sexta-feira, novembro 24, 2017

10 dicas para economizar (de verdade) na Black Friday




por Marcelo Faria(*).


Chegamos à Black Friday de 2017. O pior da crise econômica já passou e aos poucos o Brasil tem saído do lamaçal, o que deve significar mais vendas durante a data. Entretanto, como evitar cair em uma Black Fraude e perder dinheiro?
O ILISP reuniu algumas dicas para realmente economizar na Black Friday. Confira.


1. Utilize um agregador de ofertas para pesquisar (e cupons de desconto para deixar o preço ainda menor)

O produto que você deseja pode não estar nos sites que você conhece. Portanto, é importante utilizar um agregador de ofertas para conhecer descontos dados em diversas lojas.

Recomendamos o Cupom de Desconto porque ele reúne diversas ofertas da Black Friday (com direito a busca por ofertas, no lado esquerdo do site) e possui cupons de desconto que você pode utilizar para deixar o preço da compra ainda menor.


2. Cuidado com os golpes

Golpes não são raros na Black Friday: sites falsos, produtos que não existem, e-mails com ofertas “imperdíveis” e outras formas de enganar compradores costumam ser utilizadas. Portanto, sempre confira o nome do site: veja se o “www.nomedosite.com.br” está correto, sem letras de outros alfabetos, números ou palavras que façam alusão a outra marca.


Site falso tenta se passar pelo site do Magazine Luiza: note o endereço diferente 






Garantiu que não é um site falso? Agora ateste a confiabilidade da loja verificando as reclamações no Reclame Aqui: se forem muitas ou não foram resolvidas satisfatoriamente, evite a loja. Checar as páginas da loja nas redes sociais em busca de avaliações e reclamações também é recomendável.

Por exemplo, o site jumbomagazine.com.br atrai vítimas do Brasil inteiro com promoções absurdas como “Samsung Galaxy J7 Dual Chip de R$ 499,90 por R$ 189,90”. No Reclame Aqui, a empresa possui 21 reclamações e a maioria afirma que pagou e não recebeu.





Proteja também o seu lado da compra: use antivírus, entre diretamente no site (sem abrir e-mails) e garanta que ele possui um certificado de segurança (um “cadeado”, geralmente próximo ao endereço do site no navegador) para que a transação seja realizada em ambiente seguro.


3. Não ignore as empresas menores

Apesar dos grandes varejistas investirem fortemente em propaganda para levar compradores às suas lojas durante o período de descontos, são suas matrizes que definem os preços. Já nas lojas locais ou especializadas acontece exatamente o contrário: elas têm poder de decisão e normalmente oferecem condições melhores. Por isso, após checar a confiabilidade da loja usando a dica anterior, a compra em uma empresa menor pode compensar.

Mesmo nos sites maiores, a empresa responsável pela venda pode ser outra – são os chamados marketplaces, onde um site maior (Amazon, com direito a cupons) disponibiliza a plataforma para outra empresa, geralmente menor, efetuar a venda. Se este for o caso da oferta que você observou, a informação “vendido e entregue por” terá um nome diferente do site em que você se encontra. É neste momento que você sabe a empresa realmente responsável pelo produto: a loja principal ou uma empresa parceira.


4. Evite pagar a “metade do dobro”

Um dos golpes mais comuns na Black Friday é a famosa “metade do dobro”: lojas que aumentam os preços dias antes da promoção apenas para dar um “desconto” que faça o preço retornar ao original.

Comparando o preço da oferta com o de outras lojas, é possível verificar se o preço não é “metade do dobro” e assim aproveitar somente as ofertas que possuem desconto real.


5. Tenha em mente quais produtos têm maiores descontos

Os produtos com valores mais altos costumam oferecer maior economia. Lembre-se: um desconto de 5% sobre um smartphone de R$ 2.000,00 (ou seja, 100 reais de desconto) é superior a um desconto de 20% em um jogo de 100 reais (20 reais de desconto).

Este é um período que vale a pena para trocar móveis não planejados, por exemplo. Sofás, racks e outros móveis costumam ter bons descontos em lojas grandes como Etna, Tok & Stok, Mobly, Americanas, Magazine Luiza, Submarino (com cupons), etc.

Livros e eletrônicos também costumam apresentar bons descontos, mas não são os produtos com maiores percentuais: roupas chegam a preços 70% menores, enquanto móveis, alimentos e bebidas chegam a custar 50% menos na data.

Lembre-se: evite as ofertas que destoam muito da média do mercado. Se uma televisão custa 2 mil reais , quem a “vende” por 500 reais certamente é um golpista.


6. Efetue a compra rapidamente

Identificou uma boa oferta de um produto que você realmente deseja comprar, em um site confiável e que não seja um golpe? Compre o quanto antes. As promoções mais agressivas geralmente têm estoques limitados.

Deixar a compra para depois pode te deixar sem desconto.


7. Tire cópias das telas durante a compra

Erros durante o processo como a cobrança de um valor maior do que o prometido ou o não recebimento do produto podem acontecer. Por isto, o ideal é salvar as imagens das etapas de compra no site para ter provas, se forem necessárias. É importante salvar também os e-mails de confirmação e de prazo de entrega enviados pelo site.

Caso você seja vítima de um erro, tente negociar amigavelmente com a loja a solução do problema. Se ele não for resolvido, usar as redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter) e sites de reclamações como Reclame Aqui costuma resolver a questão mais rapidamente do que o estado (Procon, Senacon, justiça). Afinal, as empresas não querem perder outros clientes que possam ver as reclamações públicas.


8. Cuidado com os fretes abusivos

Outro golpe que costuma transformar as ofertas em Black Fraude é o frete abusivo.

Por exemplo, no site do Submarino (o qual também funciona como marketplace para outras lojas venderem os seus produtos), ao finalizar a compra, há fretes abusivos: a capa para celular de R$ 8,99 tem frete de R$ 450,00 na loja Mega Korai, enquanto o micro-ondas Electrolux de R$ 259,00 tem frete de R$560,36 na Lojas Bemol.





Micro-ondas com 560 reais de frete? É GÓPI!



Fique atento também ao tempo de entrega do produto. Geralmente, na Black Friday este período é mais demorado (20 a 30 dias úteis) do que o normal. Se você deseja comprar algo para o Natal, é melhor fazer as contas antes de concluir a aquisição.


9. Pague com cartão de crédito
Nas compras pela Internet, o meio de pagamento mais seguro é o cartão de crédito, dado que permite o estorno da transação se houver qualquer problema na compra. Aliás, se um site oferecer apenas boleto bancário como forma de pagamento, fuja: a chance de ser um golpe é muito grande.
Entretanto, tome cuidado para evitar exageros no uso: de acordo com a pesquisa mensal da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), os juros do cartão de crédito podem chegar a 326% ao ano.


10. Não perca a “guerra das batatas” e outras ofertas físicas

Ganhou destaque esta semana a “guerra das batatas”. Primeiro, o McDonald’s anunciou que oferecerá um refil de batatas nesta sexta-feira. Em resposta, o Burger King anunciou um balde de batatas na compra de um combo. O Giraffas resolveu ir além e dará batatas fritas na loja do shopping Cidade São Paulo, em São Paulo-SP. Por fim, o KFC não deixará os clientes “só na batata”: na compra de um balde de frango, o comprador leva outro nas lojas dos estados de Rio de Janeiro e São Paulo.

Outras redes de lojas físicas também podem oferecer descontos no dia: aproveite para checar as redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter) das lojas que mais te agradam em busca de descontos.

E boas compras!


(*)Marcelo Farias é editor de ilisp.org

quinta-feira, novembro 23, 2017

Igrejas devem pagar impostos?




por Ricardo Bordin(*).



O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), que vinha procurando uma aproximação com os segmentos evangélicos como estratégia de campanha a presidente, voltou atrás em um de seus posicionamentos. Nesta quinta-feira (16), Doria sancionou a Lei 16.575/17, que instituiu mudanças na cobrança de Imposto Sobre Serviços (ISS), e acabou vetando uma emenda que garantia isenção a templos.

“Não faz sentido: as igrejas podem e devem pagar impostos também. Nós precisamos ter critério na cidade e esse foi o objetivo do veto a esse tema. E as igrejas compreendem também, tanto as igrejas católicas quanto as evangélicas, todas elas. Eu não vejo nenhum tipo de conflito nessa relação e nessa interpretação”, minimizou.

Então vejamos: a imunidade tributária dos templos religiosos está disposta no artigo 150, Inciso VI, alínea “b” da Constituição Federal de 1988, o qual prevê que é vedado às pessoas políticas instituírem impostos sobre templos de qualquer culto no que se refere aos seus patrimônio, renda e serviços vinculados a suas finalidades essenciais.

Tal tratamento diferenciado constitui uma extensão da garantia de liberdade de crença, contida no inciso VI do artigo 5º da Carta Magna, segundo o qual é assegurado no Brasil o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias – proteção esta que se materializa, no caso, na forma da referida intributabilidade.

Como decorrência direta desta prerrogativa especial, estarão isentos de pagamento do IPTU, por exemplo, os imóveis registrados em nome de uma instituição religiosa qualquer, desde que sejam eles utilizados para a consecução de suas finalidades essenciais.

Neste sentido, prédios que pertençam a uma Igreja, mas que não estejam equipados com as instalações ou pertenças adequadas a sua atividade-fim, ou que não sejam utilizados efetivamente no culto ou prática religiosa, estarão excluídos da imunidade em estudo.

Conforme a mesma lógica, o conceito de entidade de cunho religioso pode eventualmente ser estendido, para efeito de concessão de imunidade tributária, até mesmo a instituições educacionais, de auxílio e caridade às pessoas carentes, de disseminação de campanhas de apoio às causas humanitárias, de manutenção de institutos de assistência social e científica – como hospitais, asilos, cemitérios, creches, núcleos de atendimento e apoio psicológicos, colégios, universidades, gráficas, entre outros.

Por fim, não decorrerão impostos sobre os rendimentos, investimentos ou aplicações provenientes da atividade religiosa, uma vez que seja provado serem reutilizados em prol de sua continuidade e expansão, dentro de seus preceitos fundamentais e suas finalidades essenciais.

Pois bem. Todos os trechos acima destacados em negrito dizem muito sobre questão trazida ao debate por João Dória, e que em dois tópicos podemos resumir:

  • 1) A imunidade dos templos de qualquer culto prevista na Constituição Federal refere-se tão somente à cobrança de impostos, e não dos tributos em geral, conforme muito bem argumentou a equipe de assessoria do prefeito paulista na justificativa para o veto – muito embora ele tenha se expressado mal em seu discurso.

Entenda-se: impostos são uma espécie do gênero tributos, os quais ainda abrangem taxas e “contribuições de melhoria” diversas. Ou seja, qualquer tributo da espécie imposto não pode ser cobrado de templos religiosos, regra essa que não se aplica aos demais tributos de qualquer natureza.

Os impostos, a saber, não estão ligados a uma contraprestação estatal direta ao pagador, e geralmente incidem sobre o patrimônio, a renda e o consumo – como o IPTU, por exemplo; taxas, tarifas e contribuições de melhoria, a seu turno, são vinculadas a uma contraprestação direta do Estado – como, por exemplo, recolhimento de lixo, fornecimento de água e luz ou emissão de documentos de um veículo. As instituições religiosas estão imunes aqueles, mas sujeitas a estes. 

A administração pública até pode, levando em conta a conveniência e a oportunidade, conceder isenção total de tributos a determinados entes, como costuma proceder quando quer atrair empresas que buscam localidades para a instalação de parques fabris. Mas em um cenário de no qual até mesmo os serviços de streaming, como Netflix e Spotfy, passarão a pagar ISS, ficaria difícil justificar tal medida em relação às Igrejas.

  • 2) A imunidade tributária dos templos religiosos é de natureza subjetiva, e não objetiva. Quer dizer, ela só se aplica enquanto sua função for facilitar a persecução dos objetivos dos cultos e religiões. 

É importante enfatizar tal aspecto da imunidade tributária em comento pelo fato de que se costuma alegar, a boca pequena, que boa parte do dinheiro doado por fiéis seria desviado para causas menos nobres – ou, no mínimo, para atividades e fins diversos daqueles que o legislador constitucional tinha em mente quando resolveu beneficiar as instituições religiosas – e que, por isso, seria justificável dar fim a este tratamento diferenciado.

Ora, ainda que saíssem todo dia nos jornais notícias dando conta de que pastores, imãs, pais de santo ou padres embolsaram e mandaram para a Suíça dinheiro proveniente de dízimos e demais contribuições voluntárias, permanece em vigor o princípio da presunção de inocência das demais instituições congêneres.

Ou seja, os templos presumem-se não imorais, e cabe ao Estado provar que o são para que possa fazer, então, incidir os devidos impostos. Não há que se generalizar todas as Igrejas, mas sim investigar aquelas que apresentem indícios de fraudes, a fim de comprovar sua inaptidão para a imunidade tributária. 

Assim não fosse, será que todos os institutos de pesquisa sobre o liberalismo econômico do país, caso restasse comprovado que alguns deles direcionaram doações para outras finalidades que não aquelas descritas em seus estatutos, deveriam ter sua natureza de instituições sem fins lucrativos desconsiderada, e passarem a pagar impostos como qualquer pessoa jurídica, com todos arcando com as consequências dos erros de alguns? Não, né?

Da mesma forma, todas as demais fundações e entidades abrangidas por qualquer espécie de isenção fiscal são, a princípio, merecedoras de tal benefício, até que se prove o contrário e se altere seu status, cobrando-se o montante devido retroativamente e impondo-se as sanções legais.

A título de comparação, está para ser votada no Congresso Nacional medida que permite a volta dos bingos e cassinos ao Brasil. Será que aquela velha justificativa para sua proibição, segundo a qual muitas destas casas eram utilizadas para lavagem de recursos de origem ilícita, deve ser aplicada a empresas deste ramo indiscriminadamente, vetando por completo os jogos de azar não controlados pelo Estado no país?

Se algumas Igrejas, inegavelmente, também serviram para lavagem de dinheiro, os Picciani, no Rio de Janeiro, o faziam comprando bois; o ex-governador Sérgio Cabral adquiria joias; e dizem até que um ex-presidente por aí limpava suas propinas fazendo palestras. Seria cabível, portanto, impor sanções tributárias a todas as criações de gado, joalherias e auditórios do Brasil? Para refletir…

E para registro: desejar que Igrejas paguem impostos pelo simples fato de que os demais cidadãos e empreendedores estão assustados de saber que o impostômetro está quase vencendo a barreira dos dois trilhões de Reais na presente data, equivale a pleitear que o Uber seja sobretaxado ao invés de requerer que a vida dos taxistas seja facilitada. Ou seja, o ideal é reivindicar redução de tributos para todos, e não arroxo fiscal para os outros

Feitas estas observações relativas à legislação tributária, é bom deixar claro que boa parte daqueles que apoiam a cobrança de impostos de templos religiosos o fazem por pura aversão às religiões em si, isto é, questionam a própria validade de concederem-se tais benefícios.

Ora, gostemos ou não de rezar, há que se reconhecer que inúmeras pessoas abandonam vícios e recuperam seus empregos e sua capacidade de viver por influência de cultos religiosos; que incontáveis marginais deixaram a vida à margem da lei após passarem a seguir os ditames da Bíblia – fato facilmente observável em presídios, onde o pastor entra para tentar recuperar o bandido e o ativista do PSOL para dizer que ele matou foi pouco e que ele é uma vítima da desigualdade; que a bancada evangélica constitui, na atualidade, a única barreira no parlamento à aprovação de leis absurdas, como a que criminaliza “homofobia” e a que permite cirurgias de mutilação de genitália em crianças de doze anos sem autorização dos pais.

Ou seja, os templos religiosos, se não produzem bens e serviços para a sociedade, ajudam a estabelecer a ordem e a paz, sem a qual não há desenvolvimento econômico.

Querem brigar pelo fim de uma imunidade tributária totalmente injusta? Então lutem para que PARTIDOS POLÍTICOS paguem imposto. Sim, os malandros são imunes também, e ainda aprovam fundos com o SEU dinheiro para bancar suas eleições. E você batendo boca com seu amigo crente…..tsc, tsc, tsc…


(*)Ricardo Bordin - Atua como Auditor-Fiscal do Trabalho, e no exercício da profissão constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde NÃO são os empreendedores. Formado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) como Profissional do Tráfego Aéreo e Bacharel em Letras Português/Inglês pela UFPR.

quarta-feira, novembro 22, 2017

Déficit da Previdência: Existe ou Não?






Por Maurício Schwartsman (*).

O obscurantismo antidéficit chegou ao Senado. Quem vai pará-lo?.




Desde que se propôs a reforma da Previdência, o tema do déficit previdenciário passou a despertar paixões raras às questões contábeis. A depender do interlocutor, é possível ouvir que o déficit é um fato incontestável ou uma conspiração para aprovar a reforma.

Uma das definições para o déficit é usado pelo Tesouro e TCU e amplamente aceita fora do Brasil. A definição que nega o déficit é baseada principalmente no trabalho de um sindicato interessado na reforma.

A divergência se deve às definições dadas ao resultado previdenciário. A mais aceita ao redor do mundo, e usada pelo Tesouro Nacional e pelo Tribunal de Contas da União, é a diferença entre receitas e despesas da Previdência. Conforme esta acepção mais comum, o TCU calcula que houve déficit de R$ 226 bilhões. Este resultado, no entanto, não agrada ao senador Hélio José, relator da CPI da Previdência.

Outra definição, utilizada apenas no debate público brasileiro, tem sido divulgada principalmente pela ANFIP, a Associação Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. A categoria tem salário inicial de 19 mil reais e já negociou o aumentos dos próximos anos. Na sua prova de concurso, não há temas específicos de economia ou sustentabilidade de políticas públicas necessários a analisar o resultado da previdência.

É na definição da ANFIP que o relatório de Hélio José se apoia, em detrimento da que se encontra nos melhores periódicos ou jornais específicos da área. Antes de tratar sobre a definição em si, é importante fazer esta lembrança.
Na prática, ANFIP e Hélio José defendem que a saúde deve financiar a previdência – e que os gastos com previdência devem ter prioridade sobre todos os outros no Orçamento Federal

A associação alega que é necessário analisar a receita da Seguridade Social como um todo. Dentro da seguridade, estão as despesas com saúde e assistência social. Impostos que tenham como destinação a Seguridade, segundo a ANFIP, devem constar ao lado das contribuições diretas ao regime previdenciário.

Um problema grave com esta narrativa é que, na seguridade social como um todo, há déficit próximo a 260 bilhões de reais. Há mais gastos com seguridade do que receitas destinadas a ela. Qualquer ausência de déficits implica aumentar as receitas, incluindo as da seguridade social, sem aumentar as despesas, pois curiosamente não se inclui a seguridade na hora de subtrair.

O conceito amplamente aceito – da diferença entre contribuições para e despesas da previdência social – mede o que é relevante ao debate sobre reforma da previdência, a sustentabilidade do sistema.

Há outras inovações um tanto estranhas no cálculo da ANFIP.
Os negacionistas do déficit da previdência tem escolhas estranhas e geralmente pouco relevantes para o debate sobre Reforma da Previdência

Embora seja democraticamente legítimo que se destinem receitas a fins determinados – como seguridade social -, a concessão abstrata de espaços no orçamento pode levar à incapacidade prática de gerir o Estado. A vinculação das receitas, em última análise, pode impedir a administração pública.

Por isso, existem medidas como a DRU (Desvinculação das Receitas da União), que separa uma parte do orçamento à qual não incidirão as vinculação. Ou seja, as DRUs dizem que parte da verba nominalmente destinada à seguridade social não faz parte da seguridade social na prática. O cálculo da ANFIP considera a presença das DRUs ao excluir o valor desvinculado.

Mesmo ignorando essa adição estranha, grita a exclusão da previdência do funcionalismo público na conta negacionista. É como se o Regime Próprio dos Servidores Públicos não tivesse qualquer pertinência à Previdência.

Ao excluir servidores das despesas, a ANFIP exclui a si mesma, dado que se trata de um órgão representante dos servidores federais. Ou seja, exclui do debate sobre previdência um regime que muito contribui para o déficit e garante presença entre os 1% mais ricos do país a praticamente todos os associados à ANFIP.

Em 2016, a ANFIP encontrou déficit mesmo após toda a tortura estatística. O senador Hélio José omitiu o ano de 2016 na tabela 5 do seu relatório, publicado em outubro de 2017.

Feitas todas essas alterações, obtêm-se os tais “superávits”, como registrado na tabela 5 do relatório. O leitor atento também notará que o último ano da tabela é 2015. A razão para tanto é que, apesar de seus melhores esforços, a ANFIP encontrou um déficit em 2016 de R$ 57 bilhões.



Em seções anteriores, já havia sido demonstrado que a “convicção” do senador Hélio José não era respaldada pelo Tesouro ou pelo TCU, órgãos responsáveis pela aferição dos déficits. É muito importante notar que eles não são referendados sequer pela ANFIP, um grupo manifestamente contrário à reforma da Previdência.
O déficit futuro

O senador também ataca as projeções atuariais do Regime Geral de Previdência Social em seu relatório. Em particular, critica as projeções para o crescimento econômico nas próximas décadas, que são inferiores à média observada entre 1996 e 2016 e, portanto, subestimariam a receita e superestimariam o déficit como proporção do PIB.

Um mesmo motivo reforça a hipótese de que o país não crescerá tanto quanto no passado e o receio com a previdência. O crescimento populacional está desacelerando e a população está envelhecendo rapidamente.

À medida que o processo avança, menos gente em idade ativa haverá para trabalhar e sustentar os aposentados; o crescimento do PIB e das receitas provavelmente não será tão bom quanto supusemos. Trata-se não de uma projeção econômica ou atuarial, mas demográfica. Não é necessário concordar em qualquer debate econômico sobre o assunto para reconhecê-lo.





Um segundo problema com o raciocínio é que o crescimento depende do que acontece com as contas públicas. À medida que a Previdência se deteriora, o governo terá que cobrir o déficit de alguma forma. Um modo é aumentar a carga tributária, o que tem efeitos negativos sobre o crescimento. Outro é contrair dívida, que provoca um aumento da taxa de juros, também inibindo o crescimento. E mesmo a dívida, afinal, deve ser paga com impostos futuramente.

Em um caso extremo, em que não se possa mais recorrer a impostos ou dívida, o governo terá que se financiar com inflação ou um calote, também conhecidos por prejudicar o crescimento.

Portanto, há e haverá déficit na Previdência. Hoje, o sistema precisa de mais recursos do que arrecada. É muito difícil argumentar por sua sustentabilidade e a melhor preocupação social dificilmente leva ao apoio de contas estranhas por partes interessadas.

Em que pese a convicção do senador, cabe perguntar por que ele escolheu confundir, ao invés de esclarecer.



(*)Maurício Schwartsman é diretor da Schwartsman & Associados Consultoria Econômica Ltda

terça-feira, novembro 21, 2017

A infiltração comunista em Hollywood



Por Johnathan Gray(*).

Imagem Ilustrativa da Matéria de Felipe de Moura Brasil Celebridades Hipócritas de Hollywood


Nos últimos anos, escritores, atores e produtores pró-comunismo na “lista negra de Hollywood” nas décadas de 1940 e 1950 tiveram uma exposição positiva nos meios de comunicação. A lista negra em si é muitas vezes vista como um exemplo de censura governamental, decorrente das pesadas táticas do agora extinto “Comitê de Atividades Antiamericanas”, cujo objetivo era proibir e reprimir os movimentos comunistas nos Estados Unidos.

Mas a situação é mais complicada do que a atual perspectiva que se tem sobre o assunto. A história mostra que muitos na lista negra foram colocados lá por uma boa razão, já que muitos admitiram trabalhar como agentes soviéticos e moldaram narrativas pró-comunistas através de seus filmes.

Uma análise mais aprofundada revela que se tratava de um círculo de indivíduos, alguns com diretrizes diretas da Rússia, que apoiavam a derrubada violenta do governo dos Estados Unidos. A criação da lista negra de Hollywood foi uma resposta a este círculo que transformou a indústria do entretenimento americana em uma ferramenta de propaganda de um regime assassino e totalitário, enquanto atacava os valores e o modo de vida do povo americano.

Antes da Segunda Guerra Mundial, muitos membros do Partido Comunista da Alemanha, o segundo maior grupo comunista fora da Rússia, deixaram a Alemanha rumo a outras partes do mundo.

Muitas dessas pessoas foram rejeitadas e rotuladas como indesejáveis por outras nações desenvolvidas, como o Reino Unido, e, por isso, emigraram para os Estados Unidos. Ao chegar, muitos escritores e produtores de filmes se uniram a grupos do Partido Comunista Americano.

Esta onda de imigração serviu de apoio à infiltração soviética nas artes e na cultura, e à penetração nas instituições políticas em meados da década de 1930. Com este sistema, os comunistas planejavam fazer o que os ditadores brutais Vladimir Lenin e Josef Stalin conseguiram na Rússia soviética: transformar a indústria do entretenimento em uma ferramenta para disseminar a ideologia e a propaganda comunistas.

Subversão cultural
Segundo Michael Kazin, professor de história na Universidade de Georgetown, este grande sistema de cooptação começou em Hollywood na década de 1930 com esquerdistas influentes no setor cinematográfico, como Yip Harburg, compositor de “O Mágico de Oz” e da música “E Rússia é seu nome”, usada no filme “A música da Rússia”. Harburg foi um dos principais artistas pró-soviéticos da indústria cinematográfica de Hollywood.

Harburg e outros pró-soviéticos exerceram uma influência psicológica no público amante do cinema. Eles moldavam as narrativas que o público americano, e o mundo em geral, absorviam do cinema.

Muitos desses escritores, produtores e diretores de Hollywood, alguns dos quais eram membros fanáticos do Partido Comunista, fizeram filmes contendo ideias e ideologia pró-comunistas e pró-socialistas. De alguma forma, uma grande parte dos filmes dessa época foram projetos artísticos que funcionavam como veículos para as sutis técnicas de doutrinação comunista. Veículos que tentavam substituir os princípios americanos de liberdade e direitos individuais pela ideologia do ateísmo e da luta de classes.

Entre eles estava John Garfield, um ator de renome cuja conexão com 17 organizações comunistas foi revelada em uma edição de junho de 1950 dos Red Channels (publicação dedicada a expor o comunismo na indústria do entretenimento).

O entusiasmo no uso de filmes para espalhar propaganda vinha do topo do regime soviético. Kenneth L. Billingsley escreveu em seu livro “Os filmes perdidos de Hollywood”, que Stalin era um verdadeiro cinéfilo, tremendamente entusiasmado com a promessa do cinema de exaltar ideais comunistas.

O uso do cinema como ferramenta de propaganda remonta aos primeiros anos do movimento comunista.

O ditador bolchevique Lenin foi o primeiro líder comunista a reconhecer a importância de materializar a manipulação do pensamento, em escala mundial, através dos filmes.

Dizem que, em 1919, quando tanto o cinema como o Comitern (a Internacional Comunista) estavam em seus primeiros estágios, Lenin confiou a seu secretário de educação, Anatoly Lunacharsky: “você sempre deve considerar que, de todas as artes, o cinema é para nós a mais importante”.

“Use-o contra eles”
Billingsley observa que o plano do Partido Comunista dos Estados Unidos (CPUSA da sigla em inglês) ficou claro para pessoas como o agente e ativista comunista Willi Münzenberg, ex-membro do Partido Comunista da Alemanha. Após exilar-se nos Estados Unidos, ele entrou rapidamente para o establishment de Hollywood como propagandista e ativista pró-comunista e pró-soviético.

Münzenberg escreveu sobre a indústria cinematográfica em um artigo de 1925 para o jornal do CPUSA, o Daily Worker (Diário do Trabalhador), que “uma das tarefas mais prementes que enfrenta o partido comunista no campo da propaganda é a conquista de uma unidade, até agora monopólio da classe dominante”.

E acrescentou: “Devemos lutar para tomá-la e usá-la contra eles”.

Münzenberg acreditava que os anos 30 eram o momento perfeito para que os comunistas americanos e seus supervisores atacassem. A Grande Depressão estava em pleno andamento. Aproveitando o fato de que muitos procuravam distrações e entretenimento, Münzenberg viu a chance de doutrinar contra o capitalismo as pessoas que iam ao cinema.

Billingsley escreveu em seu livro de 1998, “Partido de Hollywood: Como o Partido Comunista seduziu a indústria cinematográfica americana nas décadas de 1930 e 1940”, que em 1935, V. J. Jerome, secretário da cultura do CPUSA, havia estabelecido uma filial oficial do partido em Hollywood. Esta filial era uma unidade secreta, fora da vista do público.

Com esta unidade secreta, o CPUSA podia recrutar clandestinamente novos membros para o partido, infiltrar-se nas associações e sindicatos do cinema e arrecadar fundos para causas pró-soviéticas.

Entre esses subversivos do partido comunista em Hollywood, havia pessoas como o renomado escritor Walter Bernstein, que confessou em sua autobiografia de 1996 que “nós tínhamos uma aritmética sagaz; encontrávamos frentes e fazíamos com que dois se tornasse um”. Em outras palavras, através de frentes populares, os não-comunistas avançavam com os planos comunistas, e isso foi feito de maneira “astuta”, sem que os companheiros soubessem que estavam sendo usados.

Naturalmente, as autoridades começaram a desconfiar cada vez mais dessas atividades comunistas. O Congresso respondeu formando o Comitê de Atividades Antiamericanas em 1938.

O repórter do jornal Human Events, Allan H. Ryskind, declarou que o Comitê “descobriu mais de 200 membros do partido em Hollywood”, embora Ryskind diga que seu pai, um roteirista de Hollywood na época, acredite que o número real estava mais próximo de 300.

Ryskind disse que, apesar das investigações do comitê, em meados dos anos 40 os comunistas nos Estados Unidos haviam se infiltrado completamente em Hollywood, de cima a baixo, embora a maioria deles estivesse bem escondida, alinhada com a doutrina do partido comunista de ocultar seus objetivos, e nunca reconheceriam publicamente sua filiação ao partido.

Apoio a governos genocidas
Em seu livro “Traidores de Hollywood: Lista negra dos roteiristas – Agentes de Stalin, aliados de Hitler”, Ryskind escreve: “Nada do que o partido comunista fez na América foi feito sem a direção do Kremlin. Nada”.

Aqueles na lista negra de Hollywood não eram antifascistas, mas mudaram suas lealdades junto com as mudanças nas políticas soviéticas. Incluídas entre suas atividades, Ryskind observa o curioso flerte que muitos membros do partido comunista tinham com o Partido Socialista (nazista) dos Trabalhadores, de Adolf Hitler.

“Quando Hitler inicialmente ameaçou a Rússia, os membros do partido em Hollywood, sob as ordens de Moscou através da sede do partido em Nova York, se mostravam apaixonados anti-nazistas”, escreve Ryskind. “Quando Hitler apontou as armas contra o Ocidente, apoiado por seu pacto com Stalin em 1939, eles dedicaram suas vidas a dificultar a sobrevivência das nações anti-nazistas”.

Somente depois que Hitler surpreendeu Stalin com a invasão nazista da União Soviética em 1941, os comunistas de Hollywood se voltaram novamente contra Hitler.

Ryskind escreveu: “Eles não eram honrados antifascistas ou patriotas americanos, como argumentam seus defensores, mas aparatos leais aos soviéticos, uma quinta coluna trabalhando para Stalin”.

Esta mesma glorificação de ditadores e assassinos em massa continua hoje em Hollywood. Ryskind observa que Hollywood inclusive idealizou figuras comunistas, como Che Guevara e Fidel Castro. Che executou pessoalmente 180 pessoas e ordenou a morte de milhares de cubanos, incluindo mulheres e crianças.

Arthur Eckstein, historiador americano e distinto professor de história que o establishment de Hollywood nunca perdeu a paixão pelo partido comunista, tanto no sentido político como cultural.

Ele relembra a realização de uma cerimônia em 27 de outubro de 1997 para comemorar o 50º aniversário das audiências originais do Comitê de Atividades Antiamericanas. A celebração foi patrocinada por várias associações e organizações produtoras de filmes, incluindo a Associação de Atores e o Sindicato dos Escritores da América.

Muitos participantes do evento glorificaram aqueles que o comitê havia identificado como os “Dez de Hollywood”, chamados por alguns como os “Dez hostis”. O evento retratou esses homens como “mártires” e “não conformistas” ante a tirania e o autoritarismo.

Eles inclusive fizeram com que grandes estrelas recriassem partes selecionadas das audiências do comitê que se ajustavam à narrativa revisionista do establishment de Hollywood. Houve uma brincadeira em que Billy Crystal atuou como Larry Parks, um ator que, em 1951, admitiu ser membro do partido comunista, o que arruinou sua carreira.

John Lithgow e Kevin Spacey, entre outros atores, contribuíram igualmente com suas atuações para o evento. A cerimônia culminou com a chegada de alguns membros dos Dez, que foram recebidos com aplausos efusivos.

O romance de Hollywood com o comunismo, uma ideologia que tem produzido fome, guerras e genocídios em todo o mundo e que custou a vida de mais de 100 milhões de pessoas, continua até hoje.

Lenin parece ser o próximo a ganhar uma renovação em sua imagem por parte de Hollywood. O ator Leonardo DiCaprio está em negociações com a indústria cinematográfica russa pelo papel do ditador que o romancista e historiador russo Aleksandr Solzhenitsyn estima ter matado entre 60 e 66 milhões de pessoas.

Em uma crítica dos “Traidores de Hollywood” de Ryskind, Allan C. Brownfield escreveu:

“Longe do que se pensa sobre o papel do Congresso, é difícil entender como escritores comunistas que trabalharam tanto para outra nação e contra os interesses de seu próprio país, se tornaram heróis para muitos liberais. Como podem respeitar homens e mulheres que disseram que Hitler era maligno em um dia e que o aceitaram no dia seguinte, não por convicção genuína, mas por seu hábito de seguir a liderança de Stalin, assim como fizeram com todas as outras coisas? ”



(*)Johnathan Gray é escritor, produtor de filmes e veterano do exército. O presente artigo foi escrito sob um pseudônimo, uma vez que expressar opiniões anticomunistas pode prejudicar sua carreira em Hollywood.


Fonte: midiasemmascara.org

segunda-feira, novembro 20, 2017

O mito da dívida histórica entre brancos e negros





A Imagem-Banner causou polêmica para a jornalista Glória Maria, veja no final do artigo.

por Felipe Lungov(*).

Não quero aqui contestar o fato de que os colonos europeus tenham usado trabalho escravo africano durante séculos no Brasil. Negros eram capturados de suas tribos na África, cruzavam o Oceano Atlântico em condições precárias, eram vendidos e forçados a trabalhar para seus senhores brancos por gerações até o fim do Império.

As consequências morais desse triste capítulo da história podem ser analisadas por duas óticas diferentes. A primeira é a adotada pela esquerda em geral e pelo movimento ativista negro em particular, que acredita que ações e responsabilidades são atribuídas a grupos de pessoas com características comuns. Por essa ótica, o fato de brancos terem escravizado negros criou uma dívida moral e histórica entre esses dois grupos, que deve ser paga por quem hoje é branco para quem hoje é negro.

Essa análise fundamentaria as discriminações (sob o eufemismo de ações afirmativas) que vemos hoje, particularmente a reserva de vagas para negros em universidades e concursos públicos, sob pretexto de acerto dessa dívida histórica.

A segunda ótica com que podemos ver a questão é a ótica libertária. Por ela, direitos, obrigações, ações e responsabilidades são atribuídas a cada pessoa individualmente — não a grupos de pessoas. Ninguém, em hipótese alguma, é chamado para reparar um mal causado por outra pessoa, mesmo que ambos compartilhem a mesma cor da pele, sejam da mesma família, sejam amigos, ou torçam para o mesmo time. Jamais.(1)

Olhando por esse prisma, não haveria dívida histórica moral dos brancos de hoje para os negros de hoje, exatamente porque esses brancos não são obrigados a pagar por injustiças cometidas por outros brancos; e mesmo que fossem, não seria para os negros de hoje, que também são outros que não aqueles que foram vítimas da escravidão.

Ativistas do movimento negro, quando confrontados com essa argumentação, trocam o discurso moral pelo material. Segundo eles, o trabalho escravo negro beneficiou materialmente os brancos, e essa riqueza permitiu que os descendentes dos senhores de escravos estejam injustamente em melhor situação financeira do que os descendentes dos escravos. Aqui, haveria novamente uma dívida histórica a saldar.

O problema desse argumento é que ele repousa sobre uma visão curiosamente estreita da história. Eu mesmo tive a oportunidade de visitar o Zimbábue, na África, e andei em meio às ruínas do Reino do Zimbábue dos séculos 13 a 15. Visitei a câmara onde eram mantidos os escravos, o local onde eram mantidas todas as mulheres do rei, e as fortificações que defendiam o rei de invasores externos.

Também estive na Etiópia, em meio a ruínas e belíssimas igrejas onde outrora fora o Império Etíope que durou impressionantes 800 anos até o final do século 20. Como em quase todo o resto da África, o império escravizou, por milhares de anos, outros povos que conquistava.

Entre os europeus, por milênios pessoas eram feitas escravas por dívidas ou guerra. Uma proporção significativa da população urbana da Grécia antiga era formada por escravos, quase todos brancos. Roma também incorporava novos escravos a seu império por onde avançava, brancos ou negros do norte da África. Romanos brancos que caíssem reféns em guerras com povos africanos também eram escravizados.

Os próprios negros, no Brasil, quando conseguiam sua libertação, tentavam comprar ou capturar outros negros como escravos. Zumbi, herói do movimento negro, foi tanto escravo como senhor de escravo — muitos outros também. Como decidir de que lado da dívida histórica estão seus atuais descendentes?

Uma visão mais abrangente e menos maniqueísta da história nos mostra, portanto, que a escravidão foi prática recorrente por muito da existência humana. Não tenho dados para embasar essa afirmação (nem seria possível tê-los), mas se formos levar a sério esse argumento de beneficiamento material por escravidão e traçar a árvore genealógica de cada um de nós até o começo dos tempos, tenho certeza que todos nós temos ascendentes que já foram escravos, e todos nós temos também ascendentes que já foram senhores de escravos. Todos nós, brancos e negros, já enriquecemos injustamente, e injustamente enriquecemos outros. O que nos diferencia, por esse critério, é a proporção entre cada um dos dois — igualmente impossível de se determinar para cada indivíduo

Por fim, nem todos os brancos que hoje vivem no Brasil são descendentes de senhores de escravos do Império. Muitos imigrantes chegaram no século passado e não se beneficiaram em nada com o trabalho escravo dos negros de séculos anteriores. Mesmo assim, na visão do movimento ativista negro, seus descendentes têm uma dívida histórica com os negros.

Isso para não falar de toda a mistura entre raças e entre correntes migratórias que é o nosso povo brasileiro. É fácil perceber que é impraticável desenhar políticas públicas verdadeiramente preocupadas em corrigir qualquer tipo de injustiça que a escravidão tenha causado. A história da humanidade é recheada de atrocidades de todo tipo, condenáveis por qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade — e, muito mais importante, com a visão de mundo liberal que temos hoje.

Não há como saber quem é mais vítima e quem é mais agressor, mesmo que se escolha enxergar pela ótica coletivista de responsabilidades. Reconhecer que essas atrocidades aconteceram, mas que não há nada que possa ser feito para compensar suas reais vítimas é o primeiro passo para evoluirmos rumo a uma sociedade próspera para todos, pacífica e com menos rancor. Em muitos lugares do mundo, longe das universidades públicas brasileiras, nada ou muito pouco se evoluiu nesse sentido. Não façamos o mesmo.

(1)Exceto, obviamente, nos casos em que duas ou mais pessoas estão voluntariamente associadas, como um casamento de comunhão de bens, sócios de uma empresa, etc.

Leia também: Dia da Consciência Negra: a culpa que você não tem.

(*)Felipe Lungov é formado em Economia pela FEA-USP e possui especialização em Estatística pela FIA-USP.


O patrulhamento ideológico não perdoa nem mesmo os negros não totalmente Engajados. Glória Maria não é assim uma Isentona total, já que concorda com a "comemoração" do dia da Consciência Negra. 


Glória Maria rebate críticas à publicação sobre a Dia da Consciência Negra.

por Correio Braziliense de 19/11/2017
A jornalista Glória Maria resolveu se pronunciar sobre a polêmica envolvendo uma publicação em seu perfil oficial no Instagram. Durante quatro dias, a apresentadora virou alvo de críticas após expressar sua opinião contrária ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, e decidiu rebater os usuários. "Apagar este post???? Nunca!!!! Quem não concorda com ele ok! Acho triste mas entendam", escreveu.

Glória Maria estava falando sobre um post de 15 de novembro, em que publicou uma imagem do ator Morgan Freeman ao lado da frase: "O dia em que pararmos de nos preocupar com Consciência Negra, Amarela ou Branca e nos preocuparmos com Consciência Humana, o racismo desaparece."

“Pra todos que não concordam com este pensamento do Morgan Freeman: Não concordar é um direito de vocês! Mas pretender que todos pensem igual é no mínimo prepotente! Eu concordo totalmente com ele! Pra começar ele não é brasileiro e não está citando o dia da Consciência Negra. Uma conquista nossa! Está falando de algo muito maior. Humanidade! Eu e ele também nascemos negros e pobres e conquistamos nosso espaço com muita luta é trabalho! Não somos privilegiados. Somos pessoas que nunca aceitaram o lugar reservado pra nós num mundo branco! Algum de vocês conhece a minha história e a dele? Se contentam em tirar conclusões e emitir opiniões equivocadas em redes sociais! Nós estudamos, lutamos, resistimos e combatemos todo tipo de discriminação! O preconceito racial é marca nas nossas vidas! Mas não tenho que mudar minhas ideias por imposição de quem quer que seja! Apagar este post???? Nunca!!!! Quem não concorda com ele ok! Acho triste mas entendam. As cabeças e os sentimentos graças a Deus não são iguais! Como lutar contra a desigualdade se não aceitamos as diferenças? Queridos vivam suas vidas e nos deixe viver a nossa! Temos que tentar sempre encontrar nosso próprio caminho! Sem criticar e condenar o dos outros! Cada um precisa combater o racismo da maneira que achar melhor! Lembrando sempre do direito e da opinião do outro!sou negra e me orgulho . Mas não sigo cartilhas . Minhas dores raciais conheci e combati sozinha! Sem rede social para exibir minhas frustrações! Tenho direito e dever de colocar o que penso num espaço que é meu! Não imponho e nao aceito que me digam como devo viver ou pensar! ????”

Dia da Consciência Negra: A culpa que você não tem






A escravidão na África incrível e verdadeiramente começou lá mesmo, entre os próprios africanos, as tribos guerreavam entre si, e as populações derrotadas nestas guerras, serviam como recompensa; assim como sempre aconteceu com outros povos.
Os derrotados viravam escravos, para trabalharem ali mesmo ou para serem vendidos para outras regiões.

Os reinos africanos do Segu e de Dahomé, a povo Ashanti e os Iorubas foram nações que tinham como principal atividade a caça de escravos.Promoviam rápidos ataques nos territórios vizinhos, onde aprisionavam populações isoladas.

Principalmente na África Subsariana essa atividade praticada por séculos destruía e desorganizava a produção agrícola e cultural de comunidades inteiras, fora as perdas de vidas nos combates - esta é uma das causas primordiais do atraso econômico africano.

África Subsariana

Os zulus e os bantos, que eram as nações negras em maior número quando da chegada dos europeus na África, ainda viviam como nos primórdios da humanidade.

Eram diversos os caminhos que levavam um africano a se tornar escravo.
Uma enorme quantidade de cativos vendidos resultavam do seqüestro de crianças e jovens por africanos.
Os próprios pais vendiam os filhos em troca de alimentos em momentos de dificuldades.

A justiça africana foi responsável pelo envio de milhares de africanos para o cativeiro.Diversos crimes eram punidos com a perda da liberdade e com a venda do culpado:
  • Um assassino era entregue aos parentes do morto para ser vendido.
  • O adultero passava a ser propriedade do marido traído.
  • Acusados de feitiçaria, roubo, devedores inadimplentes.
  • Outros delitos faziam com que os culpados se tornassem escravos.

A escravidão na África já existia muito antes dos europeus chegarem lá e era praticada pelos próprios reinos negros e pelos árabes e otomanos que dominavam a África por séculos antes dos europeus chegarem.

O norte da África foi a terra de corsários que faziam escravos principalmente na Península Ibérica, atacavam cidades de Portugal e faziam prisioneiros brancos que vendiam como escravos em portos do norte da África.
Antes da formação de Portugal existem registros de que a escravidão de portugueses era praticada pelos visigodos e durante o Al-Andaluz existia a escravidão de cristãos praticadas por muçulmanos.

Os portugueses ao chegarem no litoral africano encontraram um desenvolvido mercado de escravos negros praticado pelos próprios negros.
Os negros africanos eram vendidos pelos seus sobas - chefes de tribos africanas - aos europeus.
Era só ter dinheiro (ou mercadorias de troca) para comprar que os sobas vendiam os negros como escravos.
O primeiro lote de escravos africanos comprados por Portugal foi em 1441 na costa da Mauritânia atual.

Ao chegarem na Guiné os portugueses também encontraram ali um mercado de escravos negros desenvolvido.
  • Os europeus nunca precisaram entrar África a dentro para caçar escravos, os próprios africanos negros os vendiam nos portos da África.
  • É uma mentira suja e sem nexo dizer que a escravidão negra foi racista.
Jamais foi, uma vez que quem dava origem a condição de escravo eram os próprios negros africanos. Eram irmãos escravizando irmãos.
A maior parte da escravidão negra foi como todas as outras, povos derrotados em guerras eram feitos escravos - no próprio território africano - o que INVALIDA o racismo como causa da escravidão negra, uma vez que os negros eram caçados e vendidos como escravos pelos próprios negros africanos.

Os negros africanos também são culpados pela escravidão negra, eram eles que capturavam outros negros para serem vendidos.
Se isso não tivesse existido teria sido muito difícil para Portugal conseguir tantos escravos negros.


A sua dívida pelo escravismo.
Quanto a “culpa”, quanto a “dívida” que supostamente a sociedade brasileira tem para com os negros.Esta é mais uma imundice criada pelo marxismo cultural.
As pessoas em geral não tem culpa alguma pelos crimes cometidos por outros humanos no passado.
A maioria da população do Estado de São Paulo é de origem italiana, alemã, japonesa, polonesa, brancos europeus que vieram para o Brasil para trabalhar no lugar dos escravos por volta de 1890-1910.
Tais imigrantes que vieram para o Brasil (começaram a chegar a partir de 1890) jamais tiveram escravos, vieram para o Brasil pobres, muitos ficaram bem de vida, mas isto, foi com trabalho árduo deles próprios e não de escravos.
O progresso e a riqueza que existe no Estado de São Paulo atual, para a sua população, aconteceu em função dos imigrantes europeus, e não devido ao trabalho escravo que existiu por 400 anos sem nunca tirar a população do estado da pobreza.

Desta forma a sociedade paulista atual não tem nenhuma "culpa" ou "dívida" moral, o povo atual do Estado de São Paulo é em sua maioria descendentes de imigrantes que vieram para cá trabalhar, trabalharam muito, estudaram, e ficaram bem de vida apenas com trabalho próprio.E isso se estende para outros estados.

O marxismo criminoso na sua farsa como “marxismo cultural” politicamente correto é que criou essa mentira de “culpa” da sociedade para criar artificialmente a "luta de classes" marxista que nunca existiu.

A sociedade atual não tem culpa alguma.
As pessoas não podem pagar por crimes que não cometeram.
Um neto não pode ser condenado por um crime que seu avô cometeu no passado !
Se as escolas públicas do Brasil são ruins, a solução não é criar cotas para negros;isso é institucionalizar a incompetência do governo brasileiro.
A solução é o governo brasileiro ter competência e criar condições para que existam boas escolas públicas, ele é obrigado a fazer isso.
Devem existir boas escolas públicas para todos e não cotas.

Todos devem ter os mesmos direitos e os mesmo deveres não importa a cor da pele, e isso é obrigação do governo garantir e fornecer.
Criar cotas é criar um preconceito.
E é isso que o marxismo quer, criar preconceitos, criar de forma artificial a suja “luta de classes” marxista.

Leia também: O mito da divida histórica entre brancos e negros

Mansa Mussa (1312-1332): negro e muçulmano, quando chegou ao Cairo em peregrinação a Meca em 1324, sua procissão incluía 60.000 homens, 12.000 escravos entre Mansa musa escolheu quinhentos escravos também negros, cada um com uma bola de ouro na mão sendo o total incluía  60.000  homens, e 12.000 escravos.


Fonte: cordaescravidao.blogspot.com.br em: Escravidão sempre existiu até o surgimento da democracia liberal.


domingo, novembro 19, 2017

A ideologia de gênero, a (anti) democracia e o totalitarismo





por Sergio de Mello(*)




Olhando bem de longe, mas muito de longe mesmo, até dá para entender o paraíso terrestre que toda ideologia glorifica e todo o aparato da intelligentsia que a orquestra: um lindo arquétipo grupal igualitário, que busca a alma humana comum e a felicidade. De perto, com a lupa da sabedoria da história e dos valores humanos, no entanto, ela não significa nada além de um projeto de igualdade ou supremacia de grupo impositivo, comportamental e antidemocrático.

Falando mais precisamente sobre ideologia de gênero, que é fazer acreditar (isso mesmo, acreditar, sendo questão de fé e não ciência!) que ninguém nasce com sexo definido, esse totalitarismo chegou ao Estado por meio dos livros didáticos em escolas infantis, com base nos planos nacional, estaduais e municipais de educação, está nas portas dos banheiros, nas salas de aula, nos teatros, nas fichas de cadastro de alunos (“filiação 1”, filiação 2”, em vez de pai e mãe). Enfim, não há aceitação pela maioria e, ainda assim, a mão amiga emilitare do Estado determina que se aceite de uma forma geral e indiscriminada essa, por assim dizer, ideologia ou crença de indefinição sexual biológica.

Como diz o ditado, “cada um é cada um”, faz da sua vida o que quiser. Porém, quando a visão de cada um chega ao Estado aí já é o momento de pensar melhor, refletir e ficar com um pulga atrás da orelha mesmo. Ou melhor, é hora de repudiar quando se quer fazer dos direitos humanos e individuais uma tábula rasa, como se ninguém tivesse mais vontade própria e não soubesse o que é bom para si mesmo. Refiro-me, especificamente, às imposições escolares, com a intenção de transmitir aos filhos dos outros aquilo que acham que é o melhor para se viver. Faço referência aos professores que no dia-a-dia passam para alunos inocentes a ideologia de que eles não nasceram meninos ou meninas. Essa aparente demonstração de uma tal “social democracia” nada tem de democrático, já que defende a posição de alguns enquanto oprime e ignora uma grande maioria. Deve-se defender todos e não apenas alguns.

Não há nada de errado em procurar erros e acertos dentro de uma cultura que se diz preconceituosa e desigual. Não há nada de incerto em investigar as mazelas sociais. O erro está em querer impor de cima para baixo normas de comportamentos e de visões de vida comum e totalitária. E não estou falando aqui em não deixar um gay ser gay, uma lésbica ser lésbica, absolutamente não. Como se diz, cada um faz da sua vida o que bem entender. Digo que o sentimento de proteção extrapola nível aceitável e chega ao legislativo, impondo normas comportamentais a todos. E, pior ainda, baseadas numa visão ideológica das coisas humanas, situação que se deve, acima de tudo, evitar para se poder impedir, posteriormente, um mal maior (cerceamento do pluralismo e das liberdades públicas).

Como bem deixou escrito o professor Olavo de Carvalho, no Mídia Sem Máscara, em artigo veiculado há dois dias, “Na esquerda brasileira já não existe, desde há muito tempo, pensamento individual. Tudo ali se decide em grupos, reuniões, debates internos em redes que formam o discurso ideológico destinado a criar e manter a hegemonia, o controle do movimento sobre o curso da vida social e política.”.

Não precisa ser cristão, religioso, conservador ou “de direita”, para se notar que tal ideologia de gênero não passa, de fato, de uma ideologia e, como tal, isenta de qualquer comprovação científica mais apurada de uma ordem de coisas certas e valorosas para o gênero humano. Quem entende de forma diversa para preservar o que há de mais sagrado para o gênero humano – a própria liberdade que a esquerda tanto zela para ela (não para os outros) – é tido como o fanático, o alienado, o insensível, o de “extrema direita”.

Será que estamos caminhando mesmo num futuro promissor e rumo à evolução e ao progresso, como querem fazer crer os entusiastas de ideologias? Será que podemos adotar a filosofia hegeliana de que a compreensão da humanidade e a sabedoria virão somente “ao anoitecer”, no decorrer do curso de história, num porvir? Será que o caminhar da humanidade é linear e não cíclico? Aliás, pensando em Hegel e nesta semana de nossa república, há que se duvidar muito de seus prodígios, já que ele considerou um “glorioso amanhecer” os acontecimentos anti-monárquicos quando da implantação da república no momento da Revolução Francesa.

Ideologia de Gênero derrotada
no Peru.



Ideologia de Gênero: 
Nada mais do que o empobrecimento
intelectual do ser humano





Fonte: institutoliberal.org.br


(*)Sergio de Mello é Defensor Público do Estado de Santa Catarina.

Leia mais sobre o assunto:



-Criadora da “ideologia de gênero” virá ao Brasil

sábado, novembro 18, 2017

Embaixador de Cuba não quer que se fale mal de Guevara na Colômbia





por Eduardo Mackenzie(*)

A melhor foto de Ernesto Che Guevara



Um tal José Luis Ponce Caraballo não gostou de um excelente artigo do escritor colombiano Ariel Peña (leia Aqui) que, no 50º aniversário da morte de Che Guevara na Bolívia, desmonta a falsa imagem que Cuba fabricou e alimentou durante décadas, por razões ideológicas, do terrível aventureiro argentino-cubano.

Invocando a condição de “jornalista”, Ponce Caraballo conseguiu que lhe publicassem em Las 2 Orillas uma réplica agressiva contra Ariel Peña. Ocorre que José Luis Ponce Caraballo é nada menos que o embaixador de Cuba na Colômbia.

Ao ocultar sua qualidade de diplomata estrangeiro e ao dizer que era um simples “jornalista”, o senhor Ponce valeu-se de uma mentira para conseguir seu objetivo: declarar que Ernesto Guevara era um modelo de virtudes, um “exemplo” para muitos e que, ao contrário, Ariel Peña não tem direito de criticar um “líder de Cuba” sem haver “estudado mais a história” desse país.

O embaixador do castrismo em Bogotá acusou também Las 2 Orillas de cumplicidade por ter publicado a nota de Peña. Essa revista eletrônica, como quase toda a imprensa colombiana, excetuando as declaradamente de esquerda, pratica o pluralismo de opinião e publica comentários que não necessariamente coincidem com as idéias de sua direção.

Fiel à doutrina comunista de impor a censura de imprensa em todas as partes, e sem aprender nada da liberdade de imprensa que defende o país que o acolhe como embaixador, o agente castrista escreveu: “Não creio que um meio de comunicação publique um artigo sem compartilhar das idéias que nele se refletem”.

Vê-se que os serviços de Ponce Caraballo seguem a pista de todo aquele que critica a política cubana. Ele reprova Ariel Peña por ter escrito esse e outros artigos sobre Cuba “também marcadamente grosseiros”. Eu li quase tudo o que Ariel Peña escreve a respeito e não vejo neles grosseria alguma. O problema é que hoje é praticamente impossível, se não se é um escritor a soldo, escrever elogios sobre o Che e sobre a ditadura cubana.

O diplomata teve que recorrer ao exaltado escritor marxista José Saramago (1922-2010) para encontrar frases de elogio a Guevara, cuja imagem de herói político e moral declinou nos cinco continentes ante as revelações irrebatíveis que seus biógrafos mais independentes fizeram nos últimos anos. Saramago não era um modelo de probidade em matéria histórica: ele considerava que a situação atual dos palestinos é como a dos judeus no campo de morte de Auschwitz.

Ponce foi o mesmo que propôs em março passado que os “médicos” das FARC pudessem ir “graduar-se em Cuba” não se sabe ainda em quais matérias.

Em vez de pedir a outros que se inclinem ante o fetiche artificial criado pelos propagandistas de Havana, o embaixador deveria ler os testemunhos dos que conheceram o Che de perto e examinar os próprios escritos dele, suas cartas, discursos e diários, para descobrir lá o verdadeiro Ernesto Guevara, sua crueldade e insensibilidade diárias, sua desconfiança pelos intelectuais, poetas e escritores, aos quais chegava a considerar como inimigos potenciais, e que expulsava da ilha quando podia, como ocorreu a Allen Ginsberg, poeta beatnik norte-americano, judeu, homossexual e budista, em 1965. Poderá descobrir a obsessão do Che pela guerra e pelos fuzilamentos, e sua aterradora idéia de que o ódio é o motor da ação revolucionária.

Rebelde, o Che? Sem dúvida, mas também verdugo e, no final, vítima de seu próprio radicalismo e dos interesses estratégicos da URSS e de seus auxiliares cubanos.

O destemperado discurso do embaixador Ponce em defesa do fanático stalinista que era Ernesto Guevara, cognome “o carniceiro de La Cabaña”, foi publicada em 11 de outubro. Esperamos que Las 2 Orillas não feche agora suas páginas a Ariel Peña e que o direito dos editorialistas, comentaristas e jornalistas da Colômbia a criticar a ditadura cubana e seus personagens, e todos os governos em geral, continue sendo uma realidade, embora isso aborreça tanto o senhor José Luis Ponce Caraballo.






(*) Eduardo Mackenzie é jornalista e escritor
No twitter - @eduardomackenz1 Fonte: heitordepaola.com
Tradução: Graça Salgueiro