quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Como evitar que pesquisas escolares virem armadilhas marxistas para nossos filhos?






por Ricardo Bordin


Foi-se o tempo em que elaborar trabalhos escolares demandava ir até a biblioteca pública, folhear diversos livros até encontrar o que a professora pedira, tirar cópias ou transcrever manualmente para o caderno e voltar para casa de ônibus. Uma tarde inteira era dispendida na tarefa que, hoje, exige apenas alguns cliques através de um buscador de sites da Internet. A grande rede mundial de computadores, neste contexto, representa um progresso inconteste na busca pelo conhecimento, especialmente na fase em que os alunos são (em tese) verdadeiras “esponjas” para novas informações. E até mesmo por isso é preciso ficar alerta com os resultados retornados pelo Google para pesquisas comumente realizadas por estudantes, sobretudo, de Geografia e História.


Digamos que um professor da 1a série do nível médio resolva, inocentemente (ou quase), encomendar a seus pupilos uma pesquisa sobre o Capitalismo. A primeira relação de páginas encontradas – ou seja, as que são mais frequentemente acessadas – já dá uma pista do que nos espera. Vejamos o que alguns sites voltados ao ensino, com temática educativa, têm a elucidar sobre o tema:


Capitalismo é o sistema sócio-econômico em que os meios de produção (terras, fábricas, máquinas, edifícios) e o capital (dinheiro) são propriedade privada, ou seja, tem um dono.

Os proprietários dos meios de produção (burgueses ou capitalistas) são a minoria da população e os não-proprietários (proletários ou trabalhadores – maioria) vivem dos salários pagos em troca de sua força de trabalho.

Características do Capitalismo:

Toda mercadoria é destinada para a venda e não para o uso pessoal

O trabalhador recebe um salário em troca do seu trabalho

Toda negociação é feita com dinheiro

O capitalista pode admitir ou demitir trabalhadores, já que é dono de tudo (o capital e a propriedade)


No século XVIII, a Europa passa por uma mudança significativa no que se refere ao sistema de produção. A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, fortalece o sistema capitalista e solidifica suas raízes na Europa e em outras regiões do mundo. A Revolução Industrial modificou o sistema de produção, pois colocou a máquina para fazer o trabalho que antes era realizado pelos artesãos. O dono da fábrica conseguiu, desta forma, aumentar sua margem de lucro, pois a produção acontecia com mais rapidez. Se por um lado esta mudança trouxe benefícios ( queda no preço das mercadorias), por outro a população perdeu muito. O desemprego, baixos salários, péssimas condições de trabalho, poluição do ar e rios e acidentes nas máquinas foram problemas enfrentados pelos trabalhadores deste período.

O lucro ficava com o empresário que pagava um salário baixo pela mão-de-obra dos operários. As indústrias, utilizando máquinas a vapor, espalharam-se rapidamente pelos quatro cantos da Europa. O capitalismo ganhava um novo formato.

Muitos países europeus, no século XIX, começaram a incluir a Ásia e a África dentro deste sistema. Estes dois continentes foram explorados pelos europeus, dentro de um contexto conhecido como neocolonialismo. As populações destes continentes, foram dominadas a força e tiveram suas matérias-primas e riquezas exploradas pelos europeus. Eram também forçados a trabalharem em jazidas de minérios e a consumirem os produtos industrializados das fábricas europeias.


O capitalismo é o sistema socioeconômico em que os meios de produção e as mercadorias são predominantemente de propriedade privada. Seu objetivo principal é a máxima obtenção de lucro e acúmulo de riquezas.

Geralmente, as pessoas dividem o capitalismo entre burgueses, que são os proprietários desses meios produtivos (os patrões), e os proletários, que são os trabalhadores da cidade e do campo que vivem à custa de seus salários. Há também, nesse caso, aquelas pessoas que vivem à margem do capitalismo, isto é, não se encaixam nem como burgueses e nem como trabalhadores, como os pedintes, desempregados, miseráveis e outros, assim chamados de “lúmpen proletários”.



O Capitalismo é um sistema em que predomina a propriedade privada e a busca constante pelo lucro e pela acumulação de capital, que se manifesta na forma de bens e dinheiro. Apesar de ser considerado um sistema econômico, o capitalismo estende-se aos campos políticos, sociais, culturais, éticos e muitos outros, compondo quase que a totalidade do espaço geográfico.

A base para formação, consolidação e continuidade do sistema capitalista é a divisão da sociedade em classes. De um lado, encontram-se aqueles que são os proprietários dos meios de produção, a burguesia; de outro, encontram-se aqueles que vivem de sua força de trabalho, através do recebimento de salários: os proletários. No caso do meio agrário, essa relação também se faz presente, pois os donos das terras, geralmente latifundiários, ganham lucros sobre os trabalhos dos camponeses.

Com a era da Globalização, o sistema capitalista tornou-se predominante em praticamente todo o mundo. Porém, as suas fases e etapas de desenvolvimento não ocorrem de forma igualitária na totalidade do espaço mundial, isso porque a sua lógica de produção e reprodução é puramente desigual.




Voltei…após esta overdose de textos vermelhos! Imaginem, a esta altura, a quantas anda a cabeça do aluno que resolveu fazer seu trabalho de Sociologia, naquela terça à tarde chuvosa, após tanto esquerdismo na veia: deve estar com vontade de matar seu pai capitalista opressor a uma hora dessas. Há dez minutos, antes de abrir o navegador, ele ainda achava legítimo estudar, preparar-se para o futuro, almejando conseguir um bom emprego e evoluir como ser humano. Agora, com a retina ainda colorada pela leitura “instrutiva”, já deve estar encomendando a camisa do Che no Mercado Livre – não confundir com livre mercado, este gerador de desigualdade maldito. Tudo bem que ele vai pagar com a mesada obtida junto aos exploradores, mas é por uma boa causa.


Por falar em “el porco”, vejamos, agora, o que dizem os mesmos portais pedagógicos sobre o Socialismo:



O cenário de nascimento do socialismo utópico, a França do início do século XIX, abundavam as crises provocadas pelo avanço do sistema liberal, que produzia miséria em série, proporcionando precárias condições de vida aos cidadãos que então chegavam recentemente do meio rural. A jornada de trabalho absurda e o uso de mão de obra infantil completavam o cenário de horror que a Revolução Industrial criou inadvertidamente.


Nesse ambiente onde as promessas da Revolução Francesa acabaram de certo modo por não se concretizar, onde a única liberdade existente era a de mercado, com o capitalista tendo passe livre para realizar a exploração do trabalhador comum. De tal decepção e frente à uma realidade desesperadora, surgem os questionamentos por parte dos intelectuais. De uma dessas correntes de questionamentos temos a origem do socialismo utópico.


Características do socialismo:

Diferentemente do que ocorre no capitalismo, onde as desigualdades sociais são imensas, o socialismo é um modo de organização social no qual existe uma distribuição equilibrada de riquezas e propriedades, com a finalidade de proporcionar a todos um modo de vida mais justo.

Sabe-se que as desigualdades sociais já faziam com que os filósofos pensassem num meio de vida onde as pessoas tivessem situações de igualdade, tanto em seus direitos como em seus deveres...


Essa transformação seria, segundo os comunistas, realizada por um agente histórico especial: o proletariado, isto é, a massa de trabalhadores, que, ainda segundo os comunistas, deveriam tomar consciência de classe e perceber sua condição de explorado. Ao perceber isso, o proletário estaria pronto para expropriar (retirar a posse) a propriedade privada e os meios de produção (maquinários industriais e tudo aquilo que transforma a matéria-prima em produto) da denominada classe dominante.


No mundo, existem dois tipos de sistema político-econômico: o capitalismo e o socialismo. O sistema capitalista vigora desde o século XVIII. No entanto, no século XIX, o capitalismo não estava agradando aos trabalhadores europeus, em razão da condição de exploração em que viviam. Tal fato fez surgir no continente um sentimento de mudança.
A classe proletária pôde enxergar uma solução no socialismo, que figurava como um acervo de ideias que tinha como objetivo a implantação de um modelo de sociedade mais justa, para extinguir a sociedade de classes, na qual os capitalistas exploram os trabalhadores.


Alguém nutria alguma esperança de que seria diferente? Nem eu. Perceba que, contando com este “material de apoio” disponibilizado por websites camaradas, o professor sequer precisa fazer esforço algum para doutrinar seus estudantes contra o “capital”. Basta ele não contestar aquilo que o aluno irá apresentar aos demais em sala de aula, e está feito o estrago – tudo em nome do social. Ele nem mesmo precisa preocupar-se em direcionar a pesquisa para links avermelhados específicos, pois a tônica é a mesma em todos os demais sites “educativos”.

Mas convenhamos que, levando em consideração o teor das provas do Enem e dos vestibulares, não poderia deixar de ser assim, sob o risco de estes estudantes amargarem resultados vexatórios nos exames. Coxinha não tem vez em instituições públicas de ensino superior – e nem mesmo na maioria das particulares.

E por falar nos fascistas, caso algum deles queira formar uma opinião mais progressista sobre diversos assuntos, é só recorrer aos tais sites de apologia ao estado e ao politicamente correto, digitar na linha de busca e clicar :

(…) As cotas raciais são um modelo de ação afirmativa implantado em alguns países para amenizar desigualdades sociais, econômicas e educacionais entre raças. (…)

(…) No ano de 1955, Ernesto Guevara decidiu enfrentar as desigualdades políticas que assolavam a América Latina se envolvendo com grupos armados – também conhecidos como guerrilhas – que buscavam depor governos que fossem autoritários e que não se preocupavam com as desigualdades sociais. No ano de 1959 alcançou seu maior êxito ao conseguir derrubar o governo de Fulgêncio Batista, que na época presidia Cuba, um dos países mais miseráveis de toda América Central. (…)

(…) Após o estabelecimento de um armistício na região, Israel ocupou novas áreas pertencentes aos palestinos, que ficaram então sem território, pois suas áreas foram novamente divididas. Os judeus ficaram com a Galileia e outras áreas, ao passo em que a Jordânia incorporou a Cisjordânia e o Egito dominou a Faixa de Gaza. Esses acontecimentos tornaram mundialmente conhecida a questão palestina: o caso de uma nação que ficou sem o seu território. (…)

(…) A Igreja não era a única interessada no êxito dessas expedições: a nobreza feudal tinha interesse na conquista de novas terras; cidades mercantilistas como Veneza e Gênova deslumbravam com a possibilidade de ampliar seus negócios até o Oriente e todos estavam interessados nas especiarias orientais, pelo seu alto valor, como: pimenta-do-reino, cravo, noz-moscada, canela e outros. Movidas pela fé e pela ambição, entre os séculos XI e XIII, partiram para o Oriente oito Cruzadas. (…)

Pronto: com um material assim tão farto, só continua “reaça” quem quer, correto?

Implantar na grade curricular disciplinas que ajudariam na vida adulta dos estudantes, como educação financeira e noções básicas de Direito, é uma medida que costuma ser sugerida por pessoas bem intencionadas, mas que não imaginam que absolutamente qualquer matéria pode ser esquerdizada tal qual os conteúdos acima elencados. Daí até começar a lecionar as lições do “mestre” Barroso, alternando com os ensinamentos de John Maynard Keynes, é um pulo. Melhor não, né?

Aliás, reformas de qualquer natureza nos ensinos médios e fundamental surtirão pouco ou nenhum efeito enquanto o material didático das escolas – e até mesmo dos websites que servem de fonte para consulta – seguir enviesado à esquerda de forma tão notória. Neste contexto, perceba que até mesmo pais que pretendessem adotar o homeschooling (educar as crianças em casa, possibilidade proibida no Brasil) ficariam reféns destas páginas virtuais, sendo necessário, no caso, encomendar livros específicos voltados ao conservadorismo ou ao liberalismo. Aliás, aproveitando o ensejo: isto existe?

A adolescência é um período crucial na formação do caráter do indivíduo, e definirá boa parte de seus conceitos a respeito do mundo. Saindo da formatura “batizado” com uma carga tão alta de marxismo, pouco poderemos fazer por esta pessoa a partir dali – para a alegria de PT, PSOL, da UNE, das ONGs, dos Sindicatos, MST e MTST. E de “refugiados” islâmicos. E de feministas. Poxa, até que bastante gente fica contente.

Se até tempos recentes o jornalismo ainda era monopólio da esquerda, este paradigma foi rompido por produtores independentes, distribuídos entre blogueiros, youtubers, twitteiros e afins – para desespero da mídia tradicional, cujos principais veículos estão minguando por falta de audiência e cujo último suspiro é a pataquada da “pós-verdade” ou fakenews (que pode ser traduzida como “queremos nossa reserva de mercado de volta já!”). Ora, se a Internet fez às vezes de “Uber” do setor de Comunicação, não é possível que não haja tantas outras pessoas de direita dispostas a se engajar na elaboração de material didático sem o carimbo da foice e do martelo.

Observação importante: se você leu os trechos em vermelho e não viu nada demais no que pode estar entrando na cabeça do seu filho neste exato momento, cuidado, pois você mesmo deve ter sido vitimado por este mal disseminado peloinFOICEscola.com e por outras ciladas do gênero. Neste caso, relaxe, ligue 190 e aguarde a polícia chegar – e quando ela parar em frente a sua casa, nem pense em gritar “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar”, hein? Comporte-se, comuna!


(*) Ricardo Bordin: Atua como Auditor-Fiscal do Trabalho, e no exercício da profissão constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde NÃO são os empreendedores. Formado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) como Profissional do Tráfego Aéreo e Bacharel em Letras Português/Inglês pela UFPR. Também publica artigos em seu site:https://bordinburke.wordpress.com/
Fonte: Instituto Liberal

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Lições da América





por Antonio Barreto(*)




Há uma espécie de concurso entre as elites europeias e americanas de esquerda: quem insulta mais Donald Trump?(*) Quem consegue escolher os epítetos mais violentos? Racista, boçal, cretino, sexista, corrupto, inculto e xenófobo estão entre os mais utilizados. Isto para além das classificações brandas de fascista e populista.

No entanto, o problema não é o de qualificar Trump nem de sublinhar a sua incultura e a sua falta de sofisticação. O problema consiste em saber por que razão foi eleito. Contra a opinião sondada e publicada, este senhor foi escolhido por 60 milhões de americanos que, creio, não são todos racistas, machistas, bandidos, milionários, fascistas e corruptos. E, se fossem, a questão era ainda mais difícil: como é possível que houvesse tantos assim?

O problema não é o de classificar os defeitos de Trump e seus apoiantes nem de mostrar como são violentos, intolerantes, xenófobos e déspotas. O problema é o de saber por que razões perderam os virtuosos, os democratas, os liberais, os intelectuais, os jornalistas e os artistas. O problema é o de saber por que razão os pobres, os desempregados e os marginalizados não votaram em quem deveriam votar, isto é, em quem pensa que a solidariedade, a segurança social, o emprego e a igualdade são exclusivos dos democratas e das esquerdas.

As esquerdas em geral, incluindo artistas, intelectuais, jornalistas, liberais americanos e progressistas europeus, não suportam não ter percebido nem ter previsto o que aconteceu. Como não admitem que são, tantas vezes, responsáveis pelas derivas políticas dos seus países.

Já correm pelo mundo explicações fabulosas sobre estas eleições. As mais hilariantes são duas. Uma diz que, além dos machistas e dos racistas, votaram em Trump os analfabetos, os desesperados, os marginalizados pelo progresso, os desempregados e os supersticiosos. A outra diz que o fiasco das sondagens, dos estudos de opinião e dos jornalistas se deve ao facto de os reaccionários terem vergonha de dizer em quem votariam! Por outras palavras: quem não presta votou em Trump e quem votou em Trump enganou-nos!

Tal como os democratas em geral, as esquerdas atribuem sempre as culpas das suas derrotas aos defeitos dos outros, da extrema-direita, dos ricos, dos padres, dos fascistas, dos proprietários, dos patrões, dos corruptos e agora dos populistas. Não pensam que os culpados são ou também são eles, os democratas, ou elas próprias, as esquerdas. Raramente se dão conta de uma verdade velha, com dezenas de anos, mas sempre esquecida: as democracias não caem por serem atacadas, não são derrubadas pelos seus inimigos, caem por sua própria responsabilidade, porque enfraquecem, porque se dividem, porque perdem tempo e energias com quezílias idiotas e porque deixam que o sistema político perca de vista as populações. Também, finalmente, porque acreditam nas suas virtudes, porque confiam na sua racionalidade e porque consideram que têm o exclusivo da bondade e da compaixão.

As esquerdas (nas suas versões americana e europeia) apresentam-se cada vez mais como uma soma de sindicatos e de clientelas: mulheres, negros, operários da indústria, desempregados, pensionistas, homossexuais, artistas, intelectuais, imigrantes, latinos ou muçulmanos. Todas as minorias imagináveis, incluindo as mulheres que o não são. Às vezes, resulta. Mas acaba sempre por não resultar. As esquerdas abandonaram as ideias e os direitos universais dos cidadãos e valorizam as suas circunstâncias étnicas, sociais ou sexuais. Como também abandonaram a capacidade de pensar a identidade nacional, entidade ainda hoje vigorosa e reduto de referências pessoais e culturais.

Acima de tudo, a arrogância e a superioridade moral, cultural e política das esquerdas têm destes resultados: afastam-nas do povo e favorecem os inimigos da democracia.

(*) O autor evidentemente por ser europeu não mencionou, mas esse fenômeno também acontece com os esquerdistas tupiniquins espalhados pelas redações de jornais, telejornais, blogs, vlogs e detentores de páginas em redes sociais; dentre esses podemos destacar Reinaldo Azevedo, Ucho Haddad, Caio Blinder, William Waack e tantos outros que sequer escondem que fazem uma verdadeira torcida para que tudo desmorone, ao mesmo tempo em que JAMAIS citaram fatos escabrosos ocorridos no governo Obama. Nunca citaram o vergonhoso financiamento de abortos promovido pelo governo Obama e que sua secretária de estado  - pró ISIS - e candidata, Hillary Clinton colhia os frutos dessa parceria recebendo vultosas quantias para a sua campanha. Blogando Francamente

Publicado no Diário de Notícias, de Portugal.
Divulgação: Papéis Avulsos - www.heitordepaola.com



domingo, fevereiro 19, 2017

Fui escrava sexual do Estado Islâmico






por Maria Laura Neves (Revista Marie Claire)(*)



Nadia Murad levava uma vida simples No interior do Iraque, até que foi sequestrada pelo grupo terrorista e passou três meses sob o comando dos extremistas. Depois de ver sua família ser brutalmente assassinada, foi torturada e estuprada. Conseguiu fugir até a Alemanha, onde vive. E, desde então, passou a viajar o mundo para denunciar crimes cometidos pelos radicais islâmicos. Em entrevista à Marie Claire, ela dá detalhes de sua história de sobrevivência e militância, que acaba de lhe render uma aliada poderosa: a advogada britânica Amal Clooney (esposa do ator George Clooney)

Fazia sol e a temperatura girava em torno dos 18 graus ao meio-dia, hora em que encontrei Nadia Murad, 23 anos, no jardim do Palazzo delle Stellini, hotel onde estava hospedada em Milão. Depois de meses de negociação, consegui um horário na agenda da iraquiana, na Itália, onde ela era convidada para palestrar em um festival de direitos humanos. Com os braços e pernas cobertos, os cabelos longuíssimos, o olhar triste e os passos lentos, esboçou um sorriso ao me cumprimentar, mas não me olhou nos olhos. A apatia mostrava o quão desconfortável estava em relembrar sua história. Durante a hora que se seguiu, me contou sobre o assassinato brutal de sua mãe, irmãos, sobrinhos, o extermínio de sua comunidade, a tortura e os estupros a que foi submetida durante três meses. Antes de começar, sugeriu que conversássemos ali mesmo, sentadas na grama alta do pátio do hotel, a céu aberto. “Ela tem saudades do calor  do nosso país", explicou uma amiga conterrânea que segurou a mão da jovem durante toda a entrevista.

Nascida na região do Monte Sinjar, no norte do Iraque, Nadia só fala kurmanji, o dialeto local. Ela é membro da etnia yazidi (*), um dos maiores inimigos do Estado Islâmico (EI) no Oriente Médio. Por não seguirem Alá, os yazidis viraram alvo de sua fúria. Desde 2013, o EI faz investidas contra as minorias religiosas do Iraque e da Síria porque consideram infiéis os seguidores de outras crenças. Nesses ataques, matam homens e mulheres casadas e sequestram meninas para torná-las escravas sexuais.


Yazidis: Minoria que faz parte da etnia curda, mas se diferem da maioria por sua religião, que mistura várias tradições e era praticada pela maioria dos curdos até a expansão do islamismo, durante a Idade Média. Os yazidis acreditam em reencarnação e não seguem nenhum livro sagrado. Creem que Deus colocou a Terra sob a proteção de sete divindades (anjos), sendo o principal deles Malek Taus, o Anjo-Pavão, o mesmo nome que o Alcorão dá a Santanás. Por isso, são chamados de “adoradores do diabo” pelos muçulmanos e foram perseguidos por séculos e hoje o são pelos radicais. Nos últimos anos, o EI expulsou milhares de yazidis de seu reduto, a cidade de Sinjan, no Norte do Iraque. Parte deles está recebendo treinamento bélico no Curdistão. Além do EI, sua população também luta contra a sede, a fome e o calor.


Foi o que aconteceu com Nadia em agosto de 2014, quando viu sua família ser dizimada por um grupo de criminosos. Depois de três meses nas mãos da milícia, conseguiu fugir. Hoje, vive na Alemanha, em um campo de refugiadas yazidi, todas ex-escravas do grupo terrorista. Por medida de segurança, a localização do abrigo não é divulgada, mas sabe-se que se encontra nos arredores de Stuttgart. Livre, passou a viajar o mundo dando palestras e fazendo reuniões com políticos da Europa e dos Estados Unidos para chamar atenção para o genocídio que o Estado Islâmico está cometendo contra seu povo. Mais de 5 mil yazidis já foram assassinados e 2 mil meninas ainda estão sob o domínio do grupo.


A militância lhe rendeu a indicação ao prêmio Nobel da Paz de 2016 e o cargo de embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas. Também figura na última edição da lista das cem pessoas mais influentes do mundo da revista americana Time. Em setembro, a advogada especializada em direito internacional Amal Alamuddin Clooney, mulher de George Clooney, passou a representar Nadia na Corte Internacional de Justiça da ONU, em Haia, na Holanda. Com isso, colocou o genocídio na pauta das Nações Unidas. Em uma conversa entrecortada, em que Nadia e seu intérprete, Murad Ismael, também refugiado yazidi que a acompanha em viagens, interromperam, emocionados, a entrevista algumas vezes, ela contou à Marie Claire os detalhes de sua história de sobrevivência e o que a motiva a lutar.

Confira os principais trechos a seguir. A íntegra você confere na edição que chega às bancas no dia 1º de novembro

Marie Claire - Quando conheceu o Estado Islâmico?
Nadia Murad - A primeira vez que os vi foi quando tiraram os cristãos assírios de suas terras, no nordeste do Iraque, em 2013. Muitos se mudaram para a parte curda do país, onde eu vivia.

Amal Clooney e Nadia Murad na ONU


MC E qual foi seu primeiro contato com esses terroristas?
NM Foi quando tomaram nossa cidade. Dias antes, os vi na televisão, em uma reportagem. Fiquei com medo, estavam vestidos de preto, eram muito assustadores.

MC Seu vilarejo, Kocho, esperava ser atacado?
NM Não acreditávamos que isso aconteceria. Mesmo que eles estivessem percorrendo o Monte Sinjar [onde vivem os yazidis], não imaginávamos que nossos homens seriam assassinados e as mulheres e crianças sequestradas da maneira que foram.

MC Onde você estava quando tudo aconteceu?
NM Na noite de 3 de agosto estava em casa, dormindo. Minha mãe me acordou dizendo que o Estado Islâmico tinha atacado os yazidis no Sinjar. Começamos a nos preparar para fugir, mas não tivemos tempo. Logo chegaram e controlaram nosso vilarejo, tomaram as ruas. Kocho ficou tomado do dia 3 ao dia 15 de agosto. Durante esse tempo, o mundo inteiro sabia que havia quase 1.800 pessoas sitiadas, mas ninguém tentou nos ajudar. Nem o governo do Iraque, nem os curdos, nem o Ocidente. Além disso, os vilarejos vizinhos eram muçulmanos [e apoiadores do EI] e não nos abrigariam se pedíssemos ajuda.

MC Como foi a chegada deles?
NM Eram muitos homens, centenas, que chegaramem caminhões e escavadoras. Estavam muito armados, alguns mascarados e falavam línguas diferentes. Vieram mesmo para matar.

MC E o que se passou depois?
NM Primeiro roubaram todas as nossas coisas: dinheiro, joias, celulares e documentos. Até 15 de agosto, ficamos em casa – eles estavam rondando a cidade. Nesse dia, às 11h da manhã, nos levaram para a escola do vilarejo. As mulheres e crianças ficaram no andar de cima e os homens no de baixo. Fiquei com as minhas irmãs, minha mãe e sobrinhos. Depois, pegaram os homens e levaram para um terreno não muito longe dali, os encapuzaram e os mataram um a um. Nós vimos toda a cena da escola. Depois, pegaram as mulheres e as crianças e levaram para um centro de treinamento deles, no Solar do Sinjar.

MC Quandofoi a última vez que você viu sua mãe?
NM [suspira] Nesse dia, no Solar do Sinjar. Estava sentada na porta do centro e vi minha mãe dentro de um caminhão vermelho. Ela estava muito assustada, em pânico, porque estavam dirigindo muito rápido.

MC O que aconteceu com ela?
NM Naquela mesma noite, eles levaram para outro cativeiro, em Mosul. Algumas meninas que continuaram no Sinjar disseram que, naquela noite, eles pegaram 80 mulheres e 12 crianças e as obrigaram a andar. Depois, ouviram os tiros. Quando o Sinjar foi retomado, encontraram uma grande cova com 80 mulheres. Nós achamos que elas foram assassinadas.

MC Você foi vendida em Mosul?
NM Sim. Fiquei três dias em outro centro do EI, com minhas sobrinhas em uma sala – minhas irmãs estavam no mesmo prédio, mas não comigo. Havia marcas de mãos com sangue nas paredes do banheiro, feitas por mulheres que tentaram se matar. Como eu era a mais velha – as sobrinhas tinham 13 e 15 anos –, elas me viam como uma protetora. Quando eles [os compradores] chegaram, elas se agarraram a mim. [pausa e chora]

MC Quer interromper a conversa?
NM [suspira e enxuga as lágrimas] Não, tudo bem, vamos seguir.

MC O que aconteceu então?
NM Primeiro chegou um homem que queria me levar. Ele era muito grande, gordo, com barba e cabelos compridos. Fiquei com muito medo. Me atirei aos pés de outro homem que estava com ele, implorando que me levasse. Esse segundo homem, que era um comandante, um líder entre os terroristas, me pegou. Mas o homem grande levou minhas sobrinhas com ele [pausa]. Ele mandou eu esperar no jardim porque ainda havia 18 meninas que estavam sendo vendidas. De lá, podia ouvir os gritos de desespero delas. Naquela noite, 63 mulheres foram distribuídas aos terroristas, as mais novas tinham 9 e 10 anos.

MC Você sabe o que houve com as meninas da sua família?
NM [suspira] Não no momento. [O tradutor interrompe a entrevista para dizer que Nadia vive com uma irmã na Alemanha e que duas semanas antes ela ficou sabendo que uma de suas sobrinhas tinha morrido nas mãos do EI, ao tentar fugir do cativeiro, e que a outra ficou gravemente ferida, com o rosto desfigurado, em uma explosão. Ele pede que Marie Claire não entre nos detalhes dessa história porque Nadia não conseguiria se recuperar da emoção.]

Amal Clooney discursando na Assembleia Geral da ONU, depois da nomeação de Nadia Murad como Embaixadora da Boa Vontade, disse estar “envergonhada como ser humano” por se continuar “a ignorar o pedido de socorro” daqueles que sofrem às mãos do Estado Islâmico, nomeadamente da etnia yazidi de que a jovem iraquiana faz parte.


MC Para onde você foi levada?NM Para a casa desse comandante. Ele tinha uma família, que não conheci. Numa noite escura, ele me obrigou a me vestir e me maquiar e fez o ato [sexo]. Mas nós, escravas sexuais, não pertencíamos a eles como indivíduos. Sempre nos diziam que éramos propriedade do Estado Islâmico. Depois de nos sequestrar e estuprar, eles nos passavam para outra pessoa.

MC Você tentou fugir antes de finalmente conseguir escapar?
NM Sim, pulei de uma janela alta. Na primeira vez, fui capturada.

MC Foi castigada?
NM Sim. Eles me colocaram em um quarto escuro com seis homens, me bateram e estupraram. E continuaram praticando crimes comigo até mesmo quando estava inconsciente.

MC Como conseguiu fugir?
NM Um dos homens esqueceu a porta destrancada. Corri para longe. A maioria das casas próximas aos centros do EI é de seus apoiadores. Essas famílias têm luz elétrica, que é fornecida pelos terroristas. A casa onde pedi ajuda estava escura. Eles me abrigaram e é só por isso que estou aqui hoje. Num primeiro momento, me deram um telefone e disseram que podia ligar para quem eu quisesse. Depois, me ajudaram a atravessar a fronteira.

MC Algum terrorista mostrou arrependimento ou pena? 
NM Não vi nenhum sinal de humanidade neles. Eles nos viam como as filhas dos infiéis, as escravas do califado.

MC Como você vê o fato de jovens ocidentais, de países desenvolvidos, entrarem para o Estado Islâmico por vontade própria? O que buscam?
NM Eles não sabem como é a vida dos terroristas de verdade. Vão em busca de mulheres e poder, mas não sabem que a realidade é muito dura.

MC Pode descrever como era sua vida antes do ataque?
NM Meu pai tinha duas mulheres, No total teve 18 filhos, 13 da minha mãe. Ele morreu em 2003, de ataque cardíaco. Não éramos miseráveis, éramos financeiramente pobres, mas tinamos uma vida boa e feliz. Nossa casa era feita de terra, porque não tínhamos dinheiro para comprar concreto. Alguns dos meus irmãos trabalhavam como militares e também tínhamos uma marcenaria. Minha mãe tinha uma criação de animais dos quais tirávamos alimentos.

MC Você ia para a escola?
NM Sim. Eu adorava as aulas de história e de artes. Faltava uma ano para terminar o colegial quando tudo aconteceu. Queria ser professora de história e ter um salão de beleza porque gosto muito de moda e maquiagem.

MC Você ainda tem parentes nas mãos dos terroristas?
NM Sim. Irmãs, cunhadas e sobrinhos. Também tenho irmãos que moram em campos de refugiados no Iraque.

MC Quais são seus planos para o futuro?
NM Não tenho planos. Vou continuar passando a mensagem do povo yazidi ao mundo.

(*)Entrevista publicada na Revista Marie Claire de Novembro de 2016, edição número 308.

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Você é a favor da restrição à imigração? E o caso do Líbano?








por Adolfo Sashida(*)



Os livros texto de economia são unânimes em afirmar que migração é bom para o crescimento econômico. Tecnicalidades deixadas de lado, o fato é que uma política de liberdade total para migração é equivalente a uma abertura econômica completa e unilateral. Em outras palavras, os manuais de economia são contrários a restrições impostas ao fluxo migratório internacional. Claro que isso não quer dizer que todos ganham com a entrada de estrangeiros, certamente alguns grupos ou regiões tem perdas, mas quer dizer apenas que os ganhos que a migração traz para a sociedade como um todo compensam as perdas localizadas.

O exemplo mais óbvio de uma política migratória bem sucedida são os Estados Unidos – e sua política migratória extremamente benevolente dos séculos XVIII, XIX, e boa parte do século XX. É inegável que boa parte da riqueza, e do desenvolvimento econômico americano, foi gerada por migrantes de outras nacionalidades que encontraram nos Estados Unidos um ambiente favorável e aberto a migração.

Um exemplo menos conhecido é o caso do Líbano. Poucos sabem, mas o Líbano era um dos países mais prósperos do Oriente Médio até o começo da década de 1970. A prosperidade lá era tal que o Líbano era chamado de “Suíça do Oriente”, e sua capital Beirute era conhecida por ser a “Paris do Oriente Médio”. A guerra civil no Líbano (1975-90) acabou com toda essa prosperidade. A guerra começou por causa dos conflitos entre cristãos e muçulmanos. A criação de acampamentos palestinos no sul do Líbano em 1970, com o consequente aumento da imigração palestina, fortaleceu a posição muçulmana, e o Líbano deixou de ser um país majoritariamente cristão. A política migratória do Líbano, que facilitou a entrada massiva de muçulmanos, é comumente apontada como a causa da guerra civil que levou a ruína desse país.

Qual será então a grande diferença entre EUA e Líbano? Ambos tiveram uma política favorável a migração. Mas enquanto os EUA se beneficiaram da migração, o Líbano foi destruído por uma guerra civil gerada pelo influxo de migrantes. Em minha modesta opinião, o problema todo refere-se ao migrante aceitar ou não se submeter as regras e a cultura do país para onde migra.

Talvez o fluxo de migrantes atuais, muitos refugiados de zonas de conflito, sejam em sua maioria pessoas que tem dificuldade de interagir com uma cultura onde a mulher é tratada em pé de igualdade com o homem, se isso for verdade é necessário limitar tal tipo de migração. Todo migrante deve entender seis regras básicas do mundo ocidental:

a) a mulher não é submissa ao homem; 
b) a homossexualidade não é punida e nem discriminada pela lei; 
c) uma mulher que usa maquiagem, mostra o rosto, ou usa saia não é uma prostituta; 
d) é o migrante que deve se adequar ao país, e não o contrário; 
e) a lei que vigora é a Constituição; e 
f) existe uma clara separação entre os poderes executivo, legislativo e judiciário (a autoridade religiosa não é um poder e nem tem força de lei). 

Se temos dúvidas que os migrantes serão capazes de respeitar esses seis postulados básicos, então o bom senso recomenda restringir a migração.



(*)Adolfo Sachsida

Doutor em Economia (UnB) e Pós-Doutor (University of Alabama) orientado pelo Prof. Walter Enders. Lecionou economia na University of Texas - Pan American e foi consultor short-term do Banco Mundial para Angola. Atualmente é pesquisador do IPEA. Publicou vários artigos nacional e internacionalmente, sendo de acordo com Faria et al. (2007) um dos pesquisadores brasileiros mais produtivos na área de economia.
Fonte: Instituto Liberal

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

EUA: Está na hora do impeachment de juízes




Esse artigo, em muitos aspectos, parece demais com o que acontece no Brasil. 
por Cliff Kincaid(*)




Ela o elogiou e ele prestou homenagem em seu funeral, mas parece que o presidente Donald Trump não leu o livro de Phyllis Schlafly'The Supremacists: The Tiranny of Judges and How to Stop It'. Em vez de simplesmente twittar seu desgosto com decisões contra sua ordem executiva de imigração, Trump e seus conselheiros deveriam ler o livro, especialmente o Capítulo 15. Ele oferece uma série de medidas, incluindo o impeachment, para deter juízes tirânicos.

Originalmente publicado em 2004, o livro está disponível como download gratuito no site do Eagle Forum de Schlafly.

É uma bagunça, uma confusão completa, é o que Trump pode dizer das decisões contra sua ordem executiva. Mas, como presidente, ele pode fazer algo em relação a isso. No entanto, ele simplesmente emitiu uma série de tweets, uma das últimas destacando que os estrangeiros "perigosos" estão sendo autorizados a entrar nos EUA por causa das decisões judiciais. Mas desde quando os juízes decidem as políticas estrangeiras ou de imigração dos Estados Unidos? Onde está escrito em lei ou na Constituição?

Dois estudiosos conservadores, Dr. John C. Eastman e Hans von Spakovsky, explicaram claramente como as decisões judiciais contra a ordem não são baseadas em lei ou na Constituição. O que falta é um esforço da administração e do Congresso para remover ou restringir o poder de juízes tirânicos que apresentam suas próprias opiniões pessoais esquerdistas como expressões dos fatos e da lei.

Em assuntos como este, os meios de comunicação têm o cuidado de esboçar os limites da opinião legal aceitável. Assim, é assumido em grande parte da cobertura e comentários que Trump não tem outra opção senão cumprir as decisões judiciais. Nada poderia estar mais longe da verdade, como explica o livro de Schlafly.

Em sua coluna, Eastman escreve:

"... a noção de que um único juiz do tribunal federal pode assumir a responsabilidade de determinar a segurança nacional e a política de imigração, diante das determinações explícitas feitas pelo presidente com o total apoio da lei realmente adotada pelo Congresso, está tão além do papel judicial que representa uma séria ameaça, não apenas para a nossa segurança nacional, mas para o Estado de Direito".

O colunista JB Williams argumenta que o novo chefe do Departamento de Segurança Interna de Trump, o general John F. Kelly, parecia estar recebendo ordens de juízes não eleitos em vez do Comandante-em-Chefe quando emitiu uma declaração prometendo "conformidade" com a ordem judicial . Isso constituiu um "motim" contra o presidente, argumentou Williams. Kelly sabe "que a ordem emitida por Trump é legal e necessária para a segurança dos Estados Unidos e que o Comandante-em-Chefe tinha toda a autoridade para emitir essa diretiva”.

Trump e seus conselheiros deveriam ler o livro de Schlafly para entender o dano que já foi feito por esses juízes tirânicos.

Advogada que escreveu mais de uma dúzia de livros, Schlafly enumerou muitos exemplos de como os juízes reescreveram a Constituição, observando como eles:

Censuraram o Pledge of Allegiance (Juramento de Lealdade) nas escolas públicas

Removeram os Dez Mandamentos de escolas públicas, prédios e parques

Mudaram a definição de casamento

Proibiram a menção de Deus nas escolas públicas, nas formaturas e nos jogos de futebol

Criaram impostos e gastos com o dinheiro dos contribuintes

Leis reescritas de procedimentos criminais

Leis desmanteladas que protegem a segurança interna e

Referendaram as políticas de quotas raciais para contratação e admissões universitárias

Schlafly escreveu:
"O câncer da supremacia judicial não irá embora até que o povo americano se levante e a repudie. É hora de o povo americano notificar seus representantes eleitos, federais e estaduais, que é sua missão restaurar a Constituição com seu equilíbrio adequado entre os três ramos do governo federal. Devemos salvar o autogoverno da regra dos juízes. Todo o futuro da América depende disso".

O futuro é agora. O povo americano não precisa esperar que o juiz Neil Gorsuch ou outros sejam confirmados para a Suprema Corte para que esse problema seja corrigido. O Presidente e o Congresso podem, e devem, agir agora.

Os passos de Schlafly para encerrar a tirania dos juízes e restaurar o autogoverno constitucional incluem:

Reformar as regras do Senado para que os liberais não consigam derrotar os candidatos constitucionalistas ao obstruir e impedir que o Senado vote;

Limitar o poder dos supremacistas judiciais ao legislar exceções de jurisdição das Cortes;

Proibir o gasto de dinheiro federal para impor decisões abusivas proferidas por supremacistas judiciais;

O Congresso deve levar a impachment os juízes federais que fazem sentenças ultrajantes que não têm base na Constituição e

O Congresso deve proibir os tribunais federais de se basear em leis estrangeiras, regras administrativas ou decisões judiciais.

O colunista J.B. Williams pergunta-se se Trump está realmente preparado para esta tarefa. Ele pergunta se o presidente tem a espinha dorsal para lutar e derrotar esses ativistas anti-americanos nos tribunais, a fim de "drenar este pântano". Ele então pergunta: "Seus nomeados, como o General Kelly e Jeff Sessions, realmente têm o que é necessário para colocar esses ativistas ilegais em seu lugar e devolver este país à regra do direito constitucional"? 

Em sua declaração sobre sua morte, Trump chamou Phyllis Schlafly "um ícone conservador que levou milhões à ação, remodelou o movimento conservador e lutou destemidamente contra o globalismo e os "criadores de reis", em nome dos trabalhadores e das famílias dos Estados Unidos."Os conselheiros de Trump devem comprar ou baixar cópias do livro e fornecê-los aos membros do Gabinete e membros do Congresso. O livro descreve como o presidente pode ir além de Tweets na contenção do poder dos juízes tirânicos.

Se Trump e seu gabinete estiverem falando sério sobre drenar o pântano, escreve J.B. Williams, a esquerda deve ser impedida de usar juízes ativistas para frustrar as tentativas de Trump de assegurar os EUA e fazer cumprir nossas leis. "Ou então," ele escreve, "a ideia de drenar este pântano é uma piada!"

Trump está agora em posição de confrontar os "criadores de reis" nos tribunais. Mas ele deve fazer mais do que twitar sua desaprovação deles. Em suas palavras, eles são chamados juízes. Mas reconhecer sua autoridade ao apresentar outro conjunto de recursos não é a resposta. Ele deve procurar sua remoção das Cortes.


Publicado no Accuracy In Media.

Tradução e divulgação: Papéis Avulsos - www.heitordepaola.com


(*)Cliff Kincaid - Clifford P. Kincaid, Jr., known as Cliff Kincaid (born 1954),[1] is a journalist, author, and conservative political activist currently based in Owings in Calvert County, Maryland. He is the director of the Center for Investigative Journalism of the watchdog organization, Accuracy in Media, which claims much of the American media is biased toward liberal candidates and policy positions. Kincaid has also written for such publications as Human Events, a former national weekly newspaper since converted to a website.[2]

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Se brancos impedissem negros de fazer “apropriação cultural”, eles não poderiam nem ir ao banheiro







por Flavio Morgenstern




A última moda entre frescurentos de Facebook, que aprendem revolução em faculdades de extrema-humanas, é acusar brancos de praticar apropriação cultural quando estes utilizam algo da cultura negra. O que até a sadia era pré-Twitter era prova de não ser racista, agora “ofende” supostos negros usuários de internet e outras drogas mais pesadas, incluindo ciências sociais e Porta dos Fundos.

Seria apropriação cultural usar dreadlocks no cabelo ou turbante na cabeça. E seria apropriação cultural ouvir rap. Outras formas de apropriação cultural não costumam ser elencadas no balaio e não viram ensejo para chiliques porque alguns negros dependem delas, como comprar artesanato com cores da bandeira da Jamaica em feiras hippie.

São comportamentos que mostrariam que brancos, em países de clara (ops!) integração como América e Brasil, respeitam e até tomam para si contribuições culturais dos negros. Há brancos que acreditam em orixás e comem acarajé, e isso sempre foi motivo de orgulho para vários negros que comungam de tais culturas (no plural). Mas, para um pensamento achatadíssimo, que enfiou toda a complexidade da realidade no funil do machismo-homofobia-racismo (para logo chamar de “fascismo” justamente o que é seu perfeito oposto), é preciso encontrar evidências de “racismo” por aí justamente onde elas menos são prováveis (se não inventassem essas coisas, como alguém conseguiria continuar sendo de esquerda nesta década?). Os escolhidos para serem imolados no altar do sacrifício desta vez foram justamente os brancos que mais demonstram respeito e admiração pelos negros e sua cultura.



O modus operandi é racistíssimo: crê não apenas que cor de pele é “raça” (uma impossibilidade absoluta no país da miscigenação) e que culturas são definidas por tais cores (qualquer cultura transcende um indivíduo e um povo), como ainda ordena que cada suposta “raça” aja acorrentada aos liames do que seus próprios antepassados genéticos produziram, sem transcender um milímetro.


A tese da “apropriação cultural” seria então um suicídio da esquerda, uma última tentativa desesperada de gritar “Racismo!!!” para um mundo que cada vez mais está se lixando para raças. Afinal, ao levar a tal perigosíssima apropriação cultural a sério, o que sobraria para os negros aproveitarem da cultura ocidental, essa cultura supostamente “branca”?

Das universidades aos antibióticos, da filosofia ao avião, do alfabeto latino ao Facebook e seus textões, das grandes navegações à universalidade de direitos, da cerveja ao microfone que o Carlinhos Brown usa (sem falar na escala ocidental e na representatividade política), tudo isso, se for visto pela imbecil ótica da cor da pele, foi inventado por “brancos”.

Como é que negros, falando português ou inglês (línguas européias), postam no Facebook (inventado por um judeu, parte de um povo outrora perseguido e escravizado por africanos no Egito), usando notebooks (inventados por brancos) que estão ofendidos porque algum branco fez dreadlocks (essa palavra é do yorubá ou do zulu?!?) no cabelo, e portanto deve sofrer sanções políticas (invenção grega) por isso? A própria idéia de “racismo” é um constructo intelectual “branco”, devidamente apropriado por aí.

Se cada cultura ficar em seu quadrado, não sobrará aos negros, ainda mais aos brasileiros, muito além de cantar funk (mas rebatizem a parada) e negociar escravas sexuais tomadas de outras tribos, que por ventura poderão ser vendidas a algum espertalhão eurodescendente. É exatamente isso o máximo que a esquerda tem a oferecer aos oprimidos hoje em dia. Se os racistas da segregação racial exigiam que negros ficassem de pé no fundo do ônibus, os racistas negros da apropriação cultural exigirão que os negros… fiquem sem ônibus.

A estupidez é tão estúpida que ultrapassa as raias de qualquer ridículo anteriormente proposto por comunistas e progressistas para explicar o mundo, até a propaganda anti-colonial (que crê até hoje ser terrível que a Inglaterra tenha dado suas maravilhosas leis a quem resolvia conflitos tribais no tacape antes delas) ou o estupidíssimo “multiculturalismo”, pronto para transformar várias culturas em uma única, em nome da “variedade”: como não notar a incongruência de acusar alguém de “apropriação cultural” e defender o multiculturalismo na linha seguinte? E quer apostar quanto que os racistas 2.0, de fibra óptica em mãos, acham racista o veto de imigração a países muçulmanos que querem islamizar a América? A capacidade de extrair uma conclusão coerente de duas premissas básicas evaporou-se de mimizentos de 140 caracteres.

O desespero com um grito incongruente, a ser repetido por modistas abobalhados incapazes de trabalhar dois bites de informação no cerebrinho, é confessado pela preocupação gritante com brancos que usam turbantes (uma invenção persa, definitivamente imperdível para a humanidade — como vamos viver sem essa merda?). Por que os patrulheiros e guerrilheiros da justiça social não gritam contra “apropriação cultural” quando brancos admiram Machado de Assis, Thomas Sowell, Cruz e Souza, Santo Agostinho, Lima Barreto, Walter Williams, Gonçalves Dias, Derek Walcott? Será que esse negócio de ler é muito “branco” para a mimimisofera de plantão?



Fonte: sensoincomum.org.

domingo, fevereiro 12, 2017

Desmilitarização da PM: a quem interessa?







por Flavio Gordon






Nenhuma palavra ou ideia — sobretudo ao se tratar de uma proposta política de mudança radical — deve ser analisada como se pairasse num vácuo. Em termos puramente ideais e abstratos, a noção de desmilitarização das polícias talvez até fizesse algum sentido. Afinal de contas, não é estritamente necessário (e, sob certas circunstâncias, talvez nem mesmo desejável) que um corpo profissional responsável por manter a ordem pública e o cumprimento da lei esteja organizado nos moldes de um exército, ou seja, para a guerra.

Mas é preciso ir além do significante “des-mi-li-ta-ri-za-ção” — cuja sonoridade, para muitos, parece trazer à mente a canção Imagine, de John Lennon, e as imagens idílicas de um mundo sem armas, sem violência, sem hierarquias; um mundo de paz, amor e campinas verdejantes — em busca do significado concreto assumido pela referida proposta na nossa presente situação (que, a propósito, não é das melhores).

É preciso lembrar, antes de mais nada, que estamos no Brasil, país campeão mundial em número absoluto de homicídios. País no qual os criminosos são mais “militarizados” que a maior parte dos exércitos do planeta. Vivemos, de fato, em estado de guerra, com estatísticas de guerra, e dramas humanos típicos de situações de guerra. Num tal contexto, nada mais normal que nossas forças policiais sejam regidas por uma lógica militar.

Em segundo lugar, e sobretudo, é preciso refletir profundamente sobre quem defende a desmilitarização no país, ou seja, sobre quais são exatamente os seus principais entusiastas.




Basta fazer a pergunta para constatar tratar-se da mesma turminha, tão nossa conhecida, que chama arrastão de “reação dos desfavorecidos contra a elite”. Que defende o psicopata Champinha contra a “loirinha de classe média alta com nome estrangeirado” (sic), sua vítima. Que acusa a polícia de ser racista e genocida. Que é contra o policiamento ostensivo e o encarceramento de marginais. Que pede “menos polícia e mais cultura”, como se uma coisa pudesse substituir a outra. Que acusa a vítima de assalto de ter cometido “crime de ostentação”. Que mobiliza mundos e fundos para defender black blocs. Que “é do Levante” e “está com Maduro”. Que sonha em meter uma bala na cabeça dos “conservadores”. Que invade e destrói a sala de um professor de que discordam, rabiscando na parede a frase “Stálin matou foi pouco”. Que cassa a palavra de um debatedor e em seguida o agride covardemente na base do 30 contra 1. Que xinga a dissidente cubana Yoani Sanchez de vendida e agente da CIA, esfregando-lhe notas de dólares no rosto. Que deseja abertamente o estupro da jornalista Rachel Sheherazade. Que mata cinegrafista com disparos de rojão. Que enfia crucifixos no ânus e quebra imagens sacras. Que vomita, berra e se debate quando contrariada. Que faz troça da expressão “gente de bem”, como se a diferença substantiva entre um trabalhador e um criminoso fosse mera criação ideológica da direita. E que conta com centenas de representantes na política, na academia, no jornalismo e no show business. São esses os defensores da desmilitarização.

Enfim, nenhuma discussão sobre desmilitarização pode ignorar o fato concreto de que os seus principais proponentes hoje no Brasil são extremistas políticos, muitos deles flagrantemente criminosos, cujo único interesse é semear o caos e a dissolução social, para daí colher dividendos político-ideológicos.

Se, por exemplo, os partidos e movimentos de extrema-esquerda já fazem o que fazem na educação, atuando politicamente por meio dos sindicatos para promover o caos em estados e municípios governados por partidos adversários, imaginem o que fariam em caso de desmilitarização das polícias. Imaginem um cenário de total sindicalização das forças policiais. Imaginem um sindicato de policiais controlado pelo PT, PSOL ou PC do B. Imaginaram? Pois é.

Por fim, uma palavra aos policiais militares, uma categoria de fato tão vilipendiada e desprezada pelas elites políticas e culturais do nosso país. Se é verdadeira uma pesquisa ora muito divulgada sobre a aprovação majoritária dos PMs à desmilitarização — e eu tenho razões para duvidar que o seja, tendo em vista o viés ideológico de seus autores —, resta concluir que os policiais não têm idéia de com quem estão lidando. Iludidos e manipulados, estarão apenas colaborando com o seu pior inimigo, com aqueles que desejam não apenas a desmilitarização, mas a completa desmoralização e extinção das polícias.

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Meninas yazidi são vendidas como escravas sexuais enquanto feministas marcham contra Trump







por Uzay Bulut(*)

Enquanto a atriz Ashley Judd se queixava em uma "Marcha das Mulheres" em Washington D.C. que "absorventes femininos são tributados enquanto Viagra e Rogaine não," milhares de crianças e mulheres yazidis estavam sendo forçadas a se tornarem escravas sexuais no Iraque e na Síria nas mãos do Estado Islâmico.

Em 21 de janeiro, alguns grupos de direitos das mulheres organizaram "Marchas das Mulheres" em diversas cidades dos Estados Unidos e ao redor do mundo. Os comícios em grande medida direcionados ao recém-empossado presidente norte-americano Donald Trump.

Havia inúmeras oradoras e participantes. A atriz Ashley Judd, que também tomava parte, leu um poema em Washington D.C. que questionava porque os "absorventes femininos são tributados enquanto o Viagra e o Rogaine não".

Enquanto a Sra. Judd falava sobre a sua devastadora tragédia, milhares de crianças e mulheres yazidis estavam sendo forçadas a se tornarem escravas sexuais no Iraque e na Síria nas mãos do Estado Islâmico (ISIS) e estarem disponíveis para a compra em mercados de escravas sexuais.

O ISIS atacou a terra natal dos yazidis, Shingal no Iraque em 3 de agosto de 2014, mais de 9.000 yazidis foram assassinados, sequestrados ou sexualmente escravizados. Os yazidis são uma minoria religiosa historicamente perseguida no Oriente Médio.

O Estado Islâmico institucionalizou a cultura do estupro e da escravidão sexual. O ISIS está literalmente travando uma guerra contra as mulheres. O grupo terrorista chegou a publicar uma "tabela de preços" de meninas yazidis e cristãs - com idades que variam de um a nove anos de idade.

Raymond Ibrahim especialista em Oriente Médio assinalou o seguinte acerca de uma menina yazidi escravizada aos 15 anos de idade e sofrendo meses no cativeiro antes de conseguir fugir:


"Lembro de um homem, que parecia ter pelo menos 40 anos de idade, ter aparecido e levado uma menina de dez anos. Quando ela se recusou a ir ele a espancou brutalmente usando pedras e teria atirado nela se ela não tivesse aceito acompanhá-lo. Tudo isso, obviamente, contra a sua vontade. Eles normalmente vinham e compravam as meninas que não tinham preço estabelecido, melhor dizendo, eles costumavam dizer às meninas yazidi: vocês são sabiya (espólios de guerra, escravas sexuais), vocês são kuffar (incrédulas), vocês estão aí para serem vendidas a qualquer preço", querendo dizer que não havia nenhum valor de referência. Algumas meninas yazidis eram "vendidas" por míseros maços de cigarro.

"Todo dia eu morria 100 vezes. Não apenas uma vez. A cada hora eu morria, a cada hora. Pelos espancamentos, pela miséria, pela tortura", disse ela.

Mirza Ismail, fundador presidente da Organização Internacional de Direitos Humanos Yazidi, salientou em seu discurso no Congresso dos Estados Unidos:


"Segundo relatos de inúmeras mulheres e meninas que conseguiram fugir e com as quais conversei no Norte do Iraque, as yazidis sequestradas, em sua maioria mulheres e crianças, somam mais de 7.000.

"Algumas dessas mulheres e crianças foram obrigadas a assistirem, bem diante de seus olhos, enquanto crianças de 7, 8 e 9 anos de idade derramavam sangue até a morte depois de serem estupradas inúmeras vezes por dia pelas milícias do ISIS. As milícias do ISIS queimaram muitas meninas yazidis, vivas, por elas se recusarem a se converter e casar com homens do ISIS. Por que? Porque não somos muçulmanas e porque o nosso caminho é o caminho da paz. Por isso estamos sendo queimadas vivas: por vivermos como homens e mulheres de paz".

Em dezembro de 2015 informes divulgaram que o ISIS vendia mulheres e crianças yazidis na cidade de Gaziantep (ou Antep), no sudeste da Turquia. Gaziantep ficou conhecida pela proliferação generalizada das atividades do Estado Islâmico na cidade.

No entanto, esta e muitas outras ameaças não impediram defensores dos direitos das mulheres em Gaziantep de protestarem devido a inércia do governo turco em face das atividades do Estado Islâmico.

A ativista do grupo "Plataforma das Mulheres Democráticas de Gaziantep", Fatma Keskintimur, leu um comunicado à imprensa que dizia em parte o seguinte:

"O fato de gangues de jihadistas que lutam na Síria terem recebido o maior apoio da Turquia e a existência de esconderijos de células usadas por eles... não é segredo para ninguém. Dado a natureza do perigo que esta situação apresenta para os habitantes de Antep o mal-estar está se intensificando a cada dia que passa".



Mesmo nessas condições os defensores dos direitos das mulheres na Turquia - em particular os curdos - continuam lutando e protestando contra o governo.

No ano passado, por exemplo, a "Assembleia das Mulheres Yazidis" comemorou o dia 3 de agosto como o "dia de ação internacional contra massacres das mulheres e do genocídio". Os membros do partido pró-curdo Partido da Democracia Popular (HDP) organizou protestos em várias cidades por toda a Turquia para condenar o genocídio Yazidi e mostrar solidariedade para com as vítimas.

Safak Ozanlı, ex-ministra do parlamento do HDP, assinalou que o ISIS ainda mantinha 3.000 mulheres yazidis como escravas sexuais: "o ISIS vê as mulheres em Shingal e Kobane como espólio de guerra. As mulheres que continuam vivas são vendidas para xeques árabes. Nós - como mulheres - permaneceremos unidas contra o ISIS e contra todos os ditadores".

Membros da minoria religiosa alevita também apoiaram o protesto em Mersin. Zeynep Kaya Cavus, uma líder ativista alevita, assinalou que as mulheres yazidis são "sequestradas e escravizadas como espólio de guerra e expostas a sistemáticas agressões sexuais e isto constitui um genocídio contra as mulheres".

Há também um número bem reduzido de americanas que está dando o melhor de si para ajudar os yazidis, como por exemplo Amy L. Beam, uma ativista de direitos humanos que vive juntamente com os yazidis e os defende em tempo integral desde 2014. Seu livro O Último Genocídio Yazidi deve ser publicado em breve. Ela é a diretora executiva da "Amy, Azadi and Jiyan" (AAJ -- "Friend, Freedom, and Life"), uma organização humanitária localizada no Curdistão iraquiano.

"Milhares de yazidis têm uma longa lista de familiares mortos ou desaparecidos em poder do ISIS no Iraque ou na Síria", ressaltou ela. "O estado de espírito deles é muito ruim por contarem com uma ajuda internacional muito tímida desde o primeiro aniversário do ataque."


"Meninas e mulheres yazidis juntamente com suas filhas... são submetidas a espancamentos e estupros por combatentes do ISIS. A cada combatente é dado uma menina como troféu de guerra. Mais de 1.000 dessas meninas e mulheres conseguiram fugir ou foram libertadas pelo ISIS".

Espera-se que as ativistas nos EUA façam com que suas vozes sejam ouvidas no tocante aos ataques genocidas contra mulheres e crianças yazidis. Mas elas nada fazem. "Grupos de direitos das mulheres nos EUA não têm dado apoio às mulheres do Iraque e da Síria que estão sendo oprimidas, sequestradas e estupradas" de verdade, ressaltou Beam ao Gatestone Institute.

Algumas das integrantes da marcha das mulheres em Washington afirmam que Trump irá tolher seus direitos - Acusação esta que muitas mulheres que sofrem debaixo de governos ou organizações islamistas achariam ridícula. Elas estão preocupadas em poder fazer um aborto e a preocupação é justificada. Mas não são os aiatolás que chegaram ao poder nos EUA. Além disso Trump parece determinado a combater o terrorismo islâmico radical, a maior ameaça à dignidade e liberdade das mulheres em todo o mundo. Isso por si só já mostra seu compromisso com a liberdade - especialmente a liberdade das mulheres.

A ideologia islâmica radical é uma ameaça universal. Onde quer que ela possa ser enfraquecida ou derrotada, também ajudará a libertar as vítimas em outras regiões do mundo.

Para os povos perseguidos do Oriente Médio, que são muitos, a presidência de Trump representa a esperança de uma mudança positiva.


Em 7 de Novembro, a Organização Internacional de Direitos Humanos Yazidi emitiu um comunicado público intitulado "Yazidis não veem a hora da presidência de Trump ajudá-los a acabar com o ISIS". Uma yazidi no Iraque, há pouco, deu o nome "Trump" ao seu bebê recém-nascido


A marcha das mulheres, com todas as boas intenções por parte de muitas, violou o princípio fundamental dos direitos humanos: "O pior em primeiro lugar".


Lamentavelmente muitos dos organizadores e integrantes da marcha optaram por ficar em modo de espera ignorando as mulheres que estão sendo torturadas e exterminadas por terroristas islâmicos, optaram também por ignorar o que acontece em outras partes do mundo onde elas não podem frequentar uma escola nem sair de casa sem a permissão de um homem.

Se pelo menos essas mulheres se sentissem tão motivadas a protestar contra a escravidão, o estupro e a tortura de mulheres e crianças yazidis quanto estão em relação ao custo de absorventes femininos.

Agindo como fanáticas delirantes a serviço próprio, cujo ódio gratuito a um presidente eleito cega seus olhos aos verdadeiros problemas do mundo, não ajuda nada a ninguém. Já houve esse mesmo número de pessoas que odiaram outros presidentes.

Vamos por meio de nossas ações lembrar às mulheres do Oriente Médio que nós levamos seu sofrimento a sério.


(*)Uzay Bulut, jornalista nascida e criada como muçulmana na Turquia, está atualmente radicada em Washington D.C. Siga Uzay Bulut@UzayB no Twitter




Publicado no site do Gatestone Institute.

Tradução: Joseph Skilnik - Fonte - Mídia Sem Máscara