daí que surgiu o problema da compra de deputados com as “emendas parlamentares”. O sistema é tão perverso que o presidente compra apoio dos deputados com dinheiro que já era deles. Mesmo se a descentralização jurídica e tributária não ocorrer, o voto distrital puro é muito melhor que o sistema atual ou o distritão, como podemos ver pelas razões anteriormente apresentadas.

E quanto ao voto distrital misto?

Esse modelo é tão complexo e caro quanto o atual sistema proporcional, e tão turvo quanto o voto em lista fechada. Por que? O que se chama de “misto” é na verdade uma lista fechada de candidatos indicados pelo partido. O eleitor vota no candidato de seu distrito e também vota numa sigla de partido. O problema começa aí, já que o candidato e o partido podem não ser vinculados. Além disso temos 513 assentos na Câmara dos Deputados, mas nem todas serão preenchidas por candidatos eleitos diretamente pelos distritos. Será necessário um número de cadeiras reservadas para os candidatos de listas de partidos. Quantas cadeiras serão dadas para cada? Decisão crucial.

Há também a questão do recall. Ele pode funcionar para o candidato eleito diretamente pelo distrito, mas e se o povo quiser fazer o recall de um deputado eleito pela lista fechada do partido? Não vai poder. O deputado eleito por lista tem maior proteção que o eleito pelo voto do povo? Outra questão crucial: para quem o eleitor de um distrito deve ligar para cobrar? O candidato eleito direto ou o da lista? Quem representa o distrito? Essa é mais uma das dúvidas geradas por esse sistema.

A lista de ambiguidades é infinita. O voto distrital misto acaba sendo apontado como ideal por não ser nem um nem outro, nem distritão e nem voto distrital puro. Na minha opinião ele é um sistema tão complexo que chega a ser impraticável, e só esses questionamentos acima já fazem com que ele não atenda nossas demandas por um sistema mais transparente, acessível e representativo.



Se eu tivesse que qualificar um sistema do melhor para o pior, classificaria assim:
  1. Distrital puro
  2. Distrital misto
  3. Distritão
  4. Proporcional (modelo atual)
  5. Lista fechada.

Quem quiser um sistema representativo de democracia transparente, acessível e próximo do eleitor tem de exigir o distrital puro. Qualquer outro modelo não atenderá a essas qualificações.

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sexta-feira, agosto 11, 2017

Quatro consequências inesperadas de se aumentar os impostos sobre os mais ricos




Todas elas afetam você.





Com efeito, não seria exagero afirmar que, no geral, as pessoas ficariam contentes se terceiros pagassem suas contas. E governos costumam ser ótimos em insuflar este sentimento assistencialista.

O problema é que há vários problemas inevitáveis gerados por um aumento de impostos sobre os mais ricos. Deixando as questões morais de lado — nunca é ético e justo aumentar o confisco sobre os mais bem sucedidos —, eis as quatro principais consequências econômicas desta medida.

1. Aumentar impostos sobre os ricos afeta os mais pobres

O aspecto mais importante a ser observado é que é impossível isolar os custos de qualquer imposto. No caso dos impostos indiretos — os quais absolutamente todas as pessoas pagam — isso é explícito. Mas o que poucos entendem é que isso também é válido para os impostos diretos, principalmente sobre a renda.

A maioria das pessoas pensa que cada indivíduo paga, sozinho, seus impostos diretos. Mas essa crença é demonstravelmente falsa. 

Se, por exemplo, a alíquota do imposto de renda que incide sobre as rendas mais altas fosse elevada em 30% (valor próximo ao aumento que chegou a ser aventado pelo governo, que queria elevar a alíquota máxima de 27,5% para 35%, o que corresponderia um aumento de 27%), os trabalhadores de renda mais alta reagiriam a isso negociando um aumento salarial. 

Por se tratarem de pessoas que ganham bem, então, por definição, elas são produtivas (não ganhariam bem no setor privado se fossem improdutivas). Logo, por se tratar de pessoas produtivas, elas têm poder de barganha junto a seus empregadores, e irão pleitear esse aumento salarial para contrabalançar o aumento de confisco de sua renda pelo governo.

Se essas pessoas conseguirem um aumento salarial de, por exemplo, 15%, isso significa que praticamente metade do aumento de 30% da carga tributária foi repassada aos seus empregadores.

Essa maior alíquota do imposto de renda reduziu os salários líquidos; o consequente aumento nos salários elevou os salários brutos. Neste ponto, a exata divisão do fardo tributário entre empregados e empregadores vai depender do relativo poder de barganha entre eles no mercado de trabalho. O que interessa é que os empregados de maior renda irão repassar uma parte, se não a maior parte, de qualquer aumento em seu imposto de renda para seus empregadores.

Consequentemente, estes empregadores irão contratar menos empregados — ou tentarão contratar oferecendo salários bem menores, algo difícil —, e irão tentar repassar esse aumento nos custos trabalhistas para os consumidores, na forma de preços maiores. Esse aumento, no entanto, vai depender do relativo poder de barganha entre o vendedor e seus clientes, bem como do nível de concorrência no mercado. 

Os empresários irão repassar estes maiores custos aos consumidores até o ponto em que possam elevar preços sem sofrer uma relativamente grande perda no volume de vendas. Desta forma, os consumidores que ainda continuarem comprando a estes preços maiores estarão pagando parte do aumento na carga tributária que supostamente deveria afetar apenas os "mais ricos".

Consequentemente, a classe média e os pobres acabarão pagando parte daquele aumento do imposto de renda que visava a atacar apenas os ricos, por causa dos maiores preços dos bens e serviços. 

Qualquer aumento no imposto de renda da camada mais rica da população — seja o 1% mais rico ou os 5% mais ricos — irá acabar por elevar os custos sobre toda a população.

É possível contra-argumentar dizendo que o repasse para os preços desse aumento no imposto de renda seria muito pequeno. Talvez apenas uma pequena porcentagem da elevação do imposto de renda, o qual foi repassado aos empregadores, seria repassada aos consumidores na forma de preços maiores. Só que, se isso ocorrer, o efeito de longo prazo será ainda pior. 

Se os empregadores tiverem de arcar com uma elevação marginal dos custos trabalhistas sem uma correspondente elevação marginal de sua receita, suas margens de lucro diminuirão. Redução nos lucros significa menos investimentos. E menos investimentos inibem um maior crescimento econômico. Um menor crescimento econômico significa menores aumentos nos salários e na renda de toda a população. 

Os efeitos dos impostos sobre o crescimento econômico, portanto, são bem mais indiretos do que se imagina.

Primeira conclusão: ao menos alguma porcentagem dos impostos que foram aumentados sobre os ricos serão repassados a todos os consumidores — e isso prejudicará majoritariamente os mais pobres. Qualquer aumento de impostos sobre um grupo acabará sendo compartilhado por todos. E não há nada que as autoridades estatais possam fazer quanto a isso. Os indivíduos de mais alta renda irão arcar com apenas uma fatia do aumento ocorrido em suas alíquotas. E essa importante constatação quase nunca é reconhecida. E é dessa maneira que um imposto sobre um se transforma em um imposto sobre todos.

Não há como isolar um aumento de imposto.

2. Não existe dinheiro ocioso; toda tributação diminui investimentos

Os mais ricos podem fazer três coisas com o dinheiro que ganham: consumir, investir ou doar para alguma caridade.

Se ele doar, estará ajudando os necessitados. Se ele gastar em consumo, estará garantindo emprego e renda naqueles setores que o servem. Se ele investir, estará estimulando o crescimento econômico e gerando empregos.

A verdade é que, ao contrário do muitos ainda imaginam, o dinheiro dos ricos não fica parado dentro de uma gaveta. 

Em nosso atual sistema monetário e financeiro, todo o dinheiro está inevitavelmente em algum depósito bancário. Não importa se o rico comprou ações, debêntures, títulos, CDBs, LCIs, LCAs ou LCs, aplicou em fundos de investimento ou em fundos de ações: no final, este dinheiro caiu em alguma conta bancária, e será emprestado pelos bancos para financiar investimentos. 

Com efeito, ao comprar títulos privados, ele está diretamente financiando algum investimento.

Portanto, se a preocupação é dar um direcionamento útil ao dinheiro dos ricos, não há por que se preocupar.

Se o governo tributar esse dinheiro, fará apenas que o dinheiro que antes era ou doado, ou direcionado para determinados setores (garantindo emprego e renda), ou investido em coisas produtivas seja direcionado para o mero consumismo do governo, ficando sob os caprichos de seus burocratas e bancando toda a máquina estatal. Isso seria uma simples e direta destruição de capital. 

Logo, impostos que recaem sobre a renda dos mais ricos são um grande obstáculo aos investimentos produtivos, à formação de capital e ao simples bem-estar de terceiros. É deste dinheiro que vem a poupança necessária para os investimentos produtivos.

Aumentar impostos sobre este dinheiro será ainda mais prejudicial para os mais pobres no longo prazo, pois se trata de uma medida extremamente destrutiva para os investimentos e a formação de capital, impedindo o consequente aumento da oferta de bens e serviços na economia, que é justamente o que beneficia os mais pobres.

Por último, mas não menos importante, algumas perguntas retóricas: o seu patrão é mais rico ou mais pobre que você? Se o governo aumentar o confisco do dinheiro dele, seu emprego ficará mais garantido ou menos garantido? Suas chances de aumentos salariais serão maiores ou menores?

3. Ricos não são inertes; eles tendem a proteger seu patrimônio

Um terceiro problema com um aumento de impostos sobre as rendas mais altas é que algumas pessoas irão simplesmente deixar de pagar esses impostos. 

Gerard Depardieu abandonou a França para não ser obrigado a pagar a nova alíquota de 75% instituída pelo então governo socialista. E, dois anos após anunciar a nova alíquota, o governo francês se viu obrigado a revogá-la, pois o aumento da arrecadação foi ínfimo (a alíquota afetava apenas mil pessoas e proporcionou somente 250 milhões de euros a mais de arrecadação).

O que ocorreu com Gerard Depardieu não foi o primeiro e nem será o último caso de um auto-imposto exílio tributário. Nas décadas de 1960 e 1970, o parlamento britânico elevou os impostos incidentes sobre os britânicos mais ricos. A alíquota máxima sobre o imposto de renda foi elevada para 83%. O governo britânico também elevou os impostos sobre ganhos de capital em 15%. 

Qual foi o resultado?

Ringo Starr e Roger Moore se mudaram para Mônaco. David Bowie se mudou para a Suíça. Os Rolling Stones começaram a perambular pelo mundo em busca de paraísos fiscais. Phil Collins, Michael Caine, Pink Floyd, Led Zeppelin, Freddy Mercury, Sting, Frederick Forsyth e Sean Connery deixaram o Reino Unido, pelo menos temporariamente, como exilados fiscais. 

Somente o principado de Mônaco abriga milhares de exilados fiscais britânicos. Nos EUA, vários americanos começaram a renunciar à cidadania americana para evitar impostos.

Trata-se de uma constatação empírica o fato de que as pessoas com os maiores potenciais de ganhos — ou seja, as mais produtivas e que geram mais valor — são também as mais propensas a se mudarem. 

Como bem explicou Thomas Sowell:



No mundo real, só é possível confiscar a riqueza que já existe em um dado momento. Não é possível confiscar a riqueza futura; e é menos provável que essa riqueza futura seja produzida quando as pessoas se derem conta de que ela também será confiscada.

Na indústria, no comércio e nos serviços, as pessoas também não são objetos inertes. Os industriais, por exemplo, e ao contrário dos agricultores, não estão amarrados ao solo de nenhum país. Os financistas são ainda menos amarrados à sua terra, especialmente hoje, quando vastas somas de dinheiro podem ser enviadas eletronicamente, a um simples toque no computador, a qualquer parte do mundo.

Aqueles que sabem que serão o alvo preferencial dos futuros confiscos podem imaginar o que está por vir e, consequentemente, agir de acordo — normalmente, enviando seu dinheiro para o exterior ou simplesmente saindo do país.E conclui:



Entre os ativos mais valiosos de qualquer país estão o conhecimento, as habilidades práticas e a experiência produtiva — aquilo que os economistas chamam de "capital humano". 

Quando pessoas bem-sucedidas e com um grande capital humano deixam o país [...] haverá um estrago duradouro na economia desse país.

As políticas confiscatórias de Fidel Castro fizeram com que vários cubanos bem-sucedidos fugissem para a Flórida, vários deles deixando grande parte da sua riqueza física para trás. Mesmo refugiados e completamente destituídos, eles cresceram e voltaram a prosperar na Flórida, tornando-se uma das comunidades mais ricas daquele estado. Já a riqueza que eles deixaram para trás em Cuba não impediu que as pessoas de lá se tornassem indigentes no governo de Fidel. A riqueza duradoura que os refugiados levaram consigo era o seu capital humano. A riqueza material que ficou para trás foi consumida e não foi replicada.



Qualquer tentativa do governo de jogar o fardo tributário exclusivamente sobre os mais ricos fará apenas com que cada vez mais ricos deixem o país. E fará com que os mais pobres, que trabalhavam para estes ricos, fiquem desempregados. Os Rolling Stones podem se mudar para onde quiserem; já os técnicos de som e as pessoas que trabalhavam nos estúdios da banda permanecem no país original, e agora sem trabalho.

Na mais branda das hipóteses, tais pessoas simplesmente passarão a mandar mais dinheiro para o exterior.

Em nenhum país ocidental os ricos arcam exclusivamente com os impostos; quem realmente fica com o grande fardo é a classe média. Não há, em nenhuma sociedade, um número grande o bastante de ricos que possam custear sozinhos os gigantescos gastos efetuados pelos estados assistencialistas ocidentais. É ingenuidade crer que as pessoas mais ricas irão simplesmente quedar inertes e aceitar pagar alíquotas mais altas.


4. Os gastos do governo aumentam de acordo com a receita

O quarto problema com o aumento de impostos é que isso simplesmente gera uma reedição Lei de Parkinson: o professor Cyril Northcote Parkinson afirmou que, em uma burocracia estatal, "os gastos sobem de encontro à receita."

Sempre que o governo eleva impostos, ele eleva seus gastos correntes. Os gastos do governo sempre sobem junto com o aumento das receitas. Isso é uma empiria observada ao redor do mundo. Veja o gráfico para o Brasil, em valores nominais mensais. (O gráfico foi descontinuado em dezembro de 2014 pelo Banco Central).

parkinson.png



Fonte: Banco Central

O gasto público sempre cresce concomitantemente à receita, como mostra o gráfico acima. Não há nenhum motivo para crer que "desta vez será diferente", e que um aumento dos impostos sobre os ricos será efetivo e definitivo.

Ademais, todo aumento de impostos sempre se traduz majoritariamente em mais benesses para políticos, burocratas e todo o inchado setor público, sem nenhum benefício líquido para o povo, que agora estará com menos dinheiro no bolso. Um aumento de impostos consolida a hipertrofia da burocracia estatal, aumentando ainda mais seu peso sobre o setor produtivo e, consequentemente, afetando ainda mais o crescimento econômico e a criação de riqueza.

E, como mostra a história, não há absolutamente nenhum motivo para crer que um aumento de impostos sobre os ricos será direcionado exclusivamente para o fim anunciado, qualquer que seja ele.

Conclusão

Vale repetir: não há, em nenhuma sociedade, um número grande o bastante de ricos que possam custear sozinhos os gigantescos gastos efetuados pelos estados ocidentais. 

É ingenuidade crer que as pessoas mais ricas irão simplesmente quedar inertes e aceitar pagar alíquotas mais altas.

No mais, é impossível estruturar a carga tributária (ou os gastos do governo) de maneira neutra e isolada. A imposição de novos impostos altera preços e salários de maneiras impossíveis de serem previstas e difíceis de serem mensuradas mesmo após o fato já consumado. Tentativas de "fazer os ricos pagarem mais" irão apenas aumentar o fardo tributário mutuamente compartilhado por todos, por meio de uma maior tributação indireta e oculta. 

De resto, tentativas de resolver os problemas fiscais do governo por meio de aumento de imposto são fúteis. A carga tributária no Brasil não é baixa; os gastos é que são altos demais. A única solução realista para o problema fiscal é obrigar o governo a cortar na própria carne, abolindo ministérios, secretarias, autarquias, agências reguladoras, deputados e senadores, e reduzindo subsídios e repasses a grupos de interesse. 

Para começar, ele deveria cancelar todos os aumentos programados para o funcionalismo público (a casta mais privilegiada do país) e congelar os salários de funcionários do alto escalão da República.

O governo federal vem notoriamente desperdiçando dinheiro em corrupção, em programas ineficientes que só servem para beneficiar determinados grupos de interesse, e na boa vida de seus membros. Por que alguma classe social — qualquer classe — deveria pagar mais impostos apenas para que os funcionários do estado e seus amigos continuem embolsando esse dinheiro? 

O desperdício de dinheiro público jamais deveria ser tolerado por uma sociedade minimamente civilizada. No Brasil, o desperdício já chegou a níveis calamitosos. Propostas para elevar impostos sobre indivíduos ricos equivalem, na mais educada das hipóteses, "a rearranjar as espreguiçadeiras do Titanic".


Comentário postado no site

Francisco 09/08/2017 15:47
A estarrecedora cobiça fiscal do governo somente se iguala à sua ignorância econômica.

Aqui um excelente exame prático de tudo que é defendido no artigo utilizando a realidade dos EUA:




Fonte:mises.org.br